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De pais a avós
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É enorme a alegria quando um casal recebe a graça de uma vida nascente, fruto do seu amor e total entrega e são mil projetos que se vão construindo durante o tempo de gestação.

Estes nove meses constituem, por si só, um tempo de adaptação a um novo ritmo de vida, com atenções mais repartidas. O casal deixa de viver de um para o outro para viverem, os dois, para o bebé que esperam. E são nove meses de apreensões, sonhos, de deslumbramento com as primeiras imagens do novo ser, ainda no útero materno. Mas, por mais que os pais se preparem, no momento do nascimento do seu bebé, veem-se confrontados com um novo ser que, ele, sim, irá impor um ritmo seu, muito próprio. Um bebé vem, pelo dom de Deus, para os pais que o desejam e o esperam, mas também para todos aqueles que, através de laços de sangue ou amizade, acorrem ao primeiro encontro com aquele ou aquela que já se fazia sentir mas que ainda não se dera a conhecer.

Ser pai e ser mãe é uma graça de Deus. Assim se entra num novo mundo cheio de aventuras, sustos, preocupações, mas sempre com mil recompensas.

Num lar ideal, as crianças vão, gradualmente, tornando-se autónomas, num mar de amor. E a vida prossegue o seu ritmo, numa construção diária, em que os diversos caminhos de pais e filhos se vão encontrando, cruzando ou afastando geograficamente, mas sempre numa forte presença de coração.

Os anos correm e, em determinado momento da vida dos casais, para além de apenas pais, passamos a sogros também, o que por si só exige uma nova adaptação.

Chega depois o momento em que os nossos filhos nos anunciam a alegria de uma nova vida nascente. Agora é a sua vez de passarem à situação de pais. E nós, pais destes novos adultos, (que vemos sempre, de alguma forma como «nossos meninos»,) sentimos mais uma vez o dom da vida, maravilha que duplamente agradecemos ao Senhor, por nós próprios e por eles.

É uma oração de ação de graças, uma oração de entrega e de súplica pelos dons de fortaleza, sabedoria, entendimento e conselho, tão necessários para a construção de uma vida nova, que se terá de ir gradualmente afirmando no mundo.

Passamos, assim, à situação de avós! Os sentimentos são profundos, a emoção enorme. Mas atenção que não devemos assumir o papel que o ditado nos atribui «ser avô/avó é ser pai/ mãe duas vezes». Devemos aceitar esse novo estatuto como uma retaguarda segura, o apoio sempre presente aos nossos filhos quando necessário. A nossa função é, mais uma vez, a participação na construção humana, na grande alegria de uma família que se realiza, alarga e enriquece.

Na situação de avós, há que tomar consciência do que se nos pede e do que podemos oferecer. É importante não nos impormos, não interferirmos, mas oferecermos a nossa disponibilidade, o nosso tempo e saber, de acordo com as nossas capacidades e talentos.

Os anos rolam; os netos crescem e os avós, há que reconhecer, são como livros vivos, ou álbuns de família, cheios de conhecimentos; transmitem aos netos as suas experiências e histórias de vida, estimulando neles os valores que os prepararão para a vida.

Hoje em dia, numa época em que muitos avós se encontram ainda inseridos no mundo do trabalho, há que privilegiar os momentos de encontro, de reunião familiar, para poder dar continuidade às histórias de vida que são as raízes de cada família. É importante que cada criança saiba de onde vem, quem são os seus antepassados. É importante que conheça, pela voz dos mais velhos, as suas histórias que serão sustentáculos de pequenas comunidades dentro de uma sociedade que queremos mais justa.

Por isso podemos afirmar que os avós dos nossos dias têm o dever de ajudar as novas famílias a compreender o amor à vida, mesmo considerando a debilidade e a doença, têm o dever de criar as condições necessárias para garantir os valores morais e a herança de fé, como princípios de vida tão esquecidos no ritmo alucinante que as famílias vêm experienciando.

 

texto por Mª Conceição e diác. JPauloRomero

 

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Catequeses do Papa Francisco sobre a família

A família é um lugar de excelência para aprender a “arte” de perdoar.

Perdoar é muito mais do que esquecer – é aceitar o erro e a pessoa que o cometeu. É um ato redentor para quem perdoa e para quem é perdoado. Pedir «desculpa» e agradecer ao outro por reconhecer a sua falta é o primeiro passo para viver a alegria do perdão e da reconciliação.

Por diversas vezes o Papa Francisco tem referido que há três palavras-chave para entrar no amor da família, para que ela vá em frente e permaneça tal: «com licença», «obrigado», «desculpa».

