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Papa encoraja jovens a enfrentar as ameaças da droga e do crime
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O Papa Francisco visitou o México, tendo tocado nas feridas do narcotráfico, da violência, da corrupção, do tráfico de pessoas e da exclusão. O Santo Padre desafiou os jovens, as famílias e os indígenas. Antes, em Cuba, encontrou-se com o Patriarca de Moscovo.

 

1. Os jovens mexicanos encheram o estádio de Morelia para ouvir o Papa Francisco dizer-lhes que eles são o tesouro daquele país. “Vós sois a riqueza do México, vós sois a riqueza da Igreja. Compreendo que muitas vezes se torna difícil sentir-se tal riqueza, quando estamos continuamente sujeitos à perda de amigos ou familiares nas mãos do narcotráfico, das drogas, de organizações criminosas que semeiam o terror. Não é verdade que a única forma possível de viver, de poder ser jovem seja deixar a vida nas mãos do narcotráfico ou de todos aqueles que a única coisa que fazem é semear destruição e morte. É graças a Ele que podemos dizer que não é verdade que a única forma que os jovens têm de viver aqui seja na pobreza e na marginalização: marginalização de oportunidades, marginalização de espaços, marginalização da formação e educação, marginalização da esperança. Jesus Cristo é Aquele que desmente todas as tentativas de vos tornar inúteis, ou meros mercenários de ambições alheias”, garantiu Francisco, que à entrada do estádio foi acolhido aos gritos de “esta é a juventude do Papa”, no encontro que decorreu terça-feira, dia 16 de fevereiro. Antes, o Papa encontrou-se com os religiosos, tendo dito a padres, freiras, consagrados e seminaristas que não podem ser “funcionários do divino”. A resignação é “uma das armas preferidas do demónio”, alertou.

Para quarta-feira, dia 17, ficou reservada a visita à Cidade Juárez, conhecida como um centro de narcotráfico e que já foi uma das cidades mais perigosas do mundo. À noite, Francisco regressou a Roma, onde deverá ter chegado na quinta-feira por volta da hora do almoço, após o fecho desta edição.

 

2. O Papa Francisco diz que prefere uma família ferida a uma sociedade com medo de amar. Num discurso proferido durante um encontro com famílias, na capital do Estado de Chiapas, no México, na segunda-feira à tarde, dia 15 de fevereiro, Francisco comparou a família à Igreja. “Como disse já mais de uma vez (referindo-me à Igreja, mas penso que se possa aplicar também à família), prefiro uma família ferida que cada dia procura harmonizar o amor, a uma sociedade enfermiça pelo confinamento e a comodidade do medo de amar. Prefiro uma família que procura uma vez e outra recomeçar a uma sociedade narcisista e obcecada com o luxo e o conforto. Prefiro uma família com o rosto cansado pelos sacrifícios aos rostos embelezados que não se entendem de ternura e compaixão”, salientou o Papa, após ter ouvido testemunhos de alguns mexicanos, em representação da multidão de famílias que encheu o recinto. Da parte da manhã deste dia, em San Cristóbal de Las Casas, no Estado de Chiapas, o Papa apelou a um “exame de consciência” pela forma como os indígenas foram tratados. Francisco pediu depois aos jovens das comunidades indígenas do México para manterem a sabedoria dos seus antepassados para combater uma “cultura do descarte”.

 

3. No Domingo, 14 de fevereiro, o Papa presidiu à Missa em Ecatepec, nos arredores da Cidade do México, perante cerca de um milhão de pessoas, e insistiu na denúncia do tráfico, da pobreza e da exploração do homem pelo homem. “Desejo convidar-nos novamente hoje a estar na vanguarda, a ser pioneiros em todas as iniciativas que possam ajudar a fazer desta abençoada terra mexicana uma terra de oportunidades; onde não haja necessidade de emigrar para sonhar; onde não haja necessidade de se deixar explorar para ter emprego; onde não haja necessidade de fazer do desespero e da pobreza de muitos ocasião para o oportunismo de poucos. Uma terra que não tenha de chorar homens e mulheres, jovens e crianças que acabam destruídos nas mãos dos traficantes da morte”, referiu.

Neste dia, Francisco visitou o hospital pediátrico na Cidade do México e foi surpreendido por uma criança que cantou o ‘Ave Maria’. “Quero pedir a Deus que vos abençoe, que vos acompanhe e aos vossos familiares, a todas as pessoas que trabalham nesta casa e procuram que estes sorrisos continuem a crescer cada dia; a todas as pessoas que, não só com medicamentos mas sobretudo com a ‘carinhoterapia’, ajudam para que este tempo seja vivido com maior alegria”, disse.

No sábado, dia 13, o Papa celebrou Missa na Basílica de Guadalupe, o maior santuário mariano do mundo, reforçando que Nossa Senhora é sempre fonte de esperança. “Faz-nos bem um pouco de silêncio e olhar para Ela intensamente e com calma. Ela diz-nos que tem a ‘honra’ de ser nossa Mãe. Isto dá-nos a certeza de que as lágrimas daqueles que sofrem não são estéreis. São uma oração silenciosa que sobe até ao céu e que, em Maria encontra sempre lugar no seu manto”. Também neste dia, nos dois primeiros discursos em terras mexicanas, no palácio presidencial e no encontro com os bispos, Francisco falou do narcotráfico como “um cancro, cujas metástases devoram a sociedade mexicana e podem pôr em causa o futuro do país”. Francisco tocou nesta e noutras feridas, como a violência e a corrupção, o tráfico de pessoas e a exclusão.

 

4. O Papa Francisco e o Patriarca Kirill de Moscovo tiveram um encontro histórico e privado em Cuba, no dia 12 de fevereiro. Nunca um Papa e um Patriarca de Moscovo se tinham encontrado, até porque o Patriarcado foi fundado apenas algumas décadas antes do grande cisma entre a Igreja Católica e a Ortodoxa. Os dois líderes religiosos estavam sorridentes quando se encontraram e cumprimentaram-se com três beijos, como é característico entre os ortodoxos. Francisco usou a palavra “irmão” e as expressões “finalmente” e “somos irmãos”. Por sua vez, Kirill referiu que agora “as coisas são mais fáceis”. O Papa respondeu: “É claro que esta é a vontade de Deus”.

O Papa Francisco e o Patriarca Kirill assinaram uma declaração conjunta onde apelam à comunidade internacional que proteja os cristãos. “Em muitos países do Médio Oriente e do Norte de África, famílias inteiras, cidades e aldeias dos nossos irmãos e irmãs em Cristo estão a ser completamente exterminadas. As suas igrejas estão a ser barbaramente devastadas e saqueadas, os seus objetos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos”, alertam.

O Papa deixou uma palavra de agradecimento a Cuba, ao seu “grande povo” e ao presidente Raul Castro. Francisco e Kiril estiveram reunidos durante cerca de duas horas, no salão do protocolo do aeroporto de Havana, no primeiro encontro entre os primados da Igreja Católica e Ortodoxa desde a cisma de 1054.

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