Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
O inimigo do Ocidente?

“Neste momento, o Ocidente considera que o seu inimigo é o cristianismo, e mantém uma aliança com o islamismo. O Ocidente tomou a bandeira do laicismo, esquecendo-se de um axioma da história, que é o de que as civilizações são fundadas pelas religiões, e que desaparecem com as religiões que as fundaram”: assim falava há dias o pensador espanhol Juan Manuel de Prada, acerca do que dizia ser a tendência auto-destrutiva a que assistimos no mundo Ocidental e concretamente europeu.

Não creio que o cristianismo esteja assim tão dependente deste mundo ocidental, uma vez que viveu e vive em muitas outras civilizações que pouco têm a ver com o nosso modo de vida: se desaparecer na Europa, continuará noutros pontos do mundo. Mas creio, isso sim, que o mundo ocidental tal como o conhecemos (aquela civilização que é demandada por tantos que, desesperados da vida nas suas terras, se fazem ao mar, clandestinos, acabando por morrer no Mediterrâneo) está agonizante. Cada um dos ocidentais tornou-se norma para si mesmo. De pouco valem os outros. E o cristianismo, que recorda constantemente o valor do outro, rapidamente se torna em inimigo a abater.

A estratégia tem sido desenvolvida em duas vertentes: apoiar as religiões que se pensava poderem limitar o cristianismo (e daí a aliança tácita com o islamismo, que hoje alguns já colocam em causa) e, por outro lado, assumir o laicismo disfarçado de simpatia (ou mesmo por vezes sem ela) para ir aos poucos reduzindo a presença cristã no Ocidente a uma “peça de museu”.

Devemos reconhecer que, não raras vezes, também nós cristãos aceitámos pacificamente este caminho, talvez culpabilizados por aquilo que nos fizeram sentir serem os erros que a cristandade terá cometido no passado (é claro que esqueceram todo o positivo da vida cristã em sociedade, e todo o caminho que, graças ao cristianismo, foi percorrido), ou também por falta do dinamismo da fé.

O facto é que, mesmo no dia em que a civilização Ocidental tiver desaparecido, das suas ruínas se erguerá um outro mundo. E esse novo modo de viver precisará de cristãos – daqueles cristãos que hoje tiverem recebido a fé e se encontrarem disponíveis para todas as suas consequências, mesmo o martírio.

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