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Papa critica “fechar de portas” a refugiados e deslocados
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O Papa Francisco pediu que as portas se abram aos migrantes. Na semana em que foi noticiado que o Papa vai lavar os pés a 12 refugiados em Quinta-feira Santa, o Vaticano anunciou que Madre Teresa de Calcutá vai ser santa a 4 de setembro, Francisco ofereceu uma cópia do Evangelho em formato de bolso e foi revelado o programa da visita papal à Polónia, em julho.

 

1. O Papa lembrou esta quarta-feira, 16 de março, os refugiados e deslocados que vivem “uma situação real e dramática de exílio” e criticou o “fechar de portas” perante o sofrimento de quem está longe do seu país. “Muitos dos nossos irmãos estão a viver neste momento uma situação real e dramática do exílio, longe de sua terra natal, com os olhos ainda sob os escombros de suas casas e muitas vezes o medo no coração – e infelizmente, ainda a dor a perda de entes queridos!”, apontou Francisco. “Nestes casos, pode-se perguntar, onde está Deus? Como é que tanto sofrimento se abate sobre homens, mulheres e crianças inocentes quando procuram entrar noutro lado, lhes fecham a porta, porque muitas portas e muitos corações estão fechados”, lamentou o Papa, na audiência-geral desta quarta-feira, em Roma, em vésperas de mais um Conselho Europeu que vai discutir a questão dos refugiados.

Francisco diz que é preciso não ceder ao desespero e confiar que Deus não abandona quem n’Ele confia. “Deus não está ausente, nem hoje, nem nestas as situações dramáticas. Deus está próximo e faz obras de salvação em quem confia nele. Não se deve ceder ao desespero”, sublinhou.

 

2. O Papa Francisco vai lavar os pés a 12 refugiados na Quinta-Feira Santa, 24 de março, segundo revelou a revista America, gerida pelos jesuítas dos Estados Unidos, embora a informação não tenha sido confirmada oficialmente pela Santa Sé. Francisco irá a um centro de acolhimento de refugiados em Roma, embora ainda não tenha sido divulgado qual, para levar a cabo este gesto que é próprio da liturgia de Quinta-Feira Santa, recordando o momento da Última Ceia em que Jesus lavou os pés aos discípulos.

 

3. Madre Teresa de Calcutá vai ser canonizada no dia 4 de setembro, anunciou o Papa Francisco esta terça-feira, 15 de março, durante o consistório ordinário convocado em Roma para votar cinco causas de canonização. A freira albanesa, laureada com o prémio Nobel da Paz em 1979, dedicou a sua vida aos mais pobres dos pobres e vai ser canonizada pela Igreja Católica depois da aprovação de Francisco, que reconheceu a cura de um homem que sofria de vários tumores cerebrais. As provas testemunhais durante o processo de estudo do caso referem que as pessoas próximas do doente rezaram muito a Madre Teresa. A futura santa da Igreja morreu em 1997, com 87 anos, e era conhecida como ‘a santa das sarjetas’ pelo trabalho que desenvolveu em Calcutá. Não foi ainda divulgado se a cerimónia de canonização terá lugar em Roma ou na Índia.

Além de Madre Teresa de Calcutá, foram assinados os decretos para a canonização de Estanislau de Jesus Maria da Polónia (1631-1701), fundador da Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria; José Sánchez del Río, mexicano (1913-1928), martirizado aos 14 anos durante a perseguição religiosa no México; José Gabriel del Rosario Brochero (1840-1914), conhecido como o ‘Cura Brochero’, que percorreu a Argentina numa mula para levar a mensagem do Evangelho no século XIX; e a sueca Maria Elisabeth Hesselblad (1870-1957), fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida.

Refira-se que o Vaticano publicou, no dia 10 de março, um conjunto de alterações às normas que governam os processos de canonização na Igreja Católica. As principais mudanças dizem respeito ao aspeto financeiro, que atualmente leva a que os processos das dioceses e dos países ricos se concluam mais rapidamente do que aqueles de países com maiores dificuldades. O Papa quer mais transparência e, por isso, as novas regras exigem que todos os donativos feitos para um processo sejam colocados numa conta à responsabilidade de um administrador e que todas as movimentações de dinheiro sejam cuidadosamente documentadas. Para evitar a disparidade entre processos de países pobres e ricos, Francisco mandou também criar um “fundo de solidariedade” que contribuirá para as dioceses mais pobres.

 

4. No terceiro aniversário do seu pontificado, a 13 de março, o Papa Francisco lembrou a misericórdia de Deus e o desejo de que “a nossa liberdade converta o mal em bem”. Na habitual oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Francisco comparou a mulher adúltera à realidade dos dias de hoje. “Aquela mulher representa-nos a todos pecadores, ou seja, adúlteros diante de Deus, traidores da sua fidelidade. E sua experiência representa a vontade de Deus para cada um de nós. Não a nossa condenação, mas a nossa salvação através de Jesus. Ele é a graça que nos salva do pecado e da morte”, referiu o Papa. “Ele escreveu no chão, na poeira de que é feito todo o ser humano, a sentença de Deus: ‘Eu não quero que morras, mas sim que vivas’. Deus não nos prende ao nosso pecado, não nos identifica com o mal que praticamos. Deus quer que a nossa liberdade converta o mal em bem, e isto é possível com a sua graça”, sublinhou.

No dia do terceiro aniversário do seu pontificado, o Papa ofereceu uma cópia do Evangelho em formato de bolso. “Trata-se do Evangelho de Lucas, que lemos nos Domingos deste ano litúrgico. O livro tem este título: ‘O Evangelho da Misericórdia de São Lucas’”, explicou, desde a janela do apartamento pontifício.

 

5. O Vaticano anunciou, no passado dia 12 de março, que o Papa vai visitar a Polónia, de 27 a 31 de julho, por ocasião da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), marcada para a cidade polaca de Cracóvia. O arcebispo local e antigo secretário de João Paulo II, cardeal Stanislaw Dziwisz, anunciou, juntamente com o responsável geral da JMJ 2016, os pontos principais da visita papal, que vai incluir uma passagem pelo campo de concentração nazi de Auschwitz – Bento XVI, o último Papa a visitar a Polónia, esteve no mesmo local a 28 de maio de 2006 – a 29 de julho. Ainda nesse dia, francisco participa na Via Sacra, no campo de Blonia, em Cracóvia. O programa inclui ainda uma passagem pelo santuário mariano de Czesctochowa, no dia 28, e uma visita à capela de Santa Faustina, que inspirou a devoção à Misericórdia Divina, no dia 30.

Com o tema ‘Bem-aventurados os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia’, a JMJ 2016 (www.krakow2016.com) tem inscritos de 174 países, incluindo Portugal.

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