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OGM – Organismos Geneticamente Modificados
Uma condenação, sem hesitações, aos cultivos transgénicos
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Ativista católica em associações de defesa do ambiente, Alexandra Azevedo, da paróquia de Vilar (Vigararia de Lourinhã), enviou uma carta ao Papa Francisco felicitando-o pelo contributo da encíclica Laudato Si’, sobre as questões ambientais. Na missiva, esta leiga procura contribuir para um maior diálogo sobre a questão dos transgénicos, ou OGM – Organismos Geneticamente Modificados. Este artigo publicado pelo Jornal VOZ DA VERDADE é adaptado da carta enviada ao Papa.

 

A primeira questão que importa esclarecer é: Serão as técnicas de engenharia genética apenas mais uma forma de melhoramento de plantas e animais para alimentação (e outros usos) que o ser humano tem feito ao longo da história milenar de domesticação?

Os defensores dos transgénicos querem fazer-nos crer que sim, mas… os transgénicos, como o próprio nome indica, resultam da mistura de espécies que nunca se poderiam cruzar na Natureza.

A engenheira genética Belinda Martineau, Ph.D., que colaborou no desenvolvimento da primeira cultura comercial de transgénicos no mundo, o tomate FlavrSavr™ (AKA MacGregor’s®), disponível em 1994, e começou a duvidar das promessas da agricultura biotecnológica precisamente durante esse processo, expõe de forma muito sucinta as diferenças entre a reprodução tradicional e a engenharia genética:

- A Reprodução Tradicional evoluiu ao longo de eras, a troca genética ocorre entre organismos estritamente relacionados, nas células reprodutivas entre cromossomas relacionados através de recombinação homóloga e a quantidade de ADN e o espaçamento entre os genes continuam a ser a mesma;

- A Engenharia Genética (Tradicional) (particularmente em plantas cultivadas) é feita recentemente pelo Homem (e sujeito ao erro humano e outros erros), envolve qualquer gene proveniente de qualquer organismo (vivo ou morto) ou sintetizado em laboratório, ocorre nas células somáticas, a inserção nos cromossomas é "aleatória", provoca mutação por inserção de genes de receptores numa taxa de 27-63%, o espaçamento entre os genes e quantidade de ADN são alterados e envolve genes "marcador seleccionável" (por exemplo, gene de resistência ao antibiótico Kanamicina) (http://biotechsalon.com/2015/10/16/genetic-engineering-is-very-different-than-traditional-breeding)

Os procedimentos da engenharia genética violam os mecanismos biológicos naturais e para isso têm de recorrer a genes de “especialistas” na invasão das células, as bactérias e os vírus! E não se sabe em que parte do genoma da célula hospedeira foi inserida a sequência sintéctica, ou o número de cópias inseridas ou se a inserção será estável, o que aumenta a probabilidade de potenciar, silenciar ou perturbar os processos de produção de proteínas.

Além disso, a engenharia genética baseia-se no fundamento de que um gene corresponde a produção de uma determinada proteína / função, mas quando se descodificou o genoma humano identificaram-se apenas 30.000 genes, sendo produzidas no nosso organismo mais de 100.000 proteínas!

 

Para continuar a analisar este assunto outras 3 perguntas se impõem:

1 - Os transgénicos serão seguros?

2 - Os transgénicos serão úteis, isto é, têm uma função social?

3 - Os transgénicos serão necessários, ou seja, não haverá soluções melhores?

 

Respondendo:

1 - Pelo exposto atrás percebe-se que a segurança dos transgénicos é automaticamente questionável. Actualmente a ciência está cada vez mais subjugada a financiamentos privados, como tal vive-se um clima de descrédito da ciência, e um debate sério está à partida comprometido.

Existem já diversos artigos científicos de pesquisadores independentes da indústria que têm revelado inúmeros problemas, como aumento de tumores, alterações funcionais significativas em órgãos vitais, como o fígado e rins, entre outros. O Prof. Richard Lacey, na Universidade de Leeds, o primeiro cientista a caracterizar correctamente os riscos das doenças vacas loucas, disse que: “A verdade é que é virtualmente impossível sequer conceber procedimentos que permitam testar e avaliar os efeitos na saúde dos alimentos GM”, dada a instabilidade das reconstruções do genoma.

2 - Actualmente os transgénicos não estão a beneficiar os mais pobres, em concreto, os pequenos agricultores e camponeses, mas se eles tivessem melhor acesso, a custos muito mais baixos a essas variedades será que seria benéfico? Ora, se os transgénicos não forem seguros, então não é com certeza benéfico. E se além disso houver outras soluções melhores, então os transgénicos serão também desnecessários.

3- O caminho escolhido está diametralmente oposto ao caminho visionado no relatório internacional sobre a agricultura (IAASTD (Agricultureat a Crossroads: The Global Report (2009), McIntyre, B. &InternationalAssessmentofAgriculturalKnowledge, Science, andTechnology for Development (Project), Washington DC: Island Press. www.agassessment.org), publicado em 2009 e baseado nas conclusões de 400 peritos mundiais que estudaram a agricultura global durante três anos. O relatório afirma que, apesar de certas tecnologias agrícolas terem contribuído para o aumento substancial da produtividade no passado, estas mesmas tecnologias – como pesticidas e fertilizantes – estão hoje a ameaçar a sustentabilidade social e ecológica da agricultura. O futuro deveria pertencer à agricultura ecológica, com ênfase na agricultura de pequena escala e baixa intensidade. O papel da biotecnologia é considerada marginal e possivelmente contraproducente, enquanto a maior crítica é reservada ao sistema global de produção de comida.

 

Espero muito sinceramente que não sejam necessários mais 20 anos (fazendo a comparação com o processo de aceitação científica e sociopolítica do fenómeno das alterações climáticas) para que haja uma condenação sem hesitações dos cultivos transgénicos, tanto mais que alternativas existem, aliás sempre existiram!

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