Missão |
Bruno Monteiro
Ser fiel é encontrar-se sucessivamente!
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Bruno Monteiro nasceu a 18 de Agosto de 1989. Frequentou o curso de Enfermagem mas, após um percurso de reflexão, percebeu que esta não era a área que o realizava e ingressou no curso de Engenharia e Gestão Industrial na Universidade de Aveiro, onde se licenciou. Esteve durante um ano em São Tomé e Príncipe com os Leigos para o Desenvolvimento.

 

Um novo gosto e atenção pela Eucaristia

Aos 8 anos viu partir o seu pai e passou a ter um cuidado muito paternalista com os seus irmãos com 3 anos na altura. “Nasce daqui a minha relação com o Pai, num tempo considerava o pai da terra e do Céu, e rezava coisas para a olhar o céu”, diz-nos. Aos 16 anos vê partir uma grande amiga e dá-se um corte na relação com Deus, vive um período de dificuldades em definir o seu percurso académico ao terminar o 12º ano. Teve um percurso catequético “normal” até ao 8º ano e entre o 9º e 10º ano fez parte do Grupo de Jovens de Canelas, onde sentiu emergir “um novo gosto e atenção pela Eucaristia”. “Isto viria a tornar-se irrelevante com a morte da minha amiga, as minhas dúvidas de fé romperam com a relação com Deus e Igreja, sob um olhar de rancor e ódio. Hoje olho para trás e compreendo que vivi essa morte de coração endurecido e amargurado, durante todo o período de enfermagem (o que se refletiu numa vida boémia e sem perspetivas futuras) ”, partilha.

 

“Missão: a janela de Deus na minha vida!”

Em Dezembro de 2011 foi convidado a ir ao Grão, um projeto do Centro de Reflexão e Encontro Universitário - Inácio de Loyola (CREU-IL) de voluntariado de curta duração. “Este tipo de vivência era um sonho antigo, e decidi comparecer. A proposta base era simples: Com ou sem crença, entrar de coração aberto, e no final ser fiel a mim mesmo, oferecendo-o a ir em missão caso me identificasse com Cristo e a Igreja. Movido pela abertura de espírito da equipa de formadores, pelo modo de trabalho do projeto (angariação de fundos para suporte de todos os gastos da missão), e pelo conhecimento e bem dos padres jesuítas que conhecia, abracei o projeto. As lacunas teológicas que suportavam as minhas mágoas foram-se dissipando e, caminhando em confiança, descobri que este projeto era a janela de Deus na minha vida. E que janela! Passei quatro anos a rogar-lhe pragas e ele conduz-me a um caminho missionário?! Num caminho de conversão, parti para o Cubal (Angola), em Julho de 2012, com mais quatro formandos, para durante dois meses apoiar a comunidade de irmãs Teresianas que lá residem. Encontrei a Beleza do Amor quando entregue e livre: as pessoas que me davam tudo o que tinham (alegria, sorrisos, abraços), o trabalho incansável das Irmãs, o perdão do Pai, o perdão próprio, o perdão entre os elementos da comunidade, o tempo de oração”, conta-nos. No regresso, encontrou as dificuldades naturais de quem regressa de missão, como partilha: “desejo inicial de escuta das histórias, que se transforma rapidamente em alguma indiferença e impaciência, perguntas vagas, assincronia com os interesses e critérios de muitos. Do efusivo da experiência no Cubal, seguia-se um tempo de fidelidade à oração e de dar tempo ao tempo. Com Exercícios Espirituais à mistura, conferências, livros “beatos”, e essencialmente oração, fui encontrando o meu lugar na minha realidade, e reparando que as pessoas ao meu redor eram mais movidas pelo exemplo silencioso do que pelo timbre de voz que colocava nas histórias quando as queria “converter” à força.” Em 2013 decidiu levar a Missão País para a Universidade de Aveiro por se sentir “comprometido com a realidade” que o envolvia.

 

Missão: tempo de fidelidade à oração, vida comunitária e missão!

No último ano da sua licenciatura (2013/2014) integrou a formação dos Leigos para o Desenvolvimento e após o período de formação partiu, em Setembro de 2014, para S. Tomé e Príncipe por um ano. Na missão teve a experiência de “um tempo de fidelidade à oração, vida comunitária e missão”. “Foi um tempo de poucas consolações e duro para um rapaz emotivo, que se sentia tantas vezes incapaz de ser aquilo que procurava: um companheiro de Jesus na Boa Morte (nome da terra onde trabalhava). Muitas vezes questionei-me, chorei os pecados e fragilidades. Ser fiel é encontrar-se sucessivamente, dar de caras e procurar aceitar as fragilidades. Descobrir e cair nas minhas foi uma dor grande. No final do período, o sentido de missão cumprida traduziu-se num tempo de paz, que me guiou nos primeiros períodos de volta a Portugal (Outubro de 2015). “Hoje sei que o meu Senhor aceita-me como sou, e envia-me como sou; este que cai, que não é o maior, nem o melhor. Ama-me e guia-me para o que sonha ser o melhor de mim”, partilha. Sobre o trabalho com a ONGD Leigos para o Desenvolvimento conta-nos que esta “predispõe uma vida missionária, em regime de voluntariado, em comunidade, ao serviço da Igreja local, em projetos de desenvolvimento comunitário. Porque acreditamos no desenvolvimento integral e integrado da pessoa humana, trabalhamos em várias áreas, em comunidades específicas, sempre com sentido de serviço e procurando ter um olhar de Amor sob o próximo. Foi a minha primeira experiência de trabalho profissional, e creio que tive a sorte de ter uma boa “escola”, pois é um desafio da ONGD integrar pessoas com percursos académicos diferentes em projetos sociais, que pelas obrigações externas e interesses próprios de resposta efetiva e eficaz (sob ponto de vista da área do desenvolvimento), obriga a um longo ensino e acompanhamento dos voluntários. Trabalhei com 4 Associações de Base Local, de âmbitos de trabalho distintos: cultural, desportivo, musical, juvenil; e moderava um Grupo Comunitário: grupo que reunia os representantes de entidades e grupos de interesse da comunidade para refletir e trabalhar interesses da zona. Desafios inerentes aos muitos atores envolvidos, diversidade dos grupos de trabalho, novidade do trabalho, articulação de vários interesses e tempos… tudo isto num local novo, trabalhou a minha capacidade de persistência, resiliência e gestão de processos e pessoas”.

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