Missão |
Marta Arrais
“A missão é nascer em nós uma voz que não se cala mais!”
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Marta Arrais nasceu a 16 de Abril de 1986, em Coruche. É licenciada em Português e Inglês, com mestrado em Ensino de Inglês e Espanhol e tem formação para o ensino de inglês no primeiro ciclo. É membro da Juventude Hospitaleira desde 2007 e cronista do site IMISSIO desde 2014, após o seu regresso de Moçambique.

 

Durante alguns anos, foi catequista na paróquia de Coruche e coordenadora do Grupo de Jovens da mesma. Em 2007 tornou-se membro da Juventude Hospitaleira e afirma que este movimento mudou a sua vida. “O contacto com as pessoas com doença mental e deficiência ajudou-me a reconhecer o que é realmente importante. Criei com estas pessoas, e com o grupo com quem partilhei estas vivências, laços que se equiparam aos que temos com a nossa família”, partilha. A Juventude Hospitaleira (movimento juvenil de “jovens cristãos solidários de espiritualidade hospitaleira”) foi fundada pelas Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus (IHSCJ) e pelos Irmãos de S. João de Deus (OH). “As Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus foram determinantes para o meu crescimento pessoal e para o meu crescimento na fé. Foi maravilhoso e reconfortante encontrar pessoas que, como eu, tinham esta sede inexplicável de transformar o mundo num lugar melhor e, essencialmente, mais feliz. Fiz vários campos de férias nas casas de saúde das Irmãs desta congregação em Telheiras, na Idanha, em Condeixa. Depois, como comecei a sentir vontade de voar mais alto e mais longe, fui até Espanha para conhecer a realidade das Casas dos Irmãos São João de Deus. Em mim continuava acesa uma vontade de fazer mais e de ir ainda mais longe”, conta-nos Marta.

 

“As asas que o Pai me deu levaram-me até Moçambique”

Em Agosto de 2014 Marta partiu por um mês para Moçambique, para o Centro de Reabilitação Psicossocial das Mahotas (Maputo) com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. “Foi, ao mesmo tempo, um murro no estômago e um colo para a alma. Vivi uma vida inteira em apenas um mês”, escreveu numa rede social ao recordar estes dias. Afirma que este mês mudou para sempre a sua vida e a sua forma de estar no mundo. “As asas que o Pai me deu levaram-me até Moçambique e, desde essa altura, nunca mais fui a mesma. As crianças com quem privei, no Centro de Reabilitação Psicossocial das Mahotas, mostraram-me o verdadeiro significado da alegria. Mergulhadas num ambiente hostil, de pobreza e de miséria ensinaram-me a ser feliz com tudo o que tinha. Ensinaram-me que eu já era muito feliz mas não sabia. Foi verdadeiramente doloroso e difícil verificar e reconhecer as condições em que o povo moçambicano vive”, partilha.

 

“Foi uma experiência marcante!”

Compreender tudo o que viveu em Moçambique foi algo difícil de assimilar e entender após o regresso e é um processo que afirma continuar em marcha tal como nos conta: “Durante algum tempo não consegui assimilar o choque profundo que resultou de tudo aquilo que vi e vivi. A sensação que eu tinha é que não tinha espaço dentro de mim para abarcar todas as emoções que rebentavam em mim. Foi uma experiência marcante. Pensei que ia dar muito mas não sei se dei alguma coisa. Sei que lá estive com tudo o que era, mesmo quando o mais fácil seria desistir. A experiência de missão marca-nos para sempre e nunca mais nos abandona. É como se nascesse em nós uma voz que não se cala mais. E é difícil conseguir ter sempre a capacidade de ouvir essa voz sem nos perdermos. Moçambique deixou-me cicatrizes de feridas profundas. E acho que também trouxe comigo as feridas daqueles meninos. Julgo que ninguém poderá compreender”. Sendo esta uma experiência tão especial, Marta voltou diferente e sabe que aquele mês que esteve em missão valeu a pena e a fez crescer em todos os aspetos. “Os ensinamentos que trouxe encheram-me de uma esperança que nem sempre tive. Percebi que ninguém pode mudar o mundo, por muito que queira. Mas pode mudar-se a si. E isso já é mudar o mundo”, partilha.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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