Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Da responsabilidade de todos

Nas visitas pastorais não deixo nunca de visitar os diferentes “lares para a 3ª idade”, sejam eles propriedade dos Centros Sociais Paroquiais ou de outra qualquer instituição – e mesmo de proprietários individuais.

Estas instituições não são nunca a solução ideal. Creio que é claro para todos que o lugar óbvio dos idosos é a família, junto daqueles a quem, ao longo da sua vida, ofereceram alimento e carinho. Agora é o tempo de verem retribuídos os dons que ao longo da sua existência souberam oferecer, não apenas aos seus como também a toda sociedade.

Muitas vezes, no entanto, as condições reais da vida não são capazes de deixar à família a possibilidade de assistir aos seus membros mais idosos. E outras tantas são as situações em que, com toda a clareza, o Lar é a situação mais indicada.

Mas, habitualmente, são pessoas tristes aquelas que encontro: tristes pelas limitações que o corpo agora lhes impõe; tristes pela solidão a que, infelizmente e não raras vezes, foram abandonados pelos seus familiares; tristes por se encontrarem longe da sua casa, do seu “cantinho”. Tristes, sobretudo, por se sentirem inúteis.

Contudo, outras tantas vezes encontro também rostos de pessoas marcadas, é certo, pelo trabalho de tempos passados, pelo sofrimento, pelo cansaço e pela doença, mas que não perderam a serenidade e a fé – e, com elas, a alegria e a vontade de viver. Algumas vezes encontro mesmo o agradecimento de quem se vê rodeado pelo carinho de tantos e por ser objecto de atenção que nunca encontraram nem esperaram para o final da vida.

Mas, quase sempre, não deixo de sentir gratidão pelos funcionários que ali se encontram, num trabalho duro mas essencial para o modo como os utentes são cuidados e, com ele, para o próprio modo como, mesmo sem constituir a situação ideal, todos cuidamos dos nossos mais idosos.

É que todos, de um modo ou de outro, somos responsáveis pela forma como cuidamos daqueles que, antes de nós, lutaram e construíram o mundo em que vivemos. Disso depende também a nossa humanidade.

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