Missão |
Mafalda França
“É possível, em qualquer idade da vida, participar no apoio ao desenvolvimento humano!”
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Mafalda França nasceu em Fátima, em 1948, e cresceu com três irmãs e um irmão no seio de uma família católica. O seu pai nasceu numa aldeia próxima do lugar da Cova da Iria e, durante 50 anos, exerceu a sua atividade profissional no Santuário de Fátima. O seu percurso escolar do ensino básico e secundário foi também em Fátima, primeiro no Colégio das Irmãs Doroteias e depois nas Irmãs de S. Vicente Paulo. É educadora de infância e no seu caminho realizou uma missão de voluntariado em África.

 

Aprender a conhecer diferentes formas de ser e de educar 

Aos 18 anos decidiu estudar em Lisboa e licenciou-se em Educação de Infância, no Instituto de Educação de Infância. “Era uma época de grande facilidade de emprego e aos 21 anos iniciei a minha carreira Profissional”, partilha. Conta-nos que o seu percurso profissional “foi feito muito no contato com famílias africanas integradas (umas vezes mais, outras menos) nos bairros à época chamados de “problemáticos” onde aprendi a conhecer formas de ser e de educar, que sendo diferentes eram tantas vezes exemplares na capacidade de resistência às adversidades da vida. Chegadas a Lisboa (1975), porque na sua terra era demasiado arriscado permanecer, iam-se adaptando a uma sociedade que as olhava como usurpadoras de um espaço e de meios que não lhes pertenciam por direito próprio. Foram as “mamãs” que me ensinaram que o afeto pelos filhos não se mede na quantidade do tempo que se está com eles, mas sim na luta diária por melhores condições de vida, que lhes permitisse ver os seus filhos crescerem como crianças e transformarem-se em homens de direitos e deveres. Depois mais tarde, como formadora, voltei a cruzar-me com jovens africanas que sendo já portuguesas lutavam pela sua qualificação profissional para mostrar à sociedade, que não é a cor da pele que determina a qualidade do desempenho de cada um. Foi na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que fiz o meu percurso profissional e pessoal, pois simultaneamente casei, (1974) fui mãe duas vezes (1975, 1977),duas vezes fui avó (2002, 2004) dose que repeti já depois em 2012 e 2014.”

 

Voluntariado Além-fronteiras para maiores de 55 anos

Quando se preparava para descansar e aproveitar o seu tempo como avó, ouviu falar de um programa de Voluntariado Além-fronteiras para maiores de 55 anos, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian. Pesquisou e percebeu que é um programa dirigido a pessoas com mais de 55 anos e que não estando em serviço podem colocar as suas capacidades profissionais e experiencias de vida ao serviço dos outros em países de expressão portuguesa. O objetivo é “criar e dinamizar uma bolsa de voluntariado qualificado, constituída por profissionais com mais de 55 anos, que em parceria com ONGD’s e outras Instituições locais pudessem colaborar no desenvolvimento de projectos do 3º sector nos PALOP”. Integrou-se neste Programa em 2013 e partiu, em Fevereiro de 2014, para Moçambique “para realizar uma missão de voluntariado no Projeto Escolinhas Comunitárias do Niassa e desta forma integrar o trabalho desenvolvido pela ONGD Leigos para o Desenvolvimento neste país”, como nos diz. Partilha que esta missão representava para si “mais que a concretização de um desejo alimentado no tempo do exercício diário do meu trabalho de educadora; era antes um desígnio de Deus pois o objetivo traçado para o trabalho iria permitir-me confirmar um dos fundamentos orientadores do meu percurso profissional: educar é caminhar com outros, num processo contínuo de partilha e descoberta de capacidades.”

 

Reacender a esperança num mundo melhor

Colaborou com os Leigos para o Desenvolvimento no Programa de Formação dos agentes educativos que trabalham com crianças em idade pré-escolar nas escolinhas espalhadas pelas comunidades rurais no Niassa. O objetivo é “desenvolver as suas competências de socialização e de aprendizagem da língua Portuguesa”, algo que considera uma bênção “pelo significado que esta experiência me iria proporcionar nesta fase da vida”. Durante o tempo de missão viveu na casa dos Leigos em Cuamba (cidade da Província do Niassa) com três voluntários, o que lhe proporcionou “uma experiência comunitária nunca por mim vivida. A convivência diária com “GENTE” que tendo idade de meus filhos, me receberam como “mana ”e partilharam comigo espaços, saberes e ensinamentos de fé, de doação e resiliência, reacendeu em mim a esperança de que com “GENTE” assim o mundo pode vir a ser melhor”, como partilha. Voltou lá no ano seguinte e recorda: “Revi monitores, supervisores, agentes comunitários e crianças. Voltámos a trabalhar JUNTOS porque é este o lema. Voltei a deslumbrar-me com a natureza que nos persegue por onde quer que se olhe ou se cheire e mais uma vez agradeci a Deus este deslumbramento. E principalmente, voltei a brincar com a terra ora seca, ora molhada, com as pedras e paus de vários tamanhos, com as folhas das árvores e as ervas do chão, em brincadeiras de aprendizagens de cores, números, letras e tamanhos com os recursos que a natureza nos dá. E num cruzar de saberes, partilhámos histórias de lá e de cá, cantámos embalados pelo ritmo dos corpos que nos traziam palavras novas que eu aprendia na língua Macua e eles em Português”.

Termina partilhando o sentimento de quem parte depois dos 55 anos: “Partir em missão aos 65 anos foi para mim uma renovação, por perceber que a minha convicção de partida para o trabalho de educadora, passados estes anos ainda faz sentido. Estar no Projeto Mais-valia, aderir de razão e coração aos objetivos traçados pelos seus promotores e acreditar que é possível, em qualquer idade da vida, participar no apoio ao desenvolvimento humano, faz com que hoje eu faça parte de um grupo de voluntários da bolsa Mais-valia empenhados na criação de uma Associação de Voluntários Seniores. É aqui que estou para continuar!”

texto por Catarina António, Fundação Fé e Cooperação
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