Vida Consagrada |
Vida Consagrada
As origens da vida consagrada
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A história da vida consagrada inicia no fenómeno do monaquismo vivido no Oriente após a liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino à Igreja.

 

Recuando até ao início da formação das primeiras comunidades cristãs, é legítimo referir que, dos textos primitivos – sinópticos e demais literatura apostólica –, não se infere ser vontade expressa de Jesus admitir o monaquismo como componente essencial do cristianismo nascente. Como fenómeno histórico, situado após a concessão da liberdade religiosa dada pelo imperador Constantino, podemos encará-lo e admiti-lo como mais uma forma de existência cristã que decorre da vida e da santidade da Igreja.

Até Constantino, ser cristão significava estar preparado para sofrer o martírio. Após o referido édito do imperador, o cristianismo massifica-se, superficializa-se, perde o entusiasmo pela graça do martírio. Neste contexto, surge um movimento espiritual que pretende reavivar o ideal antigo de perfeição. Tratou-se do monacato; os monges não tinham mais a prisão, mas agora, retirados no deserto, assumiam a austera caverna; na ausência da tortura, assumem mortificações voluntárias; sem a morte violenta, que era o batismo de sangue, em êxtase concedido como dom, foram capazes de se elevar deste mundo até Deus.

O monacato inicial foi um fenómeno de movimentos individuais e serviu-se de referências, de protótipos de ideal monástico, como Elias e Eliseu (2Rs 2,3), entre outros. Não existiam regras; as pessoas pensavam apenas seguir o Evangelho no referente às exortações a uma vida perfeita atribuídas a Jesus. Ao longo do tempo configuraram-se dois modos de estar no deserto: uns insistiam em viver a sua entrega ao Senhor de forma isolada; outros, em companhia de outros eremitas, aceitaram como ideal de monaquismo uma vida cenobítica, uma vida em comum, proposta pelo monge São Pacómio. Quer uns, quer outros procuraram encontrar a Vida na transcendência, numa contínua superação de si próprios.

Importa referir que o monacato se desenvolveu dentro da Igreja e não em oposição à Igreja; não faz sentido invocar o paradoxo simplificador: de um lado a Igreja institucional, do outro o profetismo. A comprovar isso refira-se o bom entendimento havido entre Santo Antão, tido por muitos como o primeiro monge do deserto, e Santo Atanásio, bispo de Alexandria. É sabido como Antão, a pedido de Atanásio, deixou temporariamente o deserto e se aproximou de Alexandria para combater os arianos. Tenha-se presente que foi o bispo de Alexandria, Atanásio, quem escreveu a Vida de Santo Antão. Com esta obra divulgou o fenómeno eremita do Oriente, fazendo-o chegar ao Ocidente.

Cedo passou ao Ocidente a notícia do eremitismo e cenobitismo praticados no Oriente médio e nas margens do alto Nilo. Dos vários intercâmbios havidos entre o Oriente e o Ocidente, várias experiências de vida monástica se implementaram em lugares muito circunscritos. A elaboração de regras para esses grupos foi inevitável. Uma parte dessas regras, com os seus seguidores em muitos recantos do Ocidente, será absorvida pela regra que elabora Bento de Núrsia, composta por 73 capítulos. A regra que lhe é atribuída revela um profundo conhecimento do homem e da sua necessidade de se aproximar de Deus. Acabará por ser o texto orientador para a maioria dos movimentos cenobíticos que antecederam a experiência beneditina no Ocidente.

O monacato beneditino apresentou-se como uma poderosa alternativa a uma Europa num profundo processo de transformação. O mosteiro, na compreensão beneditina, passou a substituir o deserto; a ascese passou a ser controlada pela regra; a obediência, devida ao abade, não deixa margem para opções individuais, nem práticas ascéticas extraordinárias.

De forma silenciosa, a proposta e a forma de ser e estar dos beneditinos passou a ser matriz espiritual e fator de civilização de um espaço que hoje chamamos Europa. Para além do discurso teórico e da exemplaridade, assumiram aqueles monges as mais variadas atividades associadas à mudança rítmica das necessidades socioculturais de cada tempo. Fizeram-se missionários; assumiram-se como agricultores; aceitaram ser copistas enquanto persistiu o perigo do desaparecimento de património escrito que do passado se guardava; fizeram-se mestres e escritores para transmitir a outros a sua experiência de Deus.

Pe. David Sampaio Barbosa, svd, in A essência da vida consagrada
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