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Papa deseja que Sínodo dos Bispos “renove em toda a Igreja o sentido do valor inegável do matrimónio indissolúvel”
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Termina este Domingo, 25 de outubro, o Sínodo dos Bispo sobre a família, com o Papa Francisco a pedir que “o sentido do valor inegável do matrimónio indissolúvel e da família saudável” seja renovado na Igreja. Na semana em que pela primeira vez foi canonizado um casal, o Papa apelou à conversão do papado nos 50 anos do Sínodo, anunciou a primeira viagem a África e visitou um dormitório.

 

1. O Papa falou de São João Paulo II, na habitual audiência-geral de quarta-feira, lembrando que no dia seguinte se celebrava o Dia da Memória de João Paulo II. “Caríssimos, amanhã celebramos a memória de João Paulo II, o Papa da Família. Sejam seus bons seguidores na atenção pelas vossas famílias e para todas as famílias, especialmente aquelas que vivem dificuldades materiais ou espirituais. Que a fidelidade e o amor professados, as promessas feitas e os compromissos que derivam da responsabilidade, sejam a vossa força”, começou por dizer, no passado dia 21 de outubro.

Francisco elogiou os tempos em que bastava um “aperto de mão” para garantir a “fidelidade” às promessas e afirmou que, nas famílias, essa promessa inclui o cuidado com os filhos e com os pais idosos. Pediu depois que o santo polaco interceda no Sínodo dos Bispos que está a decorrer no Vaticano e que termina neste fim-de-semana. “Por intercessão de São João Paulo II, oremos para que o Sínodo dos Bispos, que está prestes a terminar, renove em toda a Igreja o sentido do valor inegável do matrimónio indissolúvel e da família saudável, baseada no amor mútuo do homem e da mulher e na graça divina”, apelou, pedindo ainda orações pelos participantes no Sínodo, para que Deus “abençoe o seu trabalho, desenvolvido com fidelidade criativo”.

Nesta quarta-feira, o porta-voz do Vaticano, padre Lombardi, desmentiu rumores sobre o estado de saúde do Papa. “Já fiz um desmentido e, neste lugar, confirmo-o completamente. E faço-o após ter confirmado junto das fontes oportunas, incluindo o Santo Padre. Nenhum médico japonês veio ao Vaticano visitar o Papa, nem houve exames do género descrito pelo artigo. Posso confirmar que o Papa goza de boa saúde e reafirmo que aquilo que foi publicado é um grave ato de irresponsabilidade, absolutamente injustificável e inqualificável”.

 

2. Pela primeira vez na história da Igreja, um casal foi canonizado: Ludovico Martin e Maria Zelia Guérin, pais de Santa Teresinha. Milhares de pessoas assistiram, no passado Domingo, 18 de outubro, na Praça de São Pedro, em Roma, à celebração presidida pelo Papa Francisco. “Os santos esposos Ludovico Martin e Maria Zelia Guérin viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor. Neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, lembrou o Papa, na Missa onde foram também canonizados Vincenzo Grossi, sacerdote diocesano italiano, fundador do Instituto das Filhas do Oratório, e Maria da Imaculada Conceição, religiosa, superiora geral da Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz, sublinhando ainda que Jesus convida a uma mudança de mentalidade: não procurar o poder, mas o serviço. “Quem serve os outros e não goza efetivamente de prestígio, exerce a verdadeira autoridade na Igreja”.

Já na oração do Angelus, o Papa falou da Terra Santa. “Sigo com grande preocupação a situação de forte tensão e violência que aflige a Terra Santa. Neste momento, é preciso muita coragem e força de espírito para dizer não ao ódio e à vingança e para cumprir atos de paz”, declarou Francisco.

 

3. O Papa assinalou, no Vaticano, o cinquentenário do Sínodo dos Bispos, sublinhando a importância da Igreja Católica continuar a recorrer a este meio como forma de ir ao encontro dos desafios e interrogações do mundo. No discurso comemorativo deste sábado, 17 de outubro, Francisco valorizou as iniciativas sinodais diocesanas e regionais, mas quer uma maior descentralização nas conferências episcopais e até uma conversão do papado. “Estou convencido que, numa Igreja sinodal, também o exercício do primado de Pedro poderá receber maior luz. O Papa não está sozinho por cima da Igreja, mas dentro dela como batizado entre os batizados e dentro do colégio episcopal, como bispo entre os bispos, chamado, em simultâneo, como sucessor do apóstolo Pedro, a guiar a Igreja de Roma que preside a todas as Igrejas no amor”, sublinhou. “Reafirmo a necessidade e a urgência de pensar numa conversão do papado”, acrescentou ainda Francisco.

 

4. Foram anunciados, também no sábado, os detalhes da primeira viagem a África (Quénia, o Uganda e a República Centro-Africana) do Papa Francisco, que decorre já no próximo mês, de 25 a 30 de novembro. As datas já tinham sido referidas, mas o impasse no anúncio do programa arrastou-se por causa dos conflitos na RCA, em cuja capital, Bangui, o Papa vai estar a 29 e 30 de novembro. A viagem começa pelo Quénia, onde fica dois dias e meio, com os encontros e celebrações habituais de uma visita pastoral, incluindo uma visita a um bairro pobre de Nairobi e à delegação permanente da ONU naquele país. No Uganda, o destaque vai para a Missa no Santuário dos Mártires – importante local de peregrinação a poucos quilómetros de Kampala, que já recebeu as visitas de Paulo VI e de João Paulo II, para um encontro com jovens. Na capital da República Centro-Africana, Francisco encontra-se com a classe politica e visita um campo de refugiados. O programa inclui uma vigília de oração na catedral, onde deverá confessar alguns jovens, e dois encontros significativos: com a comunidade evangélica, numa universidade protestante, e com a comunidade muçulmana, na mesquita central da capital.

 

5. O Papa visitou, no passado dia 15, os sem-abrigo que são acolhidos no novo dormitório inaugurado pela Esmolaria Apostólica (Santa Sé), em Roma. Francisco quis conhecer pessoalmente a nova estrutura e a sua visita durou cerca de meia hora. O Papa partiu após o final dos trabalhos do Sínodo rumo ao dormitório da ‘Via dei Penitenzieri’, perto das colunatas de Bernini, um espaço colocado à disposição pela Cúria Geral da Companhia de Jesus. “Os 30 hóspedes do dormitório acolheram com alegria o Papa, que os saudou afetuosamente um por um”, refere a nota da Sala de Imprensa da Santa Sé.

O dormitório, que recebeu o nome ‘Dom de Misericórdia’, foi aberto a 7 de outubro, na memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário. Acolhe até 34 pessoas sem-abrigo (homens) a quem é oferecido o jantar e o pequeno-almoço, antes de saírem.

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