Juventude |
Taizé - Peregrinação de confiança, em Valência
A ousadia da misericórdia
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Do Encontro Europeu de Jovens, organizado pela Comunidade de Taizé, que se realizou em Valência, Espanha, o Serviço da Juventude publica um testemunho de uma jovem de Lisboa, Sara Gomes, que se voluntariou para ajudar a preparar o encontro que, entre 28 de dezembro de 2015 e 1 de janeiro de 2016, reuniu mais de 15 mil jovens, oriundos de toda a Europa.

 

Partimos no dia 25 de Dezembro de 2015, dia de Natal, pelas 23h, com destino a Valência para o Encontro Europeu de Jovens da Comunidade de Taizé. Alguns voluntários eram “veteranos” em encontros europeus, outros nunca estiveram em Taizé, e outros que, tal como eu, iam pela segunda vez e era grande a vontade de repetir a experiência de ser voluntário e viver o fim de ano em serviço e oração numa terra estranha.

O lema da comunidade de Taizé assenta em três realidades fundamentais do Evangelho: Alegria, Simplicidade e Misericórdia. São três palavras que devem nos acompanhar na nossa vida, porque nos permitem avançar e crescer, principalmente em tempos difíceis. Este encontro é marcado pelo espírito do ano da Misericórdia lançado pelo Papa Francisco e apresenta-nos cinco propostas para testemunharmos a compaixão de Deus. Estas propostas foram meditadas em grupos multiculturais, em oração nas paróquias e individualmente, e todas elas nos levaram a despertar em nós a coragem da misericórdia!

A primeira proposta foi “Confiarmo-nos a Deus, que é misericórdia” e fez-nos pensar que o amor de Deus não é um instante mas eterno e que Ele nunca fecha o Seu coração, por isso não devemos ter medo de voltar para Ele e de confiarmos n’Ele mesmo que tropecemos nos nossos pecados.

A segunda proposta, “Perdoar sempre de novo”, levou-nos para dois cenários constantes e necessários na nossa vida – perdoar o outro até setenta vezes sete e perdoarmo-nos a nós mesmos. Temos de entender que o perdão de Deus não falha, que Jesus Cristo carregou a cruz e perdoou sem condenar ninguém, e que a Igreja escuta, cura e reconcilia. E é por isso nós devemos ser uma comunidade de misericórdia e discernir sobre as nossas faltas, porque só assim reparamos os danos no mundo e renovamos a fé nos nossos corações.

A terceira proposta recordou a história do Bom Samaritano e convida a “Aproximarmo-nos de uma situação de aflição, sozinhos ou com outros”, porque a misericórdia abre o nosso coração à miséria dos outros e a qualquer sofrimento. Em partilha com peregrinos polacos e alemães sentimos que são comuns as nossas preocupações com os refugiados da guerra, as crianças com fome, as pessoas sem-abrigo, os desempregados, os reclusos, os idosos e doentes abandonados, e que também é comum a nossa sensação de impotência. Mas nesta proposta há também uma mensagem que me marcou muito, que me mostra que é uma “ousadia” aproximar-me de situações de sofrimento, porque a misericórdia não é sentimental, não é a “caridadezinha” frequentemente utilizada, é de uma exigência sem limites que transforma, que vem de dentro e nunca diz “isso é suficiente, já fiz o meu dever”.

A quarta proposta convida a “Alargar a misericórdia às suas dimensões sociais”, porque “o Senhor requer de ti: nada mais do que praticares a justiça, amares a lealdade e andares humildemente diante do teu Deus” (Miq 6,8). Devemos tomar consciência que estas situações de crise social e económica na europa e o afluxo de refugiados e migrantes criam muitas dificuldades mas também criam oportunidades. Devemos ultrapassar o medo das diferenças raciais e culturais e aproveitarmos para sermos mais solidários e criarmos unidade, porque somos todos filhos da mesma família humana.

A quinta proposta vem de encontro com a última encíclica "Laudato si'" do Papa Francisco – “Misericórdia por toda a criação” e convida a expressarmos a nossa solidariedade para com toda a criação, que sejamos simples e humildes, porque a terra pertence a Deus e nós humanos a recebemos como um dom e é uma responsabilidade cuidar e admitir os seus limites. Não pode haver lugar para a indiferença!

Ao longo de 3 dias fomos convidados a partilhar e a rezar estas propostas, acompanhadas com workshops sobre vários temas de Fé e Espiritualidade, Solidariedade/Sociedade, Arte e Cultura. O último dia do ano foi marcado por dois momentos – o encontro de portugueses com o irmão David, monge da comunidade Ecuménica de Taizé; e a Vigília de oração pela Paz na passagem de ano, em cada paróquia, vivendo assim a meia-noite de uma forma diferente e especial, cantando louvores a Deus em várias línguas e guardando no coração a Palavra de Jesus: “Não vos inquieteis quanto à vossa vida com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir (…) Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos dará por acréscimo.” (Mateus 6,25-34).

A vigília foi seguida por uma “Festa das Nações” onde há convívio nas paróquias com os seus peregrinos de vários países e as famílias de acolhimento, há comida e música, alegria e partilha de tradições, ensinam-se jogos e danças e todos aprendemos.

Os encontros Taizé são o que queremos que seja, e receberemos da maneira que dermos, pode ser uma oportunidade de turismo barato ou uma oportunidade para ver Deus noutras culturas e levar o seu amor a outras pessoas. Aconselho os jovens a participarem pelo menos uma vez nestes encontros europeus no final do ano e/ou a viverem uma semana na comunidade em Taizé. Poderão ficar bastante surpreendidos com aquilo que podem aprender e irão valorizar muito mais as pequenas coisas da vossa vida e verão como Jesus Cristo une tantas pessoas diferentes de nós.

O próximo encontro europeu será em Riga, na Letónia, com neve e frio na rua mas com muito calor humano nas casas dos cristãos que esperam pelos peregrinos!

 

Sara Gomes, Paróquia de Massamá

Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa
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