Entrevistas |
Relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque: ?Um presente do coração de Jesus para tocar o coração dos homens?
<<
1/
>>
Imagem

A propósito das celebrações dos 50 anos do Monumento a Cristo-Rei, em Almada, viajam pelas dioceses de Portugal as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque. Uma dinamizadora desta missão é Maria Alicia Beuvisage, originária de El Salvador e residente em França, que esteve entre nós alguns dias.

Maria Alicia, estamos a celebrar os 50 anos do monumento de Crito-Rei e veio a Portugal a acompanhar as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque. Como começou esta ligação com Santa Margarida?

Sou originária de El-Salvador, mas vivo em França há cerca de 30 anos. Sempre fui muito ligada ao Sagrado Coração de Jesus e no dia a seguir à morte do papa João Paulo II, no domingo da misericórdia fui a uma venda nas ruas em França e encontrei um relicário pequenino de S. Margarida Maria. Fiquei impressionada. Mas fiquei com dúvidas e procurei saber se era autêntico. Isso fez-me ligar um dia a Paray-le-Monial e pela Irmã Cecille ela perguntou-me. “De onde é?” “De El-Salvador”, respondi. “Sabe que as relíquias de Santa Margarida Maria estiveram na Argentina?” Pensei imediatamente se podia levá-las a El-Salvador. Ela disse-me que teria de falar com o P. Edouard Marot que é o Reitor dos Santuários de Paray-le-Monial. Falei com ele e ele disse-me que poderia se contactasse o Bispo de Salvador e ele fizesse o convite, se conseguisse os apoios financeiros para a visita e teria de haver dois acompanhantes.

 

Pareciam grandes dificuldades…

Imediatamente falei para minha casa, pedi o telefone do Bispo e falei com ele. Um pouco surpreendido ele acedeu à proposta de receber as relíquias. Entretanto fui a Paray-le-Monial para o 16 de Outubro de 2005 para conhecer o P. Marot e ver como eram as relíquias. Estava a passar uma fase muito difícil na minha vida e tinha pensado que ia chorar muito junto de Santa Margarida e confiar tudo ao Coração de Jesus. Acontece que quando me aproximei, em vez de chorar, estendi as mãos e disse: “Bem-vinda à América Latina”. Então conheci o P. Marot e disse-lhe que ele tinha que viajar com as relíquias. No dia seguinte fui ver a superiora do Mosteiro da Visitação para autenticar o relicário. Quando a vi disse-lhe que era a pessoa que ia levar as relíquias ao Mosteiro da Visitação de Salvador. Ela disse-me que não havia Mosteiro da Visitação em Salvador. Imediatamente no meu coração pensei que se deveria fundar um. Perguntei então onde havia um Mosteiro da Visitação. Ela disse-me que em Guatemala havia um e no Uruguai queriam recebê-las. Deu-me então duas páginas com todos os mosteiros da visitação da América Latina. Quando cheguei a casa os primeiros números não funcionavam. Ao chamar o Panamá, funcionava. Quando ouvi tocar angustiei-me: “Alicia, estás louca. Não podes ir de férias a nenhum lado”. Quando atenderam voltou a mim uma grande calma. Contei esta história à superiora e ela começou a dar gritos de felicidade, louvando a Deus e a dizer: “Alicia, que linda missão o Coração de Jesus te confiou de renovar a devoção ao seu Coração.” Respondi-lhe que não era religiosa e sim uma leiga. Ela continuou e pediu-me para ligar à Colômbia. A primeira missão concretizou-se na Colômbia.

 

Mas não parou aí…

No México há dez mosteiros da Visitação. Depois de várias dificuldades falei com a superiora geral que também quis receber as relíquias. Então disse-lhe que o México tinha de consagrar-se ao Sagrado Coração e que as relíquias deveriam ir ao Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe. Senti uma presença muito forte de Deus. Disse-me novamente que era um instrumento para renovar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Aí não disse que não. Pensei: “E se fosse verdade?”. Comecei então a ligar para todos os mosteiros da Visitação da América Latina a perguntar se queriam receber as relíquias de Santa Margarida.

 

Qual foi o resultado de tudo isto?

