Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Que humanidade?

Há já vários anos que alguns filmes de ficção científica mostravam o pesadelo que constituía para um grupo de seres humanos “normais” um conjunto de robots, de aspecto humano perfeito, respeitando exteriormente todos os cânones da estética, mas que, no fundo, não passavam de máquinas, fruto do engenho dos seus criadores.

Há dias foi anunciado que a “Human Fertilisation and Embryology Authority” (Autoridade inglesa para a Fertilização Humana e Embriologia) tinha concedido a autorização para um conjunto de experiências poderem realizar a modificação genética de embriões humanos. O objectivo, segundo os que pediram esta autorização, é desactivar alguns genes dos embriões para ver o que sucede e esclarecer quais são os genes essenciais para desenvolver crianças saudáveis. Esta decisão segue, aliás, um outro conjunto de experiências realizadas o ano passado na China.

No fundo, este é o primeiro passo para conseguir a “produção” de seres humanos teoricamente saudáveis e, ao mesmo tempo, evitar (matar) aqueles outros que não se encontram de acordo com as normas da perfeição física. Estamos, no fundo, a um pequeno passo de permitir que os pais escolham a cor da pele, dos cabelos, dos olhos dos seus filhos, bem como a altura, o sexo, os dotes intelectuais. O mesmo é dizer: estamos a permitir que se construam autênticos robots humanos — objectos para o deleite dos pais, ou melhor dizendo: dos adultos.

Um dos problemas do nosso mundo é já o facto de tratar tantas vezes o ser humano como objecto, sem reconhecer a sua dignidade. São pessoas reduzidas ao estatuto de coisas ou de animais, que não vêem reconhecidos os seus direitos e que são usados como escravos para os caprichos dos mais fortes, dos mais poderosos. Mas essa realidade tem sido sempre condenada por todos — e bem.

Agora, no entanto, estamos perante a autorização de um governo europeu para a realização de experiências em vida humana, que, mais tarde ou mais cedo, chegarão aos fins industriais e comerciais. A soberba do saber humano sempre conduziu à destruição. Mas parece que continuamos sem aprender a lição. Que humanidade queremos ser?

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