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Monsenhor Alberto Teixeira Dias (1930-2016)
A alegria de servir um povo que amava
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Era um sacerdote muito “alegre”, com “alma de pastor”, que “amava o povo que lhe foi confiado”. É desta forma que o cónego Carlos Paes, pároco de São João de Deus, em Lisboa, recorda o seu antigo coadjutor, monsenhor Alberto Teixeira Dias, falecido no passado dia 16 de fevereiro, aos 85 anos.

 

Pároco de São João de Deus desde 1982, o cónego Carlos Paes teve em monsenhor Alberto Teixeira Dias, nos últimos 15 anos, um dos seus coadjutores e garante que o sacerdote deixa “uma marca indelével” na comunidade paroquial. “Deixou uma marca que resulta da pessoa que ele era: um homem de Deus, que trazia sempre qualquer coisa de muito espiritual, transmitido sempre com um sorriso, uma alegria”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE. Dos anos de contacto que manteve com monsenhor Alberto, o cónego Carlos Paes recorda o gosto da missão do seu antigo coadjutor. “Era um padre que me dizia muitas vezes: ‘Eu gosto muito daquilo que faço!’. Via-se que tinha essa alma de pastor e amava o povo que lhe foi confiado, em especial nesta paróquia de São João de Deus”. A “disponibilidade”, a “alegria” e o “humor” eram outras das características de monsenhor Alberto Teixeira Dias. “Era um sacerdote de uma delicadeza e de um trato muito fino. Quando eu por vezes lhe dizia que ele tinha que descansar um pouco, respondia-me sempre: ‘E não se me acabou o poder…’”, lembra o cónego Carlos Paes, de 76 anos, referindo que o sacerdote falecido recentemente “tocou a todos, novos e mais idosos”.

É um início de Quaresma diferente aquele que a comunidade paroquial de São João de Deus está a viver este ano. “Humanamente falando, a morte de monsenhor Alberto Teixeira Dias é uma perca, mas olhando com olhos de fé vemos que ele agora é nosso intercessor”, assegura o cónego Carlos Paes.

 

Vocações

Antigo sacerdote do presbitério de Lisboa, D. Ildo Fortes, hoje Bispo de Mindelo, em Cabo Verde, recordou também o seu “querido padre Alberto”. “Saudades imensas nos deixas, querido padre Alberto, e um testemunho de autêntico pastor com o «coração de Cristo». O Bom Pastor te acolhe com alegria na Casa Paterna e te dá como herança: o Reino que tão bem soubeste anunciar e testemunhar... isso nos conforta!”, escreveu o prelado, na sua conta pessoal do Facebook. Nesta rede social, D. Ildo Fortes partilhou igualmente a importância de monsenhor Alberto Teixeira Dias na sua vida. “Muitas saudades do padre Alberto, um pai espiritual muito querido, um pastor zeloso e próximo, com um amor profundo à Igreja, meu pároco em Queluz que me viu ir para o seminário em 1984, que me acompanhou com muito interesse e carinho nos diversos momentos da vida, da vocação e do ministério; ainda há menos de dois meses fez questão de concelebrar comigo na missa de Ação de Graças dos 80 anos da minha mãe! Estava convencido e decidido a vir ao Mindelo na primeira ocasião, pela ordenação de algum dos nossos seminaristas que por algum tempo passaram por São João de Deus. Partiu sem dizer nada! Partiu... mas fica muito presente no coração de quantos tiveram o privilégio e a grande graça de conviver com ele. Agora, no Céu, entre os anjos e os santos, possa ele cantar eternamente os louvores e as misericórdias do Senhor, que ele tão fiel e generosamente serviu como sacerdote!”, testemunhou D. Ildo.

Também o padre Vítor Gonçalves, pároco da igreja de São Domingos e colaborador semanal do Jornal VOZ DA VERDADE, no seu artigo ‘À procura da Palavra’ da edição passada, recordou monsenhor Alberto Teixeira Dias. “Quando a morte parece que vem calar uma destas vozes e fazer desaparecer a sua presença do nosso convívio, ficamos sem palavras e com uma saudade imensa. Nestes dias, eu e tantos, experimentámos isto com a morte do padre Alberto. Entendemos a sua fragilidade crescente, mas a surpresa do seu falecimento e a falta de uma despedida tornou a dor maior”, começou por escrever o padre Vítor, de 50 anos, revelando depois a importância que este sacerdote teve na sua vocação: “Mas não há verdadeiramente despedidas para os que se amam, nem para quem acredita no amor de Deus que também o padre Alberto, de muitos modos, nos testemunhou. Foi também ele que me deu a conhecer Jesus Cristo vivo e atuante que se meteu comigo e em mim, esta Igreja frágil e pecadora mas bela e geradora de comunhão, e despertou o desejo de dar a vida como discípulo de Jesus. Aquela voz serena e firme, as palavras sempre entrelaçadas com histórias e um imenso humor, e a sua presença humilde e grata não se apagarão da memória de todos nós. Que alegria, padre Alberto, ter-nos ajudado a acreditar na transfiguração do Céu em que a misericórdia de Deus nos reunirá!”.

 

__________________

 

Acolhia com alma de pastor…

Amava como Amigo de sempre…

Servia com alegria constante…

Evangelizava sem desfalecimento…

Atraía todos e de modo especial crianças e jovens…

Convertia com misericórdia desafiadora…

Servia com humor surpreendente…

Aproximava-se com espontaneidade e solicitude…

Sofria com profundidade e fé…

Pregava com zelo e amabilidade…

Corrigia com misericórdia e sabedoria…

Fazia do seu tempo um dom generoso…

Rezava com perseverança e simplicidade…

Comovia-se até às lágrimas com discrição e interioridade…

Enlevava-se com a beleza e a estética…

Cantava com gosto e elevação…

Ajudava com prontidão e gratuidade…

Aconselhava com sabedoria evangélica…

Partilhava com naturalidade generosa…

Agradecia com cordialidade…

Congregava com oportunidade e zelo…

Admirava com sensibilidade e comunhão…

Olhava com brilho e irradiação…

Celebrava com fervor e liturgia…

Adorava com empatia e cumplicidade divinas…

Esperava com paciência e confiança…

Era modelo para vocações e consagrados…

Era o Padre Alberto! O Monsenhor!

Quando chegou ao Céu, naquela madrugada,

de 16 de Fevereiro

logo Jesus lhe disse:

«Anda cá irmão! Tenho aqui uma missão para ti!»

É isso que lá esta a fazer, intercedendo por cada um de nós

como pessoas e comunidade!!

Bem hajas irmão!!!

De todos os que te choram e amam.

 

Cónego Carlos Paes,

Pároco de São João de Deus

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