Missão |
Filipa Marques Macedo
Estar, olhar, admirar e ouvir os sinais de Deus!
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Filipa Marques Macedo nasceu a 12 de Junho de 1990. Foi aprovada no curso propedêutico de Língua Gestual Portuguesa pela Associação de Surdos de Portugal em parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal, licenciada em Geografia pela Universidade de Lisboa e com uma pós graduação em Estudos de Desenvolvimento pelo ISCTE. Esteve em missão em Angola com os Leigos para o Desenvolvimento.

 

As portas que se fecham, abrem sempre janelas!

Logo ao nascer teve alguns problemas de saúde e teve de se confiar aos médicos. Cresceu por isso, “sempre muito protegida e, ao mesmo tempo, sempre com imensos obstáculos, não tivessem surgido logo à nascença”, diz-nos. Na sua família o contacto com a Igreja era raro mas, ainda assim foi batizada e a sua bisavó foi-lhe sempre introduzindo a fé em especial a devoção Mariana. Aos seis anos entrou nos escuteiros e considera esse “o grande momento”. Aos 18 anos entrou na faculdade em Lisboa e teve de se mudar de Setúbal, onde vivia, devido aos horários das aulas e treinos. “Tive a minha primeira grande experiência de comunidade ao viver na residência universitária Filipe Folque. Um mundo. Uma experiência muito enriquecedora de apoio e entreajuda”, conta-nos. A sua relação com Deus sempre foi um caminho de obstáculos: “Sei que sou, claramente, uma privilegiada pois de todas as portas que se fecharam, Deus mostrou-me várias janelas, mas nem sempre O tive presente nas orações nem no dia-a-dia. Andei aos altos e baixos e aos 19 anos fechou-se uma grande porta, que eu adorava: o desporto. Fui vários anos federada, jogando em alguns clubes e praticando imensos desportos - era o meu dia-a-dia. Esta porta do desporto fechou, mas, isso permitiu que no ano seguinte, 2010, se abrisse novamente a porta do voluntariado. Desta vez de uma forma mais efetiva, permanente e sobretudo missionário.”

 

Uma busca que trouxe novos caminhos

Conheceu então o GAS’Tagus, grupo onde entrou e que, apesar de ser uma ONG não católica a ajudou a regressar à paróquia e à missa. Nesse ano também participou na associação nacional de futebol de rua, no projeto “Bola P’ra Frente”, no Bairro Padre Cruz. Em 2011 após a formação, partiu para a Ilha de Santiago (Cabo Verde) “Esta experiência e a minha inquietude natural, levaram-me à constante procura de algo que me complete e que me faça pensar em mais que em mim própria. Essa busca trouxe-me muitos outros caminhos. No meu pequeno percurso até então, já tinha descoberto que podia encontrar algum sentido em ajudar ou encaminhar outras pessoas na sua própria busca interior. De facto, tive de me encontrar para conseguir depois passar a ser a facilitadora desse mesmo encontro. E foi isso que fiz. Fui facilitadora mais dois anos e parti novamente em missão para Santiago e, em 2013, para a ilha do Fogo. Fiz inúmeras coisas, desde formações com jovens a feiras da saúde ou colónias de férias. Tentei estar inteira ao serviço e ao dispor de cada pessoa”, partilha.

 

“Ouvir o Pai e confiar!”

Depois do regresso, decidiu não parar e foi então que fez a sua pós graduação. Fez também a formação dos Leigos para o Desenvolvimento, decidiu “ouvir o Pai e confiar” e começou a preparação para o Crisma, sacramento que veio a receber depois. “Nos Leigos o caminho foi estreitando e… confiei somente! Depois, a equipa dos Leigos para o Desenvolvimento fez o mesmo. Confiou que estava apta para partir e lá parti eu novamente em missão. Numa missão diferente das que estava habituada, numa missão longa e de entrega permanente. Parti cheia de receios pois, para variar, estava a ser posta à prova. Referi durante o processo de seleção que Angola não seria um país que me deixava confortável, que a “minha praia” era jovens ou crianças e que não queria trabalho com mulheres, de todo. Pois bem, já estão a ver onde fui parar? Em Setembro de 2014 fui para Benguela, Angola. Num projeto de Mulheres: Epongoloko Lyukãy (mudança da mulher). Inicialmente foi duríssimo, mas depois Deus lá me abriu as janelas e tornei a confiar. Dei o meu melhor e as heroínas de Angola fizeram o resto. Acho que a mulher que mais mudou fui eu. O mesmo aconteceu com a pastoral: decidi abraçar, em conjunto com uma grande equipa de trabalho local, o projeto da Pastoral Universitária de Benguela. Entre muitas atividades realizadas, criou-se um grupo de voluntariado universitário (GUV), que são assim o meu pequeno orgulho e foram uma grande ajuda para encontrar ânimo para prosseguir”, conta-nos. Regressou a Portugal em Outubro de 2015 e neste momento, apesar de se encontrar desempregada, ainda não parou: “Ora a estudar para empregos públicos ora a estar simplesmente. Algo muito importante: estejam simplesmente, admirem, olhem e ouçam os sinais de Deus”. Por agora sente que “a missão é voltar ao início e vou encontrar-me para poder voltar a facilitar o encontro dos outros. Pretendo, então, dar-me o mais que consiga a cada pessoa que passe no meu caminho, pegando na minha experiência em prol dos outros e em cativar as pessoas, como sei que consigo. Afinal de contas já Exupéry dizia “...Somos responsáveis por aquilo que cativamos!”. Vou lançar-me e esperar um novo projeto, pois tenho a certeza que e ele me acolherá de braços abertos tal como eu, certamente, o abraçarei.”

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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