Vida Consagrada |
Ano da Vida Consagrada
A obediência na fé
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O estado religioso é o daquela pessoa que, seguindo e imitando a Cristo-virgem-pobre-obediente, atualiza e prolonga na Igreja o modo de vida e existência de Jesus Cristo. Essencial, portanto, é a profissão dos “conselhos evangélicos” da pobreza, obediência e castidade, três votos que se referem a três dimensões do ser humano: área da afetividade, área da autonomia e a área da possessão.

 

O conselho evangélico da obediência decorre da obediência de Jesus Cristo. Ele foi obediente até à morte e morte de Cruz (Fl 2,8). Despojou-Se da sua condição divina, de Filho de Deus, e fez-Se homem a morar na Terra. Durante a sua vida, sempre teve vontade concordante com a do Pai: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e realizar a sua obra.» (Jo 4,34) A obediência de Jesus é por amor e a sua morte foi de amor à vontade do Pai, sabendo que «o Pai ama o Filho» (Jo 3,35). A vontade do Pai, na sua bondade, era recapitular tudo em Cristo e assim, no Filho e pelo Filho, salvar a humanidade. Para Jesus é importante que, em Si, se cumpra a vontade do Pai. Expressa-o bem quando reza: «Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice, contudo, faça-se a tua vontade.» (Cf. Lc 22,42) Jesus está ciente de que a sua felicidade depende da obediência.

A primeira e natural obediência experimenta-se de filho em relação ao pai, até mesmo na fase infantil do «não». Quem não obedece, não sabe o que é ser filho. Os filhos aprendem a obedecer quando não fazem a sua vontade própria. Pode-se obedecer contrariado, mas pode-se também obedecer por uma opção livre: a opção de “por amor”. Tal acontece sempre quando a pessoa se sente amada e, então, quer fazer a vontade da pessoa que ama, mesmo que seja duro responder sim a esse apelo e sintonizar com a voz de quem chama. Também Jesus sabia que isso é um exercício da vontade humana. Reconhece-o ao contar a parábola da contratação para trabalhar na vinha. Só foi trabalhar, depois, quem disse logo: «Não vou.» Não interessa dizer sim momentaneamente. Interessa e cumpre realmente a vontade do Pai aquela pessoa que, mesmo dizendo não na primeira volta, sintoniza com a vontade do amado.

Quem ama acredita e obedece. Trata-se de uma obediência na fé, obediência da fé. Assim, a pessoa que vive o estado de conselhos evangélicos passou pela primeira experiência de obediência: descobrir-se filha/o infinitamente amada/o no Filho de Deus. Depois de a pessoa ter estabelecido uma relação filial, a obediência na fé é a descoberta da própria identidade em Deus que se revelou no seu Filho. A/o consagrada/o obediente está disponível, faz dom de si e olha na única direção do olhar de Deus sobre a sua própria vida e missão. O voto de obediência que fez a Deus não se separa nem da aliança estabelecida, nem da missão e vida, antes formam um todo na única vontade, a de Deus e o seu projeto de a todos salvar. Na identidade do consagrado está, assim, o ato livre da renúncia à autonomia pessoal, de se autodeterminar.

A consagração religiosa assume uma estrutura eucarística: é uma oblação total de si, estritamente associada ao sacrifício eucarístico, do qual recebe alimento diário. No deixar-se interpelar continuamente pela Palavra de Deus e no Corpo do Senhor está a força para a descoberta e abandono à vontade de Deus que tem mediações humanas. A esta despersonalização, na linha vertical, a de entregar e integrar em tudo a própria vida, corresponde a mais alta personalização em Cristo, no dizer de García Paredes. A nível horizontal, este passar do “eu” ao “nós” é a descoberta, construção e edificação permanente da comunidade. Esta é a estrutura de uma ordem ou congregação, que é parte integrante da Igreja e concorre para a implantação do Reino de Cristo sobre a Terra. Na comunidade existe quem tem o serviço da autoridade (superior/a), que faz com que aconteça o serviço da obediência em ordem à vida da missão, pois faz a voz de Deus para o irmão/irmã.

A obediência à missão incluiu, na fé, a entrega da vida, que pode comportar o martírio, isto é, dar a vida até ao sangue. Eis a mais alta prova de fé e é a mais nobre resposta. Tudo começa quando a obediência é a fidelidade àquilo que a pessoa descobre que é diante de Deus: filha/filho, irmã/irmão. São vontades que se conjugam para que Deus seja honrado, amado, servido, nas coisas simples ou grandes, nos pobres, ou qualquer periferia humana carente da chegada do Reino.


texto por Ir. Maria da Glória Coelho Magalhães, franciscana missionária de Nossa Senhora

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