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Páscoa na Sé de Lisboa
“A vida triunfa no ‘eu’ solidário”
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Nas celebrações do Tríduo Pascal, D. Manuel Clemente exortou os fiéis para tornarem as suas vidas “dom de si para os outros”, como sinal de “‘caridade’ autêntica”. Na Sé de Lisboa, o Cardeal-Patriarca lembrou os cristãos perseguidos em todo o mundo e as vítimas dos recentes atentados.

 

“Se a morte é sinal dum ‘eu’ solitário, a vida triunfa no ‘eu’ solidário. E solidariedade vivida ao ponto em que Jesus a viveu e nós chamamos ‘caridade’ autêntica, esvaziando-se de si para que os outros caibam”, referiu D. Manuel Clemente, na Missa de Domingo de Páscoa, no passado dia 27 de março, na Sé de Lisboa. Perante centenas de fiéis, o Cardeal-Patriarca lembrou a importância daqueles que dão a sua vida em prol dos outros e em inúmeras circunstâncias. “Acreditemos também que não há outro modo de ressuscitar, senão assim mesmo, pelo dom de si. Porque a celebração pascal não termina hoje nem se encerra agora. Na nossa casa e família, ou onde não haja uma e outra; com quem gostamos de estar e com quem não gostemos logo; no que apetece fazer e no que custa mais… Escolhamos em cada uma dessas ocasiões o que Jesus escolheu, esvaziando-nos de nós para que os outros caibam. Certos de que, sempre que assim for, começaremos a ressuscitar – e connosco o mundo!”, concluiu o Cardeal-Patriarca, na Missa da Ressurreição do Senhor.

 

Perto do coração, perto da vista

Em Sábado Santo, na celebração da Vigília Pascal, D. Manuel Clemente lembrou os cristãos que são perseguidos em todo o mundo e os que sofreram com os mais recentes atentados. “Nesta Páscoa em que estamos, estão tantos irmãos nossos, por esse mundo além e nos mais variados lugares e circunstâncias. Com todos está o Ressuscitado, como está connosco aqui. Nesta Sé de Lisboa, como na de Bruxelas, de tragédias recentes; na martirizada Síria, onde minorias cristãs arduamente perduram, celebrando a Páscoa nalgum resto de templo, nalgum local de improviso; em lugares seguros e razoavelmente garantidos, ou às portas da Europa, fugindo do passado e não encontrando futuro; em famílias que estão bem, reunidas em paz; e em famílias que estão de luto, porque um desastre matou quem vinha de longe, ou uma doença vitimou alguém de casa… Por eles e por outros estamos nós em Vigília, encontrando no Ressuscitado a fonte da esperança”, afirmou o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

A partir das palavras: «Não está aqui: ressuscitou!», escutadas no Evangelho da celebração, D. Manuel Clemente referiu que “a certeza da ressurreição de Cristo confirma-se pela presença continuada, a procura incansável, um seguir persistente. Conhecemos o ditado: «longe da vista, longe do coração». Com Cristo é o contrário: «perto do coração, perto da vista»”.

A partir da mesma narração evangélica que descreve a ida das mulheres ao sepulcro, onde já não acharam o corpo do Senhor Jesus, o Cardeal-Patriarca destacou esse acontecimento como um sinal de vida. “Não acharam o corpo do Senhor Jesus. Como tinha sido antes, não o podiam achar. Mas também não viram os seus restos mortais. Perceberiam depois que com Cristo nunca há restos de morte, mas sempre princípios de vida. Porque assim é a sua vida ressuscitada e ressuscitadora, criadora de vida nova, prenúncio da definitiva”. “O túmulo estava vazio de sinais de morte. Porque esta se transformara em vida, totalmente entregue”, referiu.

 

Saciar a sede

Às palavras de Jesus: «Tenho sede», escutadas no Evangelho da narração da Paixão, na celebração de Sexta-Feira Santa, na Sé de Lisboa, e recordando também  a parábola da Samaritana, onde Jesus pede água, D. Manuel Clemente atualizou o pedido de Jesus, “para aqui e agora”. Deus “espera-nos onde costumamos buscar água, como quem busca o imediato, que depois se esgota, para aí voltarmos, outra e outra vez. Mas essa mesma água nos pede, do nosso velho poço, para dar em troca a que só Ele traz. Assim foi com a samaritana, que estranhou o pedido, pois os judeus não se davam com os samaritanos. Como resistimos a dar-nos com Ele, que não desiste de nos procurar a nós”, referiu o Cardeal, frisando a insistência de Deus por todos os seus filhos. “Deus não quer desistir de nós, pois nos criou para si, vidas do nada para a vida do tudo, que só n’Ele se encontra. É essa mesma sede, do próprio Deus por nós, por cada um de nós, que brota da boca de Jesus, no instante anterior a ir buscar-nos ao mais fundo do poço em que estávamos. Como se dissesse: «Tenho sede! É de ti mesmo que tenho sede! Dá-me da água que és tu, para receberes a “água” que eu sou»(...) À sede que tem da nossa sede respondamos que sim, de uma vez por todas. (...) Agradeçamos a sua sede de nós e reconheçamos a nossa sede d’Ele. Reconheçamos a sede do mundo e em todas as acepções que ela tem ou pode ter”, encorajou D. Manuel Clemente, na homilia da celebração da Paixão do Senhor, no dia 25 de março.

 

No mesmo gesto

Em Quinta-Feira Santa, durante a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, o Cardeal-Patriarca de Lisboa referiu que os gestos de Jesus, escutados no Evangelho da celebração – “nas suas mãos, que «tomam» o pão e o tornam seu corpo, «tomam» o cálice e o fazem nova aliança no seu sangue. Nas suas mãos, que «tomam» a toalha e a «põem» à cintura, que «deitam» água na bacia, para «lavar» os pés dos discípulos e os «enxugar» depois...” – “indicam-nos com a maior precisão o modo e a circunstância de acertarmos com Deus o que Ele acertou connosco. Para os praticarmos também como “corpo eclesial de Cristo”; da Igreja para o mundo, tornando-nos pão e cálice, cingindo-nos para lavar e enxugar os pés cansados de tantos, as vidas exaustas de muitos”.

Lembrando a missionariedade do povo cristão no meio do mundo, D. Manuel Clemente desejou que o fruto do que se celebrou seja o reencontro “na grandeza do gesto e da missão do Senhor Jesus, agora tão nossos e para tantos que esperam. Vimos o gesto do Senhor humilde. Que muitos o continuem a ver também em nós, quando vamos ao seu encontro, lavando e enxugando poeiras e lágrimas. Vimos o pão e o cálice, vimos o Senhor, que se reparte e comunga. Nada se fique pelo rito apenas. Tudo daqui parta como Cristo em nós, e assim chegue a todos. No mesmo sentimento, que encontre o mesmo gesto”, desejou o Cardeal-Patriarca, na celebração que marcou o início do Tríduo Pascal, na Sé de Lisboa.

 

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Missa Crismal: “Ter um coração pobre para chegar aos pobres”

Na Missa Crismal, na manhã de Quinta-Feira Santa, na Sé de Lisboa, o Cardeal-Patriarca dirigiu-se, de forma particular, aos sacerdotes, lembrando o único responsável de todo o trabalho pastoral. “Os programas deste mundo, necessariamente, incluem análises, projeções e métodos como cabe ao espaço-tempo. Mas ter um coração pobre para chegar aos pobres, encontrar palavras para converter os outros, acertar os gestos que hão de resultar – tudo isto requer algo de maior, que só Deus garante”, referiu D. Manuel Clemente.

Na homilia da celebração do passado dia 24 de março, em que os sacerdotes renovaram os seus votos, o Cardeal-Patriarca apontou o “vetor familiar da pastoral e da missão” como “o próximo futuro da Igreja universal e local”. “E em Jubileu da Misericórdia, como estamos, quase que posso adiantar que, se o último programa-calendário do Patriarcado indicava ‘a missão como propósito e a sinodalidade como método’, o nosso Sínodo diocesano poderá acrescentar ‘a família como critério e a misericórdia como alma’”, concluiu D. Manuel Clemente.

 

A Missa Crismal foi transmitida em direto pelo Departamento da Comunicação do Patriarcado de Lisboa e está disponível em www.youtube.com/patriarcadolx.

 

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Papa pede “proximidade” para com vítimas do terrorismo

 

Na tradicional Mensagem ‘Urbi et Orbi’ (à cidade e ao mundo), proferida no Domingo de Páscoa, na varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco lembrou os cristãos perseguidos, as vítimas do terrorismo e os refugiados. “O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões, Costa do Marfim e Iraque; Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular no Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais”, desejou o Papa.

Também a situação dos refugiados, “homens e mulheres na sua jornada em busca de um futuro melhor”, foi lembrada, pelo Papa Francisco, que também desejou que a próxima Cimeira Mundial da Ajuda Humanitária “não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência”.

Por fim, o Papa lembrou aqueles que são “perseguidos por causa da sua fé e pela sua lealdade ao nome de Cristo”. “Diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33)”.

 

Refugiados e sem-abrigo nas preocupações do Papa

O Papa Francisco lavou os pés a 12 refugiados, em Quinta-Feira Santa, num centro de abrigo, na cidade de Castelnuovo di Porto, a norte de Roma. Na homilia da celebração, Francisco denunciou os interessados pelos atentados de Bruxelas. “Atrás de Judas estavam os que lhe deram dinheiro, para que Jesus fosse preso e atrás deste gesto [ataques de Bruxelas] estão os que fabricam e traficam armas, que querem o sangue e não a paz, querem a guerra e não a fraternidade”, lamentou o Papa. Enquanto uns querem espalhar o terror no mundo, prosseguiu Francisco, “nós e vós, todos juntos, neste momento, estamos a fazer um gesto de fraternidade”.

Na Sexta-Feira Santa, enquanto decorria a Via-Sacra no Coliseu de Roma, o Papa Francisco mandou distribuir sacos-cama pelos sem-abrigo da cidade.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Arlindo Homem
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