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Viver um retiro em família
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Nos dias 27 e 28 de Junho estivemos em retiro de famílias no centro diocesano de espiritualidade do Turcifal. Sob o tema “Ser uma melhor família: transformar crises em oportunidades”, neste retiro encontraram-se pais, filhos e avós num espaço de oração e de diversão em família. Agradecemos aos casais da Verbum Dei que generosamente prepararam estes dois ricos dia de retiro. Apresentamos quatro testemunhos sobre como é viver um retiro em família.

 

 

O gozo profundo de ser família

Olá! Nós somos a família Costa Alves da Paróquia do Carregado, composta pelo pai Paulo, a mãe Zézinha e os filhos Nicole, Daniel e Diogo de 11, 9 e 7 anos respetivamente.

Quando recebemos o desafio de participar neste encontro aceitámos sem saber muito bem o que esperar, no entanto, sentimos a necessidade de sair da agitação do quotidiano para desfrutar e aprofundar o nosso laço de família. Perante uma sociedade em que o conceito de família está completamente desvirtuado, nós como família cristã, queremos viver segundo o exemplo da família de Nazaré.

Num clima muito acolhedor e de grande partilha, as famílias participantes receberam pistas para reflexões individuais, de casal e de família sobre temas relacionados com os desafios atuais das famílias e ainda uma palestra com a Dra Maria Teresa Ribeiro sobre Crises Conjugais – Oportunidades para Crescimento. 

Não sendo fácil exprimir por palavras o que sentimos durante este encontro fica-nos: o gozo profundo de ser família, a alegria estampada no rosto de todas as crianças nos seus muitos momentos de brincadeiras, o sentimento de comunhão com todas as famílias, a tristeza da despedida e o desejo de voltar no próximo ano.

Queremos deixar um especial agradecimento ao Padre Rui Pedro Carvalho e à Pastoral Diocesana da Família pela idealização deste encontro, e à Verbum Dei pela excelente organização e por todo o carinho com que nos receberam.

testemunho da família Costa Alves

 

 

A família nunca deve ser deixada para trás

Somos um casal com 19 anos de matrimónio e 2 filhos. A nossa participação no retiro para famílias foi muito enriquecedora. Foram dois dias em plena harmonia em que se respirava o prazer de se estar em família. Para nós este fim-de-semana foi como de uma passagem de nível de comboios se tratasse, em que se tem de PARAR, ESCUTAR E OLHAR. Para além destas 3 ações tivemos ainda a oportunidade de partilhar as nossas vivências como casal e família, bem como em assistir a dois testemunhos repletos de sentido, em que percebemos que temos uma missão evangelizadora enquanto pais e casal, dando a conhecer o que nos une através do amor Deus. Neste retiro, existiu uma interação fabulosa entre pais e filhos onde pudemos partilhar as nossas dificuldades e alegrias, foi um tempo de paragem dedicada a nossa família, foi bom para a nossa filha que teve oportunidade de conviver com outras crianças que também estavam a viver o mesmo ideal. Saímos deste retiro mais renovados em casal e com a ideia reforçada de que a família nunca deve ser deixada para trás. Aconselhamos a todos os casais a experimentarem, pois só sairão a ganhar.

Para nós, voltarmos ao espaço (Centro Diocesano de Espiritualidade de Turcifal), foi apenas o reforçar da opinião que já tínhamos, de se tratar de um lugar indicado para este tipo de retiros, estando inserido numa bela paisagem natural, onde se pode respirar a pureza do ar e a paz de espírito. Viemos a este retiro com uma expectativa, mas regressámos a casa com os resultados redobrados, obtido do esforço e entrega de quem o organizou. Agradecemos profundamente o espírito e o amor que cada um transmitiu.

testemunho da família Dionísio

 

 

A família é um espaço de união onde podemos ser nós próprios

A família são as pessoas que nos conhecem desde sempre. No meu caso, a minha família são as pessoas que vivem comigo e com quem eu convivo diariamente. No entanto, na agitação do dia-a-dia, com a pressa de chegar a horas à escola ou de estudar para um teste, acabo por ficar tão embrenhada nas redes da nossa rotina que não me tenho apercebido devidamente de quem tenho ao meu lado. Para mim, foi neste sentido que o encontro de famílias teve um maior impacto, ao promover um tempo para nos re-ligarmos novamente com a nossa família e nos apercebermos do impacto que os diferentes membros têm na nossa vida. A uma dada altura no encontro, foi dado a cada pessoa o desafio de verbalizar o significado de família, amor e felicidade, para depois se partilhar com a própria família. Foi extremamente gratificante e significativo perceber que dentro da minha família, desde os meus pais até aos meus irmãos mais novos, a família é um espaço de união onde podemos ser nós próprios, pois revela que todos caminhamos num mesmo sentido. Neste encontro senti, assim, uma harmonia familiar, não só entre a minha família, mas entre todas as outras que como nós se aventuraram neste fim-de-semana.

testemunho da Catarina

 

 

Sentimo-nos mais família porque nos demos e o que recebemos encheu-nos o coração

Quando nos foi dada a oportunidade de participar na organização de retiro para famílias ficámos entusiasmados e sentimo-nos desafiados pois nenhum de nós tinha participado num retiro com este enfoque. Desde a escolha do tema “Ser uma melhor família: transformar crises em oportunidades” até aos detalhes das atividades para os filhos de várias faixas etárias, queríamos, no Espírito de Jesus, acolher todos os tipos de famílias, promover o diálogo em casal e em família de forma a estreitar os laços que unem os membros de cada família.

Apesar de não haver muitas inscrições ficámos fascinados pela heterogeneidade dos casais que estavam presentes e das experiências de vida tão diferentes, o que foi fundamental para o enriquecimento do encontro. Conseguimos deixar de lado as nossas preocupações e a lista dos inadiáveis para nos dedicarmos as outras famílias. Ficámos com a tarefa mais fácil, as crianças, que como de costume são únicas na sua espontaneidade e generosidade e com entusiasmo montámos origamis sobre passagens da bíblia, ensaiámos canções e rebolámos na relva.

O ponto mais alto do retiro foi sem dúvida o tempo de partilha em família que normalmente não se consegue fazer no quotidiano do dia-a-dia (é difícil fazê-lo em casal e quase impossível fazê-lo em família). Percebemos que temos uma família maravilhosa muito rica, diversa e cheia de cumplicidade. Percebemos que palavras como amor, união, partilha, cogito, e família são sinónimos.

No final sentimo-nos mais família, porque partilhámos experiências, porque nos demos como indivíduos e como família e o que recebemos encheu-nos o coração. De facto, vivemos em verdadeira família, a várias dimensões, neste fim de semana, nos momentos mais altos e mais baixos, nos mais ensaiados e nos mais espontâneos. Ser família é de facto complexo, desde o momento em que a sonhamos até as dificuldades do dia a dia, que podem ser aproveitadas como novas oportunidades para crescer em família e em Deus.

testemunho de Isabel e Guilherme

 

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Diaconia e Família

 

Só as grandes coisas valem a pena quando se concilia a dimensão humana da vida com a dimensão universal do homem. É o caso da diaconia vivida e fortalecida no pilar da família.

Há dias celebrámos alguns aniversários de ordenações diaconais – nomeadamente eu próprio, os dez anos da minha ordenação – constituindo estes momentos uma excelente oportunidade para louvar e bendizer a Deus pela sua constante presença nos nossos caminhos. Celebrámos também os 25 anos de ordenação do diácono Armando Dilão. Dizia ele que, na nossa condição de “servos inúteis”, os préstimos que entregamos à Igreja são um agir sempre no conforto e estímulo da família: as esposas, os filhos, os pais/sogros, os compadres, os netos...

Vivemos hoje um fenómeno social que envolve novos hábitos profissionais e percorre ritmos de vida duríssimos, ameaçando silenciosamente as famílias. São os ditames de uma globalização em que os mais altos padrões de produção de riqueza e de competitividade podem conduzir-nos ao risco enorme do vazio.

A família torna-se assim, nos dias de hoje, o refúgio e a referência para se poder viver plenamente a sacramentalidade do ministério, no âmbito do desprendimento, da humildade e do serviço ao outro, como presença e testemunho da novidade do caminho e da vida que Jesus oferece a todos.

Após todos os riquíssimos ensinamentos dos Papas João Paulo II e Bento XVI, só temos de partilhar – num deslumbramento ativo de missão – a simplicidade da linguagem direta e interpelativa do Papa Francisco. Dele, quero apenas destacar duas palavras que definem o drama dos dias de hoje: “globalização da indiferença”. Esta indiferença que é a antítese do sentido de responsabilidade!

Neste enquadramento, surge como evidente a seguinte questão: Que exemplo somos nós, diáconos permanentes, para os nossos filhos e para as nossas comunidades, sobre a necessidade de amar, de dar e de se entregar?

Esta crise de referências que hoje vivemos é, sobretudo, uma crise de paternidade, crise de vínculos profundos, em que a juventude não tem referências nem ideais e a velhice não tem quem dela cuide. E a fragilidade está muitas vezes na incapacidade de mostrar a alma, de partilhar a nossa finitude, de dizer bem alto que Deus nos faz falta. No entanto, na azáfama do dia-a-dia, serão os diáconos permanentes capazes de despertar vocações para a Igreja?

A juventude de hoje sabe que o sucesso se transformou na própria sobrevivência, até porque, antes, o sucesso era uma opção; hoje, com menos espaço e oportunidades para todos, o sucesso acaba por ser uma condição de sobrevivência. Porém, se por um lado esta é a realidade em que enquadramos os jovens, por outro lado, se alargarmos o âmbito deste conceito ao exercício do diaconado, poderemos perceber quantas vezes ele é descentrado da sua função principal, que é o serviço aos mais necessitados, num verdadeiro espírito de missão.

A visão, o planeamento e a determinação são as peças fundamentais numa organização que queira trabalhar e desenvolver as capacidades dos seus colaboradores, para conseguir obter os resultados da sua estratégia. Mas aqui devemos sublinhar a importância da formação como fonte de sucesso: há que criar tempos e meios de formação; tempos e meios para o aprofundar das capacidades de cada um e para uma convergência de práticas.

Se se considerar o sucesso de uma carreira como o objetivo último da vida, então o sucesso será grande, sim; mas, no final, será vazio e fútil, na medida em que todo o homem que tome o sucesso e a riqueza como fins últimos da sua vida, corre o enorme risco do vazio. E o diácono vive essas duas realidades, mas deve ter como horizonte a missão.

texto escrito por diác. JPauloRomero

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