Missão |
Catarina Cordeiro
Ser pequeno...
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A Catarina Cordeiro nasceu a 28 de setembro de 1988 em Rabo de Peixe, na Ilha de S. Miguel, Açores. Foi lá que deu os primeiros passos da sua caminhada de fé e foi lá também que experimentou a alegria do serviço aos outros, dos mais pequenos e frágeis, através da participação e organização das colónias de férias no projeto “Rabo de Peixe Sabe Sonhar”: “Quando participei a primeira vez era só com o intuito de ajudar durante duas semanas na logística. Mas foi a partir daí que a semente começou a germinar e a vontade de fazer mais, fez com que no ano seguinte eu estivesse a trabalhar com as crianças.”

 

De Rabo de Peixe para Coimbra com as crianças no coração

Em 2006, deixou o arquipélago dos Açores para vir estudar Psicologia para Coimbra. O trabalho com as crianças despertou o desejo e o sonho de compreender melhor este universo e daí esta escolha académica. Foi ainda em Rabo de Peixe, numa das colónias de férias, que conheceu o Centro Universitário Manuel da Nóbrega (CUMN) em Coimbra, casa que a acolheu durante o seu percurso universitário. Por meio deste centro, manteve sempre o contacto com Rabo de Peixe e com as colónias de férias para as crianças locais: “mais do que a alegria de proporcionar uma semana diferente a estas crianças, a verdadeira razão que me fez acarinhar este projeto foi a oportunidade de poder ajudar estas crianças a serem adultos diferentes no futuro, nem que fosse apenas um bocadinho, pois sabia bem que não ia mudar o mundo.” Durante 5 anos (até 2009), dedicou-se por inteiro a esta causa, sabendo que era aquilo a que Deus a chamava, mesmo que nem sempre visse os resultados desejados ou sonhados: “lembro-me de pensar se valia a pena o que estava a fazer e o próprio projeto. Mas viver em missão é duvidar constantemente. É confiar e acreditar naquilo que Deus nos pede, e depois os frutos virão.” Em 2008, foi convidada para fazer parte do grupo de animadores do CUMN, onde permaneceu durante dois anos e onde teve oportunidade de aprender a importância do serviço e da gratuidade sem esperar nada em troca.


Partida para São Tomé e Príncipe

Em 2011, a Catarina decidiu iniciar a formação dos Leigos para o Desenvolvimento, com o intuito de, um dia, partir em missão. A partida aconteceu em setembro de 2012: “levava comigo o sonho e as expectativas de um ano ao serviço. Os primeiros tempos foram difíceis… Partimos cheios de vontade de fazer coisas, de ver algo a acontecer, criamos expectativas de que as pessoas precisam muito de nós e por isso levamos algum tempo a habituar-nos e a ajustar-nos ao ritmo de lá, que em São Tomé se diz ‘Leve leve’”. Inicialmente a missão era de um ano mas, ao final desse período, decidiu renovar por mais um ano. “Partir em missão com os Leigos para o Desenvolvimento é partir acompanhado. Partimos sempre em comunidades constituídas por pessoas com personalidades muito diferentes, pontos de vista diferentes, que nos obrigam diariamente a desinstalar de nós próprios com o objetivo de caminharmos para o bem comum. Houve momentos em que me senti sozinha, momentos onde me senti incompreendida e outros onde me senti muito acompanhada. Construíram-se relações muito próximas e fortes, que mais tarde deram lugar a grandes amizades.” Do tempo de missão recorda que nem tudo foi fácil: “para mim o mais difícil da missão é lidar diariamente com as dúvidas sobre aquilo a que somos chamados, sobre o verdadeiro caminho a seguir, e por onde passa o serviço ao outro. Mas nos momentos de maior angústia apoiava-me em Deus e na comunidade.”

A missão em São Tomé e Príncipe marcou a vida da Catarina: “aprendi a amar além do que gosto ou não gosto, do fácil ou do difícil. Passei a dar mais valor ao tempo, ao estar e a tantas mais coisas. Mas aprendi principalmente a viver a grande alegria de ser pequena. Para mim, a missão começa quando nos apercebemos das coisas pequenas que fizeram ou vão fazendo parte da nossa vida. Por vezes, surgem sem darmos por elas, e quando olhamos para trás e vemos o quão importante foram para aquilo que somos, é que aprendemos a lhes dar o devido valor.”

De São Tomé e Príncipe, a Catarina regressou “diferente, com um olhar mais atento”, com a certeza de que missão continua agora em terras lusas, sabendo que “ser missionário é precisamente ser-se pequeno e ter a humildade de olhar a grandeza do dom da vida.”

texto por Emanuel Oliveira Soeiro, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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