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Papa apela ao convívio familiar
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“Jantar agarrado ao telemóvel não é uma família, é uma pensão”, manifestou o Papa Francisco. Na semana em que visitou Florença, o Papa voltou a falar da missão do Bispo. Foi ainda anunciada a vontade de Francisco ir a Auschwitz rezar e foi assegurado que a reforma, em curso, do Vaticano vai continuar.

 

1. O Papa lamenta a fraca convivência a que muitas vezes se assiste nas famílias. “A convivência é um termómetro seguro para medir a saúde das relações: se na família alguma coisa não está bem, ou há uma ferida escondida, à mesa, percebe-se logo. Uma família que quase nunca come em conjunto ou que, à mesa, não fala mas vê a televisão ou olha para o smartphone, é uma família ‘pouco família’. Quando os filhos, à mesa, estão agarrados ao computador, ao telemóvel e não se ouvem uns aos outros, isto não é família, é uma pensão”, observou, na audiência-geral desta quarta-feira, 11 de novembro.

Ainda a propósito da imagem de uma família reunida à mesa, o Papa Francisco lembrou a desigualdade a nível global sobre o acesso aos alimentos. “Nos países ricos somos induzidos a gastar dinheiro para comer excessivamente e, depois, somo-lo de novo para remediar o excesso. Este negócio insensato desvia a nossa atenção da verdadeira fome do corpo e da alma. Quando não há convivência, há egoísmo, cada um só pensa em si, ajudado pela publicidade que a reduziu a uma linguagem de lanches e guloseimas, enquanto tantos, demasiados irmãos e irmãs, ficam fora da mesa. Isto é uma vergonha!”, concluiu.

 

2. O Papa referiu, em Florença, que a reforma da Igreja é mais do que mudar “estruturas” e implica a mudança de uma atitude “defensiva”, centrada no passado. “Diante dos males ou dos problemas da Igreja é inútil procurar soluções em conservadorismos ou fundamentalismos, na restauração de comportamentos e formas ultrapassadas que nem sequer culturalmente têm capacidade de ser significativas”, alertou, na passada terça-feira, 10 de novembro, num longo discurso proferido perante os 2500 participantes no 5º Congresso Nacional da Igreja Católica na Itália.

Na Catedral de Florença, Francisco sustentou que a missão dos católicos é “trabalhar para fazer deste mundo um lugar melhor”, inspirados numa “fé revolucionária”. O Papa manifestou o seu apoio a uma Igreja “inquieta”, que consiga estar mais perto dos abandonados e de quem falha. “Sonhai também vós com esta Igreja, acreditai nela, inovai com liberdade”, pediu.

Durante a tarde, na Missa celebrada no estádio Artemio Franchi, em Florença, que se apresentava completamente cheio, o Papa afirmou que, tal como Jesus, a Igreja deve viver no meio do mundo e aí levar a sua fé. “Conservar e anunciar a fé em Jesus Cristo é o coração da nossa identidade cristã”, salientou.

 

3. O Papa voltou a afirmar que o episcopado é um serviço e não uma honraria. Na ordenação episcopal de D. Angelo De Donatis, novo Bispo Auxiliar de Roma, que decorreu no dia Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão, a 9 de novembro, o Papa Francisco lembrou que “o Bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas”. “Anuncia a Palavra em cada ocasião oportuna e, às vezes, não oportuna; admoesta, censura, mas sempre com doçura; exorta com magnanimidade e doutrina”, sublinhou. “As tuas palavras sejam simples, que todos entendam, que não sejam longas homilias. Permito-me dizer-te: recorda-te do teu pai, de como ficou feliz por ter encontrado uma outra paróquia onde se celebrava a Missa sem homilia! Que as homilias sejam a transmissão da graça de Deus: simples, que todos entendam e todos tenham a vontade de se tornarem melhores”, desejou o Papa, fazendo um pedido concreto: “Peço-te, como irmão, sede misericordioso. A Igreja e o mundo têm necessidade de tanta misericórdia. Tu ensinas aos presbíteros, aos seminaristas o caminho da misericórdia. Com palavras, sim, mas sobretudo com a tua atitude”.

 

4. O Papa Francisco manifestou o desejo de visitar o antigo campo de concentração nazi de Auschwitz, durante a sua visita à Polônia, em julho, para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Cracóvia. A informação foi revelada esta segunda-feira, dia 9, pelo presidente polaco, Andrzej Duda, após uma audiência com o Papa. Segundo Duda, o Santo Padre quer visitar a cidade de Czestochowa e “poder rezar” em Auschwitz, que se tornou um monumento em memória das vítimas do holocausto.

 

5. O Papa reagiu, no passado Domingo, 8 de novembro, às recentes polémicas sobre as atividades financeiras da Santa Sé, após a publicação de dois livros com documentos confidenciais do Vaticano, e garantiu que a “reforma” em curso vai continuar. “Quero assegurar-vos que este triste facto não me desvia, certamente, do trabalho de reforma que estamos a levar por diante, com os meus colaboradores e com o apoio de todos vós”, referiu, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, na recitação do Angelus. Numa intervenção acolhida com muitos aplausos, Francisco começou por reconhecer que muitas pessoas ficaram “perturbadas” com as notícias que circulam nos últimos dias “a propósito de documentos confidenciais da Santa Sé, que foram subtraídos e publicados”. “Por isso, gostaria de dizer-vos, antes de mais, que roubar estes documentos é um crime, um ato deplorável que não ajuda”, lamentou.

Na segunda-feira anterior, dia 2 de novembro, o Vaticano tinha anunciado a detenção de monsenhor Lucio Angel Vallejo Balda e de Francesca Chaouqui, respectivamente secretário e membro da Comissão relativa ao estudo e orientação sobre a organização das estruturas económico-administrativas da Santa Sé (COSEA), instituída pelo Papa em julho de 2013 e posteriormente dissolvida, após cumprir o seu mandato. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, confirmou depois que os dados revelados nos livros ‘Via Crucis’, de Gianluigi Nuzzi, e ‘Avarizia’, de Emiliano Fittipaldi, publicados em Itália, têm a sua origem na COSEA.

O Papa explicou que foi ele próprio a “pedir que se fizesse este estudo” sobre a situação financeira e patrimonial das instituições da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano. “Eu e os meus colaboradores conhecíamos bem estes documentos e foram tomadas medidas, que começaram a dar frutos, alguns dos quais visíveis”, assinalou ainda Francisco. “Agradeço-vos e peço-vos que continuem a rezar pelo Papa e pela Igreja, sem deixar-vos perturbar, mas seguindo em frente com confiança e esperança”, concluiu.

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