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A pobreza na esperança
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A cobiça do ter, a avidez do prazer e a idolatria do poder, a tríplice concupiscência que marca a história e se encontra na raiz dos males atuais só poderá ser vencida se redescobrirmos os valores evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência. Hoje continuamos a reflexão sobre este tema dos conselhos evangélicos, já iniciada no mês de junho, nesta mesma rubrica sobre a Vida Consagrada.

 

A condição humana exige que se tenha, conserve, use e cuide os bens em função da sobrevivência. As coisas da Terra, os bens, são bons e estão em função das pessoas (cf. Gn 1,31), mas eles exercem a sedução idolátrica do ter, que coloca em tantos corações o risco da tristeza individualista. Neste estado de coração cego, muitas pessoas alimentam a sua área de possessão e o mundo fica cada vez mais polarizado pelos problemas económicos. A novidade que comove e provoca é somente aquela que nasceu do encontro com o Menino pobre de Belém que não tinha onde reclinar a cabeça (cf. Mt 8,4), e tem o nome de pobreza evangélica.

Cristo, o Filho de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-se pobre. Renunciou à autoafirmação, à ostentação do poder, à sedução das riquezas, sendo Ele a Boa Notícia, a proclamação do Reino. É nesta senda que os consagrados, deixando tudo por amor de Cristo, assumem na própria carne a desapropriação de Jesus. Quem abraça a pobreza evangélica é porque foi tocado profundamente por Jesus e quer imitar a caridade e a pobreza vividas por Ele, e daí também querer imitar a sua ação em relação aos outros. Passa a centrar-se nos outros e nos preferidos de Deus, os pobres, para os elevar à sua riqueza.

A pobreza é o estado necessário indispensável para responder ao amor de Cristo e dos pobres. Não é facultativa, mas é necessária, pois sem ela não há amor a Deus nem amor ao próximo. O consagrado, ao ter entrado em aliança com Deus e ao ser convidado a colaborar na realização do seu projeto no mundo, coloca todos os seus bens materiais e espirituais ao serviço do Reino.

Jesus, no discurso da Montanha, diz claramente: «Fazei tesouros no céu.» (Cf. Mt 6,20) É um modo de dizer para se fazer pobre para socorrer os pobres e que eles sejam o tesouro do coração, pois «onde estiver o tesouro, aí estará o coração» (Mt 6,21). É um tesouro ser pobre ou tornar-se pobre para socorrer os irmãos. Tal só é possível se tudo for secundarizado em relação ao Bem Absoluto. Então, decide-se por um estilo pobre nos bens materiais e no uso pobre dos mesmos. Vivendo com pouco e desse pouco de nada dependendo.

Porquê? Porque querem imitar a pobreza de Jesus e assim O querem confessar como Filho que tudo recebe do Pai e no amor tudo Lhe devolve (cf. Jo 17,7.10), e é nessa atitude que também querem viver. Na vertente desta forma de vida, a pobreza, cumpre-se o mandamento principal de amar a Deus sobre todas as coisas e com todas as suas forças (cf. Mt 22,39), e nas coisas, e com os bens materiais e espirituais, amar a Deus e o seu projeto. Trata-se, pois, de uma opção livre da vontade para viver em mais liberdade, pondo tudo ao serviço do Reino. Assim fez Cristo e a sua Mãe: por amor ao Pai, entregou tudo de si, a própria vida e tudo o que ela contém a um projeto de Deus.

No seguimento de Cristo, este é um estilo de vida e comunhão de bens que, sendo uma virtude, a de perseverar na generosidade total, em favor do Reino dos Céus, toma então o nome de pobreza evangélica e opção pelos pobres (“pobre” não só de bens mas de cultura, valores, saúde, civilização, promoção, etc.) uma vez que é esta pobreza que inspira e fundamenta a vida de quem está no estado de conselhos evangélicos.

Trata-se pois de uma atitude de amor e que reflete o dom de Deus. A pobreza voluntária e evangélica é uma dimensão da entrega de si mesmo e sem reserva à aliança estabelecida entre ambas as partes: a pessoa e Deus, Deus e a pessoa. A pobreza evangélica na esperança aponta a dimensão escatológica: quem vive pobre, desprendido de si e de bens de toda a ordem para se colocar – e os colocar – ao serviço do Reino, afirma que Cristo reina em si, afirma que acredita e espera bens maiores para aqueles que O amam e n’Ele esperam.

Ir. Maria da Glória Coelho Magalhães, FMNS, em A essência da Vida Consagrada
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