Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Não entendo… Mas talvez seja melhor assim!

É tão certo como o Natal ser em dezembro: este ano, como de há alguns anos a esta parte, no último dia de agosto (mas o clima regressa passados alguns meses, em janeiro), o país parece ter ficado suspenso pelo «mercado do futebol».

Foram comentários, painéis, notícias “bombásticas”, reportagens em direto, desilusões, expectativas falhadas e outras que se mostraram premonitórias, opiniões… como se de tal mercado dependesse o futuro do país, ou a salvação do mundo.

Gosto de futebol. Gosto que o meu clube vença campeonatos e taças. Gosto de ver um bom jogo e não disfarço estoicamente o entusiasmo, como alguns conseguem fazer. Acho que o desporto é para ser vivido com emoção. E se temos que queimar energias, ao menos que seja “entre as quatro linhas” ou à sua conta. Percebo que, neste mundo feito de espetáculo, talvez o futebol seja o “menos pior” de todos eles, ainda que desconfie que a nós, simples espectadores, não nos passe pela cabeça um milésimo sequer do mundo do futebol profissional.

Mas já não compreendo (hoje como nos anos anteriores) onde é que, num país com tantos problemas económicos e sociais, se encontra o dinheiro necessário (mesmo no meio de todas as crises) para tantos milhões envolvidos nesta “indústria desportiva”. Como não entendo como é que a alguém que tem “jeito para jogar à bola” se oferece um salário tão grande, e como à sua volta gira tanta gente.

E, sobretudo, não entendo como é que não existe ninguém a clamar, a reivindicar, a protestar… esses mesmos que todos os dias vemos na televisão ou nas rádios a propor greves, a denunciar injustiças, a debitar discursos azedos. Ninguém toca no futebol. Ninguém toca, sobretudo, nos grandes clubes – nacionais ou internacionais…

Não entendo… Mas talvez seja melhor assim!

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