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Maternidade e a paternidade são dons de Deus
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O Papa encontrou-se com as famílias numerosas. Nos dias de Natal, onde pediu a paz, Francisco falou sobre os males da Cúria Romana, condenou a ação do Estado Islâmico e congratulou-se com o restabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.

 

1. Perante cerca de sete mil famílias numerosas, não apenas italianas, o Papa recordou que a maternidade e a paternidade são dons de Deus. Todavia, cabe aos pais fazer com que este dom resplandeça na sociedade. “Cada um dos seus filhos é uma criatura única, que jamais se repetirá na história da humanidade. Quando se compreende isso, se surpreende com a grandeza do milagre que é um filho! Um filho é um milagre que transforma a vida”, lembrou o Papa Francisco, na manhã do passado Domingo, 28 de dezembro, na Ala Paulo VI, ao receber os membros da Associação das Famílias Numerosas, reunida em Roma para celebrar 10 anos de fundação. “Vocês são únicos, mas não estão sós”, garantiu Francisco, afirmando que os filhos de uma família numerosa são mais capazes de comunhão desde a primeira infância.

 

2. “Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal juntamente com as lágrimas do Menino Jesus”. O Papa Francisco recordou no Vaticano os inúmeros desalojados, deslocados e refugiados do mundo inteiro e, em particular, as crianças desprotegidas, vítimas de “uma cultura que não ama a vida”. “Jesus salve as inúmeras crianças vítimas de violência, feitas objeto de comércio ilícito e tráfico de pessoas, ou forçadas a tornar-se soldados. Dê conforto às famílias das crianças que, na semana passada, foram assassinadas no Paquistão”, disse, no dia 25 de dezembro, na tradicional mensagem de Natal, na Basílica de São Pedro, na bênção ‘Urbi et Orbi’ (à cidade e ao mundo).

Francisco falou das crianças deslocadas, por causa da guerra e das perseguições, abusadas e exploradas diante “silêncio cúmplice” da humanidade, e das “crianças massacradas por bombardeamentos, também onde o Filho de Deus nasceu”.

O Papa rezou para que a celebração do nascimento de Jesus “dê esperança” aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos do mundo inteiro e transforme “a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento”, e para que “todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do Inverno, regressar aos seus países e viver com dignidade”. Pediu a paz para o Médio Oriente, em particular através do diálogo entre israelitas e palestinos, e para a Ucrânia, desejando “um caminho novo de fraternidade e reconciliação”.

Na Missa do Galo, na noite de 24 de dezembro, Francisco apelou ao mundo que se deixe encontrar pela "ternura" de Deus. "Como é grande a necessidade que o mundo tem hoje de ternura!". Mais importante do que procurar a "ternura de Deus" é deixar que “seja Ele a encontrar-nos”, defendeu.

 

3. O Papa Francisco condenou, no dia 23 de dezembro, a ação do Estado Islâmico, uma "organização terrorista" de "dimensões inconcebíveis, que comete toda a espécie de abusos e práticas indignas do Homem". Numa carta que enviou à população cristã do Médio Oriente, Francisco diz que para muitos cristãos "os cânticos natalícios serão entremeados de lágrimas e suspiros". O Papa acompanha "as notícias do sofrimento enorme de tantas pessoas no Médio Oriente". Muitos "foram brutalmente expulsos das suas terras, onde os cristãos têm estado presentes desde a época apostólica". Francisco pensa "especialmente nas crianças, nas mães, nos idosos, nos deslocados e nos refugiados, nos que sofrem a fome, nos que têm de enfrentar a dureza do Inverno sem um teto para se protegerem". Trata-se, escreve o Papa, de um sofrimento que "brada a Deus" e apela "à oração e todo o tipo de iniciativa".

 

4. O Papa Francisco identifica 15 "doenças" na Cúria Romana e falou sobre todas num discurso perante os cardeais, bispos e monsenhores que trabalham no Vaticano, no passado dia 22 de dezembro. A primeira doença é "sentir-se imortal no seu cargo". Como remédio, Francisco, que apresentou à Cúria cumprimentos de Natal, aconselha "uma visita ao cemitério para perceber como tudo passa e o nosso lugar não é eterno". Francisco criticou o "ativismo dos que nunca param"; a rigidez mental dos que, "em vez de homens de Deus, se transformam em máquinas burocráticas"; e os que planificam tudo "como os contabilistas, sem contar com as surpresas do Espírito Santo".

O rol das doenças da Cúria prossegue: há os que sofrem de "Alzheimer espiritual" e esquecem o essencial; os que "rivalizam em vaidade e vã glória"; os "esquizofrénicos com dupla vida e sem contacto com a realidade"; e os que dizem mal, "sem coragem de o fazer olhos nos olhos, como fazem os velhacos", autênticos "terroristas da maledicência". A lista é grande e Francisco não esquece também a "doença da divinização dos chefes". "Dar graxa" é um mal das pessoas mesquinhas que "só querem obter reconhecimento, em vez de dar".

Francisco também denuncia os que "fazem tudo para aparecer nas primeiras páginas dos jornais" – exibicionismos que, diz, só prejudicam a Igreja. Para tudo isto há um remédio, disse Francisco: conversão permanente e deixar que o Espírito Santo santifique o corpo da Igreja.

 

5. O Papa Francisco “congratula-se com a histórica decisão dos governos dos Estados Unidos da América e de Cuba em estabelecer relações diplomáticas com o objetivo de, no interesse dos respetivos cidadãos, superar as dificuldades que marcaram a sua história recente”. Francisco escreveu uma carta ao presidente de Cuba, Raúl Castro, e outra ao presidente americano, Barack Obama. O comunicado da Secretaria de Estado do Vaticano refere que as cartas convidavam ambos os líderes “a resolver questões humanitárias de interesse comum, entre as quais, a situação de alguns detidos, com vista a desencadear uma nova fase nas relações entre as duas partes”. A nota diz ainda que, no passado mês de outubro, a Santa Sé acolheu no Vaticano delegações dos dois países e que “ofereceu os seus bons ofícios para favorecer um diálogo construtivo sobre temas delicados, de onde brotaram soluções satisfatórias para ambas as partes”. E que “a Santa Sé continuará a assegurar o seu apoio às iniciativas que as duas Nações realizarão para incrementar as relações bilaterais e favorecer o bem-estar dos respetivos cidadãos”.

O comunicado não o diz, mas este é o resultado de uma longa e paciente ação da diplomacia vaticana, desencadeada há mais de 15 anos, quando se preparava a visita de João Paulo II em 1998, reforçada com a visita de Bento XVI em 2012.

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