Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
A vida é sempre um bem, e a vida humana é sempre um bem maior

O ser humano distingue-se em muito dos animais. Não basta, obviamente, dizer que somos um simples animal. Várias são as realidades que nos colocam a léguas da simples realidade animal: desde a razão à linguagem e capacidade de comunicação e à apreciação da beleza e da arte. Com efeito, apenas os seres humanos são capazes de dar valor a uma realidade que não é útil para nada mas que possui em si a expressão da harmonia do universo e convida por isso a ir mais longe que as fronteiras do mundo presente, descobrindo-lhe os limites mas também o dinamismo e a transcendência.

Ao contrário, na simples natureza o “elo mais fraco” sempre foi olhado como perigoso. Não tem possibilidade de sobreviver. Só tem valor aquele que é útil. Assim, se é certo que os animais defendem com todas as suas energias a vida, antes e depois de nascer, é igualmente verdade que não hesitam, também por instinto natural, em desfazer-se ou simplesmente abandonar à sua sorte aqueles que, por serem mais fracos constituem uma dificuldade para a sobrevivência do grupo. Não têm sequer a capacidade de colocar a hipótese de que esse elemento ferido ou doente possa, num qualquer momento futuro, constituir a salvação de todos.

Se, por um lado, não podemos deixar de escutar a realidade que nos cerca e que nos foi dada por Deus para podermos chegar até Ele, por outro lado não podemos ignorar o caminho que nos foi tornando humanos e nos foi diferenciando da simples natureza. Um dos dados essenciais desse caminho é a capacidade de tratar com os demais e com a própria natureza com humanidade.

De um modo particular isso aplica-se à defesa dos mais fracos. Ao contrário dos animais, nós, seres humanos, defendemos os mais fracos. A sobrevivência de todos há muito que deixou de depender da mera “selecção natural” em que os fracos morrem e os fortes sobrevivem. As ciências, o modo de viver, a compreensão da dignidade de todos foram percorrendo um caminho longo que hoje nos faz indignar quando nos deparamos com uma atitude desumana.

No entanto, desde o século passado (vejam-se as teorias e práticas do nazismo e do comunismo) têm surgido defensores de que nos cabe decidir acerca da vida do “elo mais fraco”: daquele que ainda não nasceu e que não foi desejado, ou daquele que apresenta algum “defeito”, ou ainda daquele que não é capaz de singrar pela sua força e que, por isso, deixou de ser útil. Até nos querem convencer que essa é a forma de “morrer com dignidade”. E, assim, indignamo-nos (e bem) quando um animal é maltratado, mas convivemos pacificamente com as práticas do aborto, da eutanásia ou da escravidão. Como se estivesse nas nossas mãos decidir sobre o valor dos demais.

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