Quinze países visitados em três anos, consagração nacional ao Sagrado Coração de seis países. O primeiro país a consagrar-se foi o México. Aí entendi que a pessoa que devia fazer a missão comigo era o P. Edouard Marot porque é a autoridade da Igreja. Há uma força nesta missão. Como é que eu, que sou uma leiga, pude influir para que o México se consagrasse ao Sagrado Coração de Jesus? Isto não era uma ideia minha. Senti que era urgente. Demo-nos conta que esta missão não é apenas levar as relíquias, fazer umas fotografias, passar uma estampa. Mas é realmente um presente do Coração de Jesus, para tocar o coração dos homens para que voltemos a Ele, a responder ao seu amor. O Coração de Jesus que foi tão querido até há 100 anos!

 

Não se perguntou sobre o porquê de ser você a dinamizar esta missão?

Outro entendimento que tive desde o princípio, foi porque é que o coração de Jesus escolhia uma latino-americana com as duas culturas. Alguém que tinha de ter o entendimento do que se passa na Europa e também a maneira de funcionar das nossas relações com Deus, uma relação muito próxima, muito sensível. Expressamos completamente o que sentimos. Eu dizia a Jesus: “Tu queres ir aquecer o teu coração à América Latina para vir aqui com força”. 

 

E agora vieram também a Portugal…

Na celebração dos 50 anos do Monumento a Cristo-Rei vivemos também a consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus. E vi um sinal no pedido feito pelo reitor do Santuário para que as relíquias de Santa Margarida viessem a Portugal. Tantos países visitados, milhões de pessoas aproximadas ao Coração de Jesus, milagres, conversões. Vive-se uma experiência extraordinária. Para mim os portugueses expressam a sua maneira de amar a Deus como nós. Todos contam muito com Deus, ainda que não sejamos perfeitos. Nossa Senhora de Fátima tem um sentido muito forte para a Europa. E isto vai ser um exemplo também para o Brasil. Aí temos Santa Margarida a viajar em todas as dioceses de Portugal e a consagração ao Coração de Jesus. Todos os que amamos muito o Coração de Jesus somos como um quebra-cabeças disperso pelo mundo e este é o momento em que o Senhor está a juntar as peças.

 

Há uma sede de um Deus que tenha coração?

Penso que há uma grande falta de amor no mundo. O coração de Jesus diz-nos: “Eu sou a solução do mundo”. O saber-se amado e sentir realizado o amor de Deus por nós, isso muda a vida. Nós damos a Jesus uma mínima parte de amor e Ele dá-nos todo o seu amor.

 

Quando se fala de relíquias isso lembra-nos algo do passado. Porquê falar hoje de relíquias?

Para mim o encontro que se faz com as relíquias de Santa Margarida é encontrar-me com algo que foi a sua pessoa. É como com algum familiar nosso. É uma pessoa que amou muito Jesus. O que falta neste mundo é um coração simples. Sejamos simples.

 

 

 

Percurso das relíquias nas dioceses portuguesas

20,21 e 22 de Maio – Diocese de Leiria-Fátima (incluindo a visita ao Mosteiro da Visitação)

23 e 24 de Maio – Diocese de Portalegre/Castelo Branco (a confirmar pelo novo Bispo)

25 e 26 de Maio – Diocese de Évora

27 e 28 de Maio – Diocese do Algarve

29,30 e 31 de Maio – Diocese de Beja (incluindo a visita ao Carmelo do Coração de Jesus)

2 e 3 de Junho – Diocese da Guarda

4 e 5 de Junho – Diocese de Lamego

6 e 7 de Junho – Diocese de Bragança

8 e 9 de Junho – Diocese de Vila Real

10 e 11 de Junho – Diocese de Aveiro

12 a 16 de Junho – Diocese de Braga (incluindo a visita aos Mosteiros da Visitação)

17 e 18 de Junho – Diocese de Coimbra

19,20 e 21 de Junho – Diocese de Viana do Castelo

22 e 23 de Junho – Diocese de Viseu

24 e 25 de Junho – Diocese de Santarém

Padre Vítor Gonçalves
A OPINIÃO DE
Padre Fernando Sampaio
Nenhum pecador pode permanecer na presença de Deus. O Profeta Isaías, depois da visão de Deus, sentiu-se...
ver [+]

Maria José Vilaça
Vivemos estes últimos meses marcados por várias notícias que merecem alguma reflexão. Desde as eleições...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES