Entrevistas |
Thereza Ameal, autora de ‘Lúcia – A vida da Pastorinha de Fátima’
“Se o mundo ouvisse a Mensagem de Fátima não estaria como está”
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É um livro que dá a conhecer a Mensagem de Fátima às crianças e jovens, com uma “linguagem acessível e completa”. Thereza Ameal, autora de ‘Lúcia – A vida da Pastorinha de Fátima’, garante em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE que esta biografia revela uma imagem “extraordinariamente inteligente e divertidíssima” da Irmã Lúcia e afirma a atualidade e importância da Mensagem de Fátima para o mundo.

 

Como apresenta e o que pretendeu ao escrever este livro?

O grande objetivo do livro é transmitir a Mensagem de Fátima. Foi difícil porque a mensagem é muito complexa e, principalmente, porque por ser para crianças exigia uma linguagem teologicamente correta, que não ‘saltasse’ partes – essa foi uma das tentações porque, por exemplo, muitas pessoas diziam que talvez fosse melhor não falar da Rússia para crianças que nasceram após a queda do muro de Berlim... Era preciso pôr toda a mensagem e, ao mesmo tempo, com uma linguagem que fosse atraente, simples e acessível para crianças e jovens. Depois, o livro tinha que dar a conhecer muitos episódios que aconteceram após a morte da Irmã Lúcia. Mesmo os adultos podem descobrir coisas novas neste livro, uma vez que só depois da morte de Lúcia é que se pôde abrir os seus diários pessoais, muitas cartas e assim transmitir o que se passou a seguir às aparições.

 

Qual foi o maior desafio ao escrever este livro, sabendo que tudo o que é relatado é factual?

O desafio foi, em primeiro lugar, numa vida de quase 100 anos, conseguir pôr tudo isto em 80 páginas, com ilustrações, letra grande... Foi difícil. Era sempre preciso escolher episódios e devo dizer que fiquei cheia de pena porque há coisas que ficaram de fora, e que até chegaram a estar escritas. A versão inicial tinha mais de 100 páginas! Houve alguns capítulos que tive de cortar porque não cabiam. Esse foi um dos grandes desafios.

Em segundo lugar, foi o conseguir pôr a Mensagem de Fátima o mais completa possível, teologicamente correta mas com uma linguagem acessível. O terceiro desafio foi falar de temas que são especialmente difíceis neste momento, porque a Mensagem de Fátima fala muito de oração, penitência, sacrifício, da visão do inferno, conversão da Rússia… tudo coisas que estão fora do horizonte da educação das crianças. As crianças, hoje em dia, são muito protegidas de tudo o que são as dificuldades da vida – ao contrário do que se passava há 100 anos atrás, onde as crianças participavam naturalmente num velório ou enterro. Hoje em dia, até quando morre um cão ou um passarinho, diz-se que o passarinho fugiu e que foi fazer um ninho... Portanto, as crianças não são confrontadas. Como diretora de uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) que trabalha com crianças pequenas, considero isto muito grave porque as crianças não estão preparadas para a frustração, para as dificuldades que depois entram pela vida. No entanto, o desafio passou por falar destes temas, de forma a não tornar o livro ‘pesado’. O novo livro pretende ser divertido, alegre.

 

Referiu que houve muita informação que foi revelada após a morte da Irmã Lúcia. Existe alguma revelação que este livro descreva e que não seja apontado noutros livros já publicