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Papa critica falta de reconhecimento e apoio às famílias
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Começou o Sínodo dos Bispos sobre a Família, em Roma, com a garantia de que não haverá mudanças na doutrina da Igreja sobre o tema.

 

1. O Papa Francisco considera que a política e a economia não dão o reconhecimento e o apoio necessário à família. “Não se dá à família o devido peso, reconhecimento e apoio nas organizações políticas e económicas da sociedade contemporânea”, afirmou o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 7 de outubro, acrescentando que “a família requer toda a nossa atenção e cuidado e o Sínodo deve responder a este pedido”. Na Praça de São Pedro, no Vaticano, Francisco considerou que as relações humanas parecem “desidratadas, áridas e anónimas”, pelo que “se sente a necessidade de uma robusta injeção de espírito familiar”, e assegurou que a família dá “a toda sociedade uma perspetiva mais humana”, pois “permite estabelecer vínculos de fidelidade, sinceridade, cooperação e confiança”. “Para a Igreja Católica, o espírito da família é como a sua carta magna: a Igreja é e deve ser a família de Deus”, terminou.

 

2. O relator-geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Péter Erdö, deixou clara a doutrina da Igreja sobre as pessoas que vivem em uniões irregulares, como os divorciados recasados. “Na busca de soluções pastorais para as dificuldades de certos divorciados que voltaram a casar civilmente, deve-se considerar que a fidelidade à indissolubilidade do matrimónio não pode ser conjugada com o reconhecimento prático da bondade de situações concretas, que lhe são opostas e, por isso, inconciliáveis. Entre o verdadeiro e o falso, entre o bem e o mal, de facto, não há gradualidade”, disse o cardeal Erdö, na intervenção orientadora dos trabalhos do Sínodo, na segunda-feira, 5 de outubro. O cardeal Erdö também se referiu às uniões homossexuais, rejeitando que possam ser equiparadas a casamento. “A Igreja ensina que não existe nenhum fundamento para assemelhar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família”.

Na conferência de imprensa que decorreu neste primeiro dia de trabalhos sinodais, no Vaticano, também o cardeal André Vingt-Trois, presidente delegado do Sínodo, avisou os jornalistas para não esperarem novidades doutrinais sobre o tema da família.

 

3. O Papa Francisco fez uma forte defesa do casamento e da família, na homilia da Missa de abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Família, no passado Domingo, 4 de outubro, declarando que o casamento não é uma utopia, mas um sonho sem a qual o homem está condenado à solidão. “Para Deus, o matrimónio não é utopia da adolescência, mas um sonho sem o qual a sua criatura estará condenada à solidão. De facto, o medo de aderir a este projeto paralisa o coração humano”, disse Francisco.

O Papa falou do paradoxo de um tempo em que o homem corre atrás de amores temporários enquanto sonha com o amor autêntico. “Paradoxalmente, também o homem de hoje – que muitas vezes ridiculariza este desígnio – continua atraído e fascinado por todo o amor autêntico, por todo o amor sólido, por todo o amor fecundo, por todo o amor fiel e perpétuo. Vemo-lo ir atrás dos amores temporários, mas sonha com o amor autêntico; corre atrás dos prazeres carnais, mas deseja a doação total”.

Francisco considera que a missão da Igreja é ser uma voz que grita no deserto “para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimónio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”.

Já no sábado, dia 3, na oração de vésperas para o início do Sínodo da Família, o Papa pediu orações: “Rezemos para que o Sínodo saiba reconduzir a uma figura de homem na sua plenitude a experiência conjugal e familiar; reconheça, valorize e proponha tudo o que nela há de belo, bom e santo; abrace as situações de vulnerabilidade, que a põem à prova: a pobreza, a guerra, a doença, o luto, as relações feridas e desfeitas de que brotam contrariedades, ressentimentos e ruturas; lembre a estas famílias, como a todas as famílias, que o Evangelho permanece uma ‘boa notícia’ donde recomeçar”.

 

4. No dia do arranque do Sínodo dos Bispos, D. Manuel Clemente deu conta, em entrevista à Rádio Renascença, da importância dos trabalhos sinodais no sentido do reforço da realidade familiar num quadro que nem sempre é favorável à união das famílias. “O Papa está muito atento a todos estes fatores de desagregação social e comunitária. O que é preciso é reforçar esta primeira aprendizagem social que é a família de cada um, e que as próprias sociedades deem à família o valor primordial que ela tem de ter para o bem e futuro dessas mesmas sociedades”, referiu em Roma D. Manuel Clemente, que participa no Sínodo na qualidade de presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. “Se nós, como cristãos, também acreditamos nisso, temos de estar na primeira linha do reforço da realidade familiar, do seu acompanhamento e da sua preparação”, acrescentou. Parte da crise que afeta a família deve-se ao facto de hoje ser possível um “percurso individual como não era noutros tempos”. “Por isso é que o reforço da realidade familiar, do seu valor, da sua importância, da sua urgência é que é a vocação da família e é também a sua missão”, assegurou o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

Entretanto, na passada terça-feira, 6 de outubro, no final do segundo dia de trabalhos, D. Manuel Clemente falou à Rádio Vaticano onde garantiu “uma grande afinidade com o que o Santo Padre tem dito”. “Não está, de modo nenhum, em causa a doutrina e a tradição cristã sobre a família, antes pelo contrário, está a reavivá-la a compreendê-la melhor, apresentá-la a todos, porque com a compreensão que devemos ter com as mais diversas situações que existam, nós temos que corresponder a essas situações da maneira em que nós acreditamos que o próprio Deus correspondeu na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo. Neste sentido, acrescentou, “trata-se de radicar, cada vez mais, a nossa proposta sobre a família, contando muitíssimo com a experiência das famílias cristãs, dando essa mesma resposta às problemáticas que se põem”. “Tudo vai no sentido do reforço do papel da família nas comunidades cristãs, na preparação, no cuidado e no acompanhamento da parte de todos da comunidade e dos padres”, lembrou o Cardeal-Patriarca.

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