Roma |
Roma
“Abrir o coração à infinita misericórdia de Deus”
<<
1/
>>
Imagem
O Papa Francisco deixou pistas para resolver os conflitos nas famílias. Na semana em que terminou o Ano Vida Consagrada, o Papa falou de privilégios e enviou uma mensagem-vídeo ao Congresso Eucarístico Internacional, nas Filipinas.

 

1. Na catequese sobre a misericórdia, na audiência-geral de quarta-feira, o Papa Francisco respondeu à questão ‘Deus de misericórdia infinita e Deus de justiça perfeita – como se conciliam estas duas coisas?’, sublinhando que “não há uma contradição, pois é a misericórdia que leva ao cumprimento da verdadeira justiça”. “De facto, existe um tipo de justiça, a retributiva, que manda dar a cada um o que lhe é devido, que leva a condenar quem comete um delito. Contudo, não é uma justiça perfeita, pois não vence realmente o mal, apenas contém o seu avanço. Na Bíblia aprendemos outro modo de fazer justiça. Não através da punição, mas do perdão que apela à consciência, para conduzir à conversão. O ofendido ama o culpado e quer salvá-lo. Este é um caminho difícil mas possível, por exemplo, como modo de resolução de conflitos na família: é este o modo de resolver os conflitos nas famílias, nas relações no casal ou entre pais e filhos onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o liga ao outro. Certo, este é um caminho difícil. Exige que quem sofreu uma ofensa esteja pronto a perdoar e deseje a salvação e o bem de quem o ofendeu. Mas só assim a justiça pode triunfar, porque, se o culpado reconhece o mal feito e deixa de o fazer, eis que o mal já não existe e aquele que era injusto torna-se justo, porque perdoado e ajudado a reencontrar o caminho do bem”, observou o Papa, na Praça de São Pedro, no passado dia 3 de fevereiro. “É assim que Deus age connosco, com o seu coração de Pai: a sua justiça é o seu perdão”, completou o Papa Francisco, dirigindo ainda uma palavra aos sacerdotes que acolhem os fiéis em confissão, recomendando-lhes que o devem fazer “com um coração de Pai”.

No final da audiência, houve uma exibição de acrobacias e malabarismos dos artistas do ‘American Circus’ com o Santo Padre a agradecer-lhes o exemplo de persistência no treino quotidiano. “Isto não se improvisa. Por detrás deste espetáculo de beleza, existem horas e horas de treino que são maçadoras. O treino é maçador! O apóstolo Paulo diz-nos que, para alcançar a meta, é preciso treinar, treinar e treinar para vencer. Isto é um exemplo para todos nós, porque a sedução da vida fácil, ou de um final feliz sem esforço, é uma tentação. A vida sem um esforço contínuo, é uma vida medíocre. Agradeço-vos muito pelo vosso exemplo!”, afirmou.

Entretanto, ainda na quarta-feira, foi divulgada uma vídeo-entrevista de Francisco à agência mexicana ‘Notimex’, a propósito da viagem do Papa ao México (http://papafranciscoenmexico.org), que decorre de 12 a 18 de fevereiro, onde falou de renovação espiritual, luta contra a corrupção e a violência, compromisso com o diálogo e a paz. Francisco garantiu aos mexicanos: “Vou como instrumento de paz, para vos servir”.

 

2. O Papa Francisco presidiu à Eucaristia de encerramento do Ano da Vida Consagrada, na Basílica de São Pedro, afirmando que “os consagrados e as consagradas são chamados a serem sinal concreto e profético da proximidade de Deus”. “Todas as formas de vida consagrada, cada uma segundo as suas características, são chamadas a estarem em estado permanente de missão, compartilhando as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, dos pobres, sobretudo, e de todos os que sofrem”, pediu o Papa, no passado dia 2 de fevereiro.

Após ter precavido os religiosos para o perigo da rotina na vida espiritual, Francisco chamou a atenção também para o risco da cristalização dos carismas numa doutrina abstrata. Referindo-se aos fundadores das Ordens, Congregações religiosas e Institutos de Vida Consagrada, o Papa lembrou o Espírito dos fundadores: “Os nossos fundadores foram movidos pelo Espírito e não tiveram medo de sujar as mãos com a vida quotidiana, com os problemas das pessoas, percorrendo com coragem as periferias geográficas e existenciais. Não se detiveram diante dos obstáculos e das incompreensões dos outros, porque mantiveram no coração a admiração pelo encontro com Cristo. Não domesticaram a graça do Evangelho; tiveram sempre no coração uma inquietação saudável pelo Senhor, um desejo ardente de levá-lo aos outros, como fizeram Maria e José no Templo. Também nós somos chamados hoje a realizar escolhas proféticas e corajosas”.

Na véspera, na segunda-feira, o Papa Francisco recebeu, no Vaticano, cerca de cinco mil consagrados, pôs de parte o discurso que tinha preparado e falou de improviso, durante um encontro que durou cerca de uma hora, para sublinhar que a “a vida consagrada deve levar à proximidade com as pessoas: proximidade física e espiritual”.

O Ano da Vida Consagrada começou a 29 de novembro de 2014, por iniciativa do Papa Francisco, e terminou na terça-feira, 2 de fevereiro.

 

3. O Papa considera que o ministério profético de Jesus é anunciar sem ser excluído e sem privilégios. “Anunciar que nenhuma condição humana pode constituir motivo de exclusão do coração do Pai, e que o único privilégio aos olhos de Deus é aquele de não ter privilégios, de estar abandonado nas suas mãos”, recordou Francisco, no Angelus do passado Domingo, 31 de janeiro. Segundo o Papa, é sempre Jesus que “faz o primeiro passo para vir ao nosso encontro, visitando-nos com a sua misericórdia, para nos levantar do nosso orgulho e nos convida a acolher a consoladora verdade do Evangelho e a caminhar nos caminhos do bem”.

 

4. O Papa Francisco enviou uma vídeo-mensagem aos participantes do 51° Congresso Eucarístico Internacional, que se realiza em Cebu, nas Filipinas, com o tema ‘Cristo em vós, a nossa esperança de glória’, e mostrou-se “contente que este Congresso tenha reunido tantas pessoas do vasto continente asiático e de todo o mundo”. “Há apenas um ano visitei as Filipinas logo após o tufão Yolanda. Pude constatar pessoalmente a profunda fé e resiliência de seu povo. Sob a proteção do Santo Niño, o povo filipino recebeu o Evangelho de Jesus Cristo há quinhentos anos. Desde então, os filipinos deram ao mundo um exemplo de fidelidade e de profunda devoção ao Senhor e à sua Igreja. Foram também um povo de missionários, que difundiu a luz do Evangelho na Ásia e até os extremos confins da terra”, lembrou o Papa, anunciando que o próximo Congresso Eucarístico Internacional terá lugar em 2020 em Budapeste, na Hungria.

A OPINIÃO DE
Isilda Pegado
1. Se há característica que identifica o Cristianismo e os Cristãos, desde há 2000 anos, é o seu interesse pela vida Pública.
ver [+]

Tony Neves
O Papa Francisco, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, apresenta os três caminhos que conduzem à...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES