Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Aumento da violência doméstica

Em pleno século XXI, com possibilidades nunca antes sonhadas pela técnica e pela ciência, não deixam de surpreender os dados acerca da violência doméstica e mesmo da violência no namoro que foram divulgados a propósito do chamado “dia da mulher”.

Longe de baixarem mesmo de desaparecerem qual realidade pré-histórica de que teríamos conhecimento apenas por algum romance ou algum manual de estudo eis que não apenas continuam como a violência na família e no namoro aumentam. O outro (filho ou filha, esposo ou esposa), longe de ser alguém que o amor faz proteger e cuidar, fica reduzido a um simples objecto, uma “coisa” que passa a ser “descartável” a partir do momento em que deixa de poder satisfazer os caprichos do próprio.

É certo que este aumento do número dos casos de violência e, sobretudo, da sua gravidade, pondo em perigo a vida do cônjuge, significa, igualmente, uma maior consciência de que não podemos ignorar, de que não podemos passar ao lado do problema (ou seja: um maior número de casos denunciados). Contudo, este aumento indica também uma realidade tristemente maior e mais profunda: indica que o modelo de família que a sociedade contemporânea tem vindo a propor e a implementar pouco a pouco mas com uma eficácia tremenda, pura e simplesmente está, desde o início, destinado à falência.

O mesmo é dizer: esta família construída sem referências e de que ninguém sabe ao certo quem dela faz parte a família baseada no divórcio ou no simples viver em comum, que tem como critério de união e de vida o bem-estar do pai ou da mãe; a família que confunde amor com paixão; a família que se demite de educar os filhos mas antes os faz “moeda de troca” entre pai e mãe que vivem separados e mais interessados numa outra qualquer união de que desfrutam no momento presente; a família rodeada de conforto, é certo, mas onde as pessoas permanecem eternamente infantis, essa família (se é que podemos falar propriamente de família) é bastante mais violenta que os modelos do passado.

E podemos até compreendê-lo: trata-se de uma realidade que encontra a sua razão de ser no egoísmo – no egoísmo dos pais, incapazes de sacrificar o seu bem-estar e de procurar viver no amor; no egoísmo dos filhos, condenados a jogar pela vida fora e incapazes de assumir qualquer tipo de responsabilidade. No egoísmo da própria sociedade que se demite de apoiar e proteger a família. E quando o egoísmo é rei, ninguém se pode considerar a salvo.

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