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“A minha doutrina é a da Doutrina Social da Igreja”
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A bordo do avião, durante o voo entre Cuba e os Estados Unidos, Francisco rejeitou ser apelidado de “Papa comunista”. O Papa esteve quatro dias em Cuba (19 a 22 de setembro), ficando agora nos Estados Unidos, até este Domingo, onde fala ao Congresso, visita a sede da ONU e preside ao Encontro Mundial das Famílias. O Vaticano já acolheu uma família de refugiados.

 

1. Depois da visita de quatro dias a Cuba (19 a 22 de setembro), o Papa Francisco foi recebido, nesta quarta-feira, dia 23, na Casa Branca, em Washington, onde elogiou os esforços do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para combater as mudanças climáticas. Segundo o Santo Padre, os católicos norte-americanos estão comprometidos para construir uma sociedade tolerante e inclusiva, que rejeite a discriminação. “Senhor presidente, acho encorajador que proponha uma iniciativa para reduzir a poluição do ar”, disse o Papa. “Aceitando a urgência, parece claro também para mim que a mudança climática é um problema que não pode mais ser deixado para uma geração futura. Quando se trata da nossa 'casa comum', nós estamos a viver um momento crucial da história”, alertou Francisco. Obama qualificou o Papa como um “profundo exemplo moral” e agradeceu o apoio ao “novo recomeço” nas relações diplomáticas entre os EUA e Cuba.

 

2. O Papa rejeita ser apelidado de “Papa de Esquerda” ou “Papa comunista”. Francisco afirma que as suas intervenções sobre economia derivam da Doutrina Social da Igreja e nada mais. Numa conversa com os jornalistas, durante o voo entre Cuba e os Estados Unidos, Francisco respondeu abertamente à pergunta e até brincou com a questão. “Pensar que é comunista ou não... Eu estou certo que não disse uma coisa a mais do que aquilo que está na Doutrina Social da Igreja. Sou eu a seguir a Igreja. As coisas podem-se explicar-se e dar a impressão de ser um pouco de esquerda, mas seria uma explicação errada”, declarou o Papa. “A minha doutrina sobre tudo isto, sobre a encíclica ‘Laudato Si’, sobre o imperialismo económico e tudo isso, é a da Doutrina Social da Igreja. E, se for preciso recitar o credo, estou disposto a fazê-lo”, sublinhou Francisco.

Sobre o embargo norte-americano a Havana, que ainda se mantém apesar do reatamento das relações diplomáticas entre os dois países, o Papa sublinhou que as negociações prosseguem e que não devem ser perturbadas. “O problema do embargo faz parte das negociações. Ambos os presidentes se referiram a isso, é público, faz parte do caminho das boas relações que se procuram restabelecer. O meu desejo é que cheguem a bom porto e a um acordo que satisfaça as partes. A posição da Santa Sé é conhecida e Papas anteriores já falaram do assunto”, disse aos jornalistas.

A questão dos dissidentes cubanos foi outro tema em destaque nesta conversa com os jornalistas. O Papa disse não ter conhecimento de detenções durante a sua passagem por Cuba. Explicou que, apesar de não ter reunido com dissidentes políticos, mostrou disponibilidade para os saudar e acolher na catedral de Havana, mas nenhum deles se identificou. “Não tenho notícias de que isso tenha acontecido. Não sei. Gosto de me encontrar com todas as pessoas. Se quer que lhe fale dos dissidentes, posso dizer-lhe em concreto que, na Nunciatura estava bem claro que eu não daria audiências. Não só aos dissidentes, mas a chefes de Estado. Em segundo lugar, telefonaram da Nunciatura a algumas pessoas dos grupos de dissidentes, para comunicar que eu, com todo o gosto, comunicaria com eles, quando chegasse à catedral. Como nenhum se identificou, não sei se lá estavam ou não”. Sobre os pedidos de amnistia para os presos, Francisco disse que isso, sim, é um trabalho para a Igreja Católica no terreno.

O encontro com o líder histórico da revolução cubana, Fidel Castro, foi outro dos temas abordados na conferência de imprensa a bordo do avião papal. Francisco revelou que falaram de histórias do passado, de jesuítas conhecidos e da última encíclica papal dedicada ao ambiente. Foi um encontro, sobretudo, informal e muito espontâneo, contou o Papa.

 

3. Francisco despediu-se de Cuba agradecendo a coragem dos que permaneceram firmes, através da revolução da fé. Disse-o no local mais emblemático da alma cubana, no santuário secular da Virgem da Caridade, padroeira do país. O Papa esclareceu ainda que quer uma Igreja na rua, comprometida com a vida desta gente, com a sua cultura, capaz de derrubar muros e semear reconciliação. Num país onde a presença pública da Igreja nem sempre é fácil – desde 1959, em Cuba, nunca mais se construíram igrejas –, o Papa Francisco disse que a Igreja deve comprometer-se com a vida deste povo e acompanhá-lo nas situações mais difíceis e embaraçosas.

Após três dias intensos e calorosos (não só pelas altas temperaturas, mas pelo acolhimento dos cubanos), Francisco sublinhou a vocação deste país, como encruzilhada entre o norte o sul da América e, sem falar no embargo, pediu para o mundo se abrir a Cuba e Cuba ao mundo, citando as históricas palavras de João Paulo II proferidas aqui há 17 anos.

Significativas também as suas palavras finais de incentivo às famílias, verdadeiros espaços de liberdade e escolas de humanidade. Porque a família é o que salva as pessoas de ficarem isoladas e fáceis de manipular e de governar, sublinhou.

 

4. Uma família da Síria já está a viver no Vaticano. Pai, mãe e dois filhos moram num apartamento perto de São Pedro e estão a ser apoiados pelos paroquianos de Santa Ana – a paróquia da pequena igreja, mesmo ao lado de uma das fronteiras do Vaticano.

O Papa Francisco tinha referido, na entrevista exclusiva à Renascença, que as duas famílias já estavam identificadas. Na passada sexta-feira, 18 de setembro, um comunicado da Santa Sé revelou que esta primeira família, cristã greco-católica do Patriarcado de Antioquia, fugiu de Damasco por causa da guerra e conseguiu entrar em Itália, exatamente no mesmo Domingo em que o Papa fez o apelo no Angelus para os católicos acolherem uma família de refugiados mas suas comunidades.

A Santa Sé pede, no entanto, à comunicação social que respeite o seu anonimato e evite entrevistá-los, por estar a decorrer o processo relacionado com o pedido de asilo.

Quanto à segunda família de refugiados, o Vaticano confirma apenas que não pode adiantar qualquer detalhe, mas que o processo também já está a decorrer.

O Papa Francisco espera assim dar o exemplo às paróquias de toda a Europa para que acolham pelo menos uma família de refugiados.

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