Desculpa “é uma palavra difícil, e no entanto é deveras necessária. Quando ela falta, pequenas fendas alargam-se — mesmo sem querer — até se tornar fossos profundos. Não é sem motivo que na prece ensinada por Jesus, o «Pai-Nosso», que resume todas as questões essenciais para a nossa vida, encontramos esta expressão: «Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 12). Reconhecer que erramos e desejar restituir o que tiramos — respeito, sinceridade, amor — torna-nos dignos do perdão. É assim que se impede a infeção. Se não soubermos pedir desculpa, quer dizer que também não seremos capazes de perdoar. No lar onde as pessoas não pedem desculpa começa a faltar o ar, e a água estagna-se. Muitas feridas dos afetos, muitas dilacerações nas famílias começam com a perda deste vocábulo precioso: «Desculpa». Na vida matrimonial muitas vezes há desacordos... e chegam a «voar pratos», mas dou-vos um conselho: nunca termineis o dia sem fazer as pazes. Ouvi bem: esposa e esposo, brigastes? Filhos e pais, entrastes em forte desacordo? Não está bem, mas o problema não é este. O problema é quando este sentimento persiste, inclusive no dia seguinte. Por isso, se brigastes, nunca termineis o dia sem fazer as pazes em família. E como devo fazer as pazes? Ajoelhar-me? Não! A harmonia familiar restabelece-se só com um pequeno gesto, com uma coisinha. É suficiente uma carícia, sem palavras. Mas nunca permitais que o dia em família termine sem fazer as pazes. Entendestes isto? Não é fácil, mas é preciso agir deste modo. Assim a vida será mais bonita.” (cf Papa Francisco, Audiência Geral, Quarta-feira, 13 de Maio de 2015)

Este mês desafiamos as famílias a fazer um cartaz com as palavras «com licença», «obrigado» e «desculpa» e colocá-lo à porta de casa, para recordar as palavras que abrem o caminho para viver bem na família, para viver em paz.

Famílias, o AMOR é a nossa missão!

 

texto por Catarina Fortes

 

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Catequese Doméstica: A família e o contexto antropológico-cultural (Capítulo I do Relatório final do Sínodo dos Bispos)

Recentemente o Pe. José Granados Garcia, participante no Sínodo sobre “a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”, recordava: “O Papa desde o início sublinhou que o Sínodo não era um congresso ou um parlamento, mas sim uma forma de tentar ver os melhores caminhos de Deus para as famílias”.

Este mês olhamos o capítulo I do Relatório Final do Sínodo, que aborda o contexto antropológico, sociocultural e religioso da família contemporânea – porque quando se fala de família é importante conhecer e compreender o mundo em que esta se insere.

Do ponto de vista sociocultural, salienta-se que “a solidez dos laços familiares continua, em toda a parte, a manter o mundo em vida”. Porém, verifica-se a crescente “afirmação de um individualismo exasperado, que desnatura os laços familiares” (cf. nº5).

Em algumas regiões do mundo a dimensão religiosa tende a confinar-se à esfera privada e familiar, dificultando o testemunho e a missão das famílias cristãs. Noutras regiões, “os efeitos negativos de uma ordem económica mundial injusta levam a formas de religiosidade expostas a extremismos sectários e radicais” (cf. nº6).

A resistência a compromissos definitivos, a consequente diminuição no número de matrimónios, o aumento de separações e divórcios e a quebra da natalidade, reforçam uma sociedade individualizada, dificultam a formação de família e culminam no seu enfraquecimento (cf. nº7).

O matrimónio e a família ainda “gozam de grande estima e ainda é dominante a ideia de que a família representa o porto seguro dos sentimentos mais profundos e gratificantes”. Porém, “uma exasperada cultura individualista da posse e do gozo” pode gerar “dinâmicas de intolerância e agressividade”. Homem e Mulher são complementares, ao contrário do que a teoria do género procura veicular, ao negar a sua “diferença e a reciprocidade natural” (cf. nº8).

A “qualidade afetiva e espiritual da vida familiar está gravemente ameaçada pela multiplicação dos conflitos, pelo empobrecimento dos recursos, pelos processos migratórios” (cf. nº9).

Apesar da crise cultural e social atual resultarem no enfraquecimento da família, esta comporta uma força capaz de remediar as suas fragilidades. “Essa força reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar. Por muito ferida que possa estar uma família, pode sempre crescer a partir do amor” (cf. nº 10).

 

texto por Liliana Pratt e Nuno Rocha

 

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Próximas atividades

 

1º Módulo de Formação para Agentes da Pastoral Familiar

Inicia no próximo dia 20 de fevereiro a segunda edição da formação para agentes de Pastoral Familiar. Esta formação compreende três módulos:

- 20 de Fevereiro de 2016 - O que é Pastoral Familiar? (Centro Diocesano de Espiritualidade do Turcifal, das 9h30 às 17h30)

- 9 de Abril de 2016: Módulo 2 - O magistério sobre a Família

- 28 de Maio de 2016: Módulo 3 - Exemplos de Pastoral Familiar

Inscreva-se no nosso site: http://familia.patriarcado-lisboa.pt

 

Recoleção "O rosto da misericórdia"

– dia 06 de Março de 2016

 

Percurso Espiritual da Quaresma e Páscoa 2016

Em Ano da Misericórdia apresentamos a proposta de percurso espiritual para a Quaresma e Páscoa 2016 sob o tema “Não Peq’s +, caminha na Misericórdia”. Esta caminhada de Quaresma e Páscoa pretende articular a celebração litúrgica com a reflexão elaborada em casa pelas crianças, adolescentes e famílias.

Veja todo o desenvolvimento da proposta no link: www.catequese.net.

textos pela Pastoral Familiar de Lisboa
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
Continuamos a ler os Atos dos Apóstolos, e a acompanhar Paulo e Barnabé no seu percurso: «Naqueles...
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P. Gonçalo Portocarrero de Almada
A dor não é uma desgraça, mas uma experiência de amor que, ao unir-nos ao sacrifício de Cristo na Cruz, nos aproxima dos irmãos.
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