Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
A Páscoa vivida e celebrada

Quando, daqui por uns anos, alguém fizer a história portuguesa da Reforma Litúrgica, fruto do Concílio Vaticano II, deparar-se-á com um nome incontornável: José da Costa Ferreira. Muitos pensaram e escreveram. Ele ensinou e realizou.

Discípulo do primeiro reitor do Seminário dos Olivais, Mons. Pereira dos Reis, escutou dele um novo modo de olhar a liturgia – daquela liturgia que abandona as “cerimónias” religiosas para passar a celebrar a redenção de Jesus; da liturgia que deixou o “teatro religioso” para abraçar a “nobre simplicidade” em que Deus realiza o que diz e nós acolhemos a Sua ação salvadora.

Ensinou latim e canto gregoriano a muitas gerações de sacerdotes e a muitas gerações de alunos que não chegaram à ordenação – alguns deles, depois, cantores em grandes grupos corais portugueses.

Aventureiro e irrequieto (no pensamento e no viver) foi para Paris em finais dos anos 60 do século passado para, no Instituto de Liturgia, com os grandes mestres de então, beber os princípios teológicos da reforma conciliar.

Ao longo de toda a instabilidade dos anos 70 e 80 nunca embarcou em modas fáceis. Fez parte do grupo de liturgistas e músicos portugueses que souberam dar ao nosso país uma qualidade única na arte de celebrar e cantar. No seu coração estavam as Semanas Nacionais de Pastoral Litúrgica de que foi um dos impulsionadores primeiros, e em que participou mesmo já com a idade avançada e debilitado.

Era a memória viva do Seminário dos Olivais (a sua casa desde 1936 até há praticamente dois anos) e marcou, de modo indelével, desde os seus colegas de curso aos discípulos que com ele aprenderam a liturgia e a expressão da fé.

No centro de tudo aquilo que ensinava encontrava-se o Mistério Pascal da morte e ressurreição do Senhor Jesus e da descida do Espírito Santo – o “grande dia de Páscoa”, como gostava de sublinhar. A Páscoa vivida e celebrada pela Igreja era o seu amor. Agora, junto do Senhor, vive a Páscoa eterna. Obrigado, Pe. “Zé”.

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