Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Que cruz?

Como olhamos hoje para a cruz? Há 2 mil anos, a cruz era sinal de vergonha e de sofrimento máximo. Era o lugar da morte dos condenados, dos escravos fugidos à procura de liberdade ou daqueles que colocavam em causa o poder supremo do Imperador. Era a morte dos malditos, executados fora da cidade, de quem se desvia o rosto.

A ninguém passaria pelo pensamento que Deus a pudesse experimentar, morrer numa cruz. Muito menos um judeu. De Deus esperava-se omnipotência; esperavam-se intervenções gloriosas, convincentes pelo seu poder e pelas suas maravilhas – precisamente aquelas tentações a que Jesus foi sujeito antes de iniciar a Sua vida pública.

A cruz, no entanto, tinha-se desenhado no horizonte do Messias já em alguns passos dos profetas, e fora ganhando uma figura terrivelmente concreta ao longo da vida de Jesus. No fundo, se Deus queria salvar a todos, tinha que assumir o destino dos últimos; e se queria salvar o homem todo, tinha que sofrer o todo da vida humana: a morte, aquela morte não apenas física mas também aquela que é afastamento, coração rasgado, solidão, abandono até ao final. Era aí – e apenas aí –, nesse lugar de solidão e esquecimento, onde a morte julgava dominar, que se poderia dar a batalha decisiva – aquela batalha entre a infinita bondade de Deus e o vazio da negação. E o caminho não poderia ser outro que não a cruz.

De então para cá, a cruz é o lugar onde encontramos a maravilha do Amor divino por todos e cada um de nós. É o lugar onde a Vida se tornou, definitivamente, possível e digna para todos.

Não admira pois que S. Paulo apenas se quisesse gloriar na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Gal 6,14). Nela, a glória do amor de Deus encontra definitivamente a fraqueza do Homem, toma-a sobre si e oferece-lhe a Vida divina, eterna.

E hoje, no quotidiano dos cristãos e das nossas igrejas, quanta vergonha, quanto embaraço, quantas cruzes deitadas por terra, inclinadas, escondidas ou transformadas simplesmente em “emblema do grupo”…

Como olhamos hoje para a cruz? Como a erguemos diante de todos?

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