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No sofrimento, o conforto da espiritualidade
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A doença não é castigo
As doenças não são castigos de Deus, sugere-o o próprio Jesus em Jo 9,3. Apenas revelam a comunhão do homem com a natureza, através do seu corpo. Os homens, os animais ou as plantas, todos adoecem e morrem, todos estão sujeitos às enfermidades oncológicas ou outras doenças graves, a doenças hereditárias ou malformações genéticas. Muitas delas são causadas pelas condições de vida, pela falta de respeito pela natureza ou pelo desrespeito pela própria saúde. Por isso, ao dar-nos consciência de que somos frágeis e mortais, revela-nos quão preciosos são o nosso corpo e a nossa saúde. Desafia-nos a prevenir e promover a saúde, como Jesus no Evangelho.

 

O sofrimento é uma experiência plural

As doenças são múltiplas e variadas em suas manifestações. O adoecer é uma experiência plural. Umas são agudas e depressa redimem, outras crónicas ao longo da vida; umas deixam a vida fluir com quase total normalidade, outras precipitam na total dependência; umas causam dor física sem perturbar a alma e a capacidade de relação com o mundo, outras, para além do sofrimento físico e psíquico, causam também sofrimento existencial e espiritual, uma dor total; umas não fazem temer pelo futuro, outras revelam-se absurdas, violam a esperança e provocam rupturas internas e externas, implicando o sentido da vida, a dúvida sobre a bondade e a existência de Deus.

 

O problema do sofrimento absurdo

Porém nas múltiplas experiências de adoecimento o que mais faz sofrer o doente e o seu entorno é o sofrimento absurdo que algumas doenças provocam. Perturbam de tal forma o coração que põem a pessoa em guerra consigo próprio, com os outros, com o mundo, com Deus. Causando uma cisão entre o Eu e o corpo, fazem desejar a morte; desvinculando o passado do presente e do futuro da biografia pessoal, fazem perder o sentido da vida; provocando a perda das capacidades pessoais, perturbam a vida familiar e social; destruindo a omnipotência e impondo a experiência da fragilidade, perturbam a fé e a relação com Deus. Provocam, por isso, uma degradação física, psicológica e espiritual, uma perturbação a vida afectiva, social e profissional, um confronto com a fragilidade e a precariedade, que, ao causarem rupturas intensas no interior e no exterior e entre o interior e o exterior, provocam angústia intensa, temores e sentimentos de indignação, revolta, culpa, tristeza, solidão e muitas perguntas sobre a causa de tal mal (“os porquês”), bem como sobre o sentido da vida, a pertinência e razoabilidade da fé, a existência, silêncio ou intenções de Deus. Para tal sofrimento não há analgésicos na farmácia ou terapias psicológicas.

 

O conforta da espiritualidade

Face a tal sofrimento, onde encontrar conforto? Uma resposta possível está na relação humana, e particularmente na relação humana compreensiva e densa de espiritualidade para a qual a assistência espiritual e religiosa tem de estar preparada, segundo o jeito de Jesus. Qual bom Samaritano e Médico divino, Jesus, percorrendo os caminhos da Galileia e a Judeia, acolhia, escutava e curava os doentes, depois, ateando neles o amor pelo anúncio da Boa Nova, desafiava-os a uma vida nova prenhe de esperança, aberta aos outros e a Deus Pai. E Jesus desafiou os discípulos a fazerem o mesmo, curando e cuidando dos doentes. Os capelães e agentes espirituais são desafiados a cumprir o mandato de Jesus através de um acompanhamento espiritual, humanamente empático e compreensivo, à semelhança do Divino Samaritano e iluminados pela Boa Nova do Amor Misericordioso de Deus. Neste sentido, o Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa nos hospitais deve ser um lugar onde se previne e promove a saúde física, psicológica e espiritual; onde se procura mitigar o sofrimento daqueles que sofrem, acolhendo e escutando, e se promove a vida; onde se vive de forma fraterna e se promove a paz e a reconciliação; onde se procura incarnar as vicissitudes dos homens, particularmente dos mais pobres, e se promove a justiça.

texto pela Pastoral da Saúde do Patriarcado de Lisboa
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