Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Responsáveis pelo que é comum

É sabido que os meios de comunicação social sublinham em primeiro lugar o que é negativo. Muitas vezes, à custa de tanto transmitir a notícia, até o exageram, fazendo facilmente com que bons profissionais ou gente honesta veja o seu nome associado a escândalos e a notícias menos positivas. É igualmente verdade que hoje é difícil a alguém honesto ver a sua cara nos escaparates dos jornais ou na televisão, ser abordado e insultado pela rua, ser incompreendido por alguma decisão menos popular que tenha tomado. E é também verdade que por estas e muitas outras razões a política é hoje olhada como uma atividade menos nobre, assaltada por gente sem escrúpulos e com sede de poder, que mais tarde ou mais cedo acaba por se deixar corromper, deixando na sombra os governantes e os políticos sérios e honestos.

Mas o facto é que a política (e nela de um modo particular a arte de governar) continua a ser, hoje como nos tempos passados, uma realidade sem a qual nenhuma sociedade humana é capaz de viver. Que seria da nossa vida coletiva se ninguém fosse responsável por tudo aquilo que é comum, se ninguém o gerisse, e se tudo ficasse ao sabor daqueles que mandam só porque são mais fortes? Olhar pelo que é de todos; fazer com que todos tenham o mínimo para viver com dignidade; ter a capacidade de dirigir aquilo que é comum para a todos conduzir a uma vida integralmente mais humana é uma das atividades mais nobres que possam existir.

Em Portugal, cerca de 80% dos cidadãos afirmam-se católicos. Cerca de 20% frequentam semanalmente a Missa dominical. Contudo, olhando para o nosso Parlamento e para muitos dos nossos outros órgãos de soberania (que deveriam ser um espelho da sociedade portuguesa), é raro encontrar católicos que se afirmem como tal. Como queremos que as leis e as orientações de quem nos governa nos mais diversos níveis sejam um espelho do nosso modo de viver e de olhar o mundo?

Não se trata de impôr aos demais a fé católica, mas trata-se de perceber que a um cristão não é indiferente o modo como é gerido aquilo que é de todos. É que ser cristão não é um modo de vida que permaneça no segredo da consciência; é algo que, antes de mais, nos convida a dar espaço ao Outro, aos outros, ao que é comum.

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