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“Deus sempre quer construir pontes; somos nós que construímos muros!”
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O Papa Francisco lembrou, na audiência-geral, a visita a Cuba e aos Estados Unidos, onde esteve seis dias, entre 22 e 27 de setembro. No regresso a Roma, falou de liberdade de consciência, nulidade matrimonial e da Europa. Esta semana foi publicada a Mensagem do Papa para a 31ª Jornada Mundial da Juventude.

 

1. O Papa Francisco agradeceu o acolhimento que lhe prestaram os presidentes Raul Castro, de Cuba, e Barack Obama, dos EUA, nos seus países e agradeceu também ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Na audiência-geral da passada quarta-feira, dia 30 de setembro, o Santo Padre referiu-se a ambos os destinos que o levaram ao continente americano. “Missionário da Misericórdia: foi assim que me apresentei em Cuba, uma terra rica de beleza natural, de cultura e de fé. A misericórdia de Deus é maior do que qualquer ferida, qualquer conflito, qualquer ideologia; e com este olhar de misericórdia pude abraçar todo o povo cubano, na pátria e fora, para além de qualquer divisão. Com o povo cubano, partilhei a esperança de ver plenamente realizada a profecia de São João Paulo II: que Cuba se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba”, frisou o Papa, recordando que o caminho a seguir é o da abertura, recusando a exploração da pobreza e dando dignidade com liberdade.

“De Cuba para os Estados Unidos foi uma mudança emblemática”, disse o Papa, porque “Deus sempre quer construir pontes; somos nós que construímos muros!”. Sobre a sua visita aos EUA, o Papa Francisco recordou as três etapas cumpridas: Washington, Nova Iorque e Filadélfia. Sobre a primeira etapa na capital, o Santo Padre ressaltou os encontros com as autoridades, com os bispos e sacerdotes, mas também com os pobres e marginalizados. Em particular, recordou a canonização do sacerdote franciscano Junípero Serra, evangelizador da Califórnia. Sobre a sua etapa em Nova Iorque o Papa evidenciou a visita à ONU, o encontro junto ao Memorial Ground Zero e a Missa no Madison Square Garden. O Papa Francisco, nesta audiência-geral, sublinhou que tanto em Washington como em Nova Iorque teve oportunidade de encontrar algumas realidades caritativas e educativas, “emblemáticas do enorme serviço que as comunidades oferecem neste campo”.

Finalmente, o Papa salientou a sua viagem a Filadélfia, para o VIII Encontro Mundial das Famílias (ver pág.08), onde “o horizonte se alargou a todo o mundo”: “A família é a resposta porque é a célula de uma sociedade que equilibra a dimensão pessoal e aquela comunitária e que, ao mesmo tempo, pode ser o modelo de uma gestão sustentável dos bens e dos recursos da criação. A família é o sujeito protagonista de uma ecologia integral”.

 

2. Na viagem dos EUA até Roma, na segunda-feira, o Papa Francisco defendeu a importância da liberdade de consciência como um direito humano, mesmo quando isso implica a não colaboração com uma lei. Na sua habitual conversa com os jornalistas, a bordo do avião, o Papa esclareceu ainda o significado do último documento sobre os processos de nulidade dos casamentos na Igreja Católica. “Os que pensam no divórcio católico enganam-se, porque este último documento fechou a porta ao divórcio. Facilita os prazos dos processos, mas não é divórcio, porque o casamento é indissolúvel quando é um sacramento, e isto a Igreja não o pode mudar. É doutrina, é um sacramento indissolúvel”, afirmou.

Francisco falou também sobre os muros que se erguem hoje na Europa. "Sabemos como acabam os muros. Todos os muros caem. Hoje, amanhã, daqui a 100 anos... mas cairão. Não é uma solução. O muro não é uma solução”. Reconhecendo que o “Velho Continente” passa por momentos complicados, com a entrada de tantos refugiados, o Papa voltou a apelar ao diálogo para que possam construir “pontes” – essas, sim, duram para “sempre”. “Temos de ser inteligentes, porque chega esta grande onda migratória e não é fácil encontrar soluções. Mas só e sempre através do diálogo é que os países da Europa se devem entender”, apontou.

 

3. Depois de ter sido recebido na Casa Branca, no dia 23, o Papa Francisco discursou no Congresso Americano, algo inédito, e não teve receio de apelar ao fim da pena de morte e chamou a atenção para os membros da família que são “mais vulneráveis: os jovens”.

Já em Nova Iorque, o Papa Francisco falou nas Nações Unidas, na sexta-feira, dia 25, perante os representantes de todo o mundo. Nesse palco mundial, não se escusou de pedir uma “reforma e adaptação aos tempos” da instituição, em especial do “Conselho de Segurança” e dos “organismos financeiros”. No mesmo local, Francisco falou da pobreza, da crise ambiental e pediu ainda um “exame de consciência” dos responsáveis internacionais para os casos de perseguição religiosa, mas não só. Também neste dia, a povoada ilha de Manhattan, no Ground Zero, o espaço que resta dos destroços provocados pelo ataque terrorista do 11 de setembro, foi o palco de uma cerimónia inter-religiosa onde rezou pela paz, visitou uma escola de Nova Iorque, escolhida por ter uma proporção grande de filhos de imigrantes, e à noite, no Madison Square Garden, palco de muitos concertos e eventos desportivos, Francisco falou da complexidade da vida nas grandes cidades.

Nesta viagem de dez dias, a mais longa do seu pontificado até ao momento, o Papa Francisco, com 78 anos, visitou ainda o estabelecimento correcional Curran-Fromhold, em Filadélfia, encontrou-se com 100 dos cerca de três mil detidos e defendeu a importância da reintegração. No encontro com os 300 bispos que participaram no Encontro Mundial das Famílias, o Papa garantiu que a Igreja será, no futuro, eficiente a prevenir casos de abusos sexuais. O Santo Padre reuniu com algumas vítimas de abusos por parte de elementos da Igreja e assegurou que "os culpados serão castigados".

 

4. Na mensagem para a 31ª Jornada Mundial da Juventude, o Papa convida os jovens a serem “instrumentos de misericórdia em relação ao próximo”. Francisco propõe também aos mais novos que escolham “uma obra de misericórdia corporal e outra espiritual para pôr em prática em cada mês, nos primeiros sete meses de 2016”.

A mensagem, com o tema ‘Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’ (Mt 5, 7), desafia ainda os jovens a abrirem o coração a Deus “com humildade e transparência”.

Entretanto o Vaticano divulgou o tema para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: ‘Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo’.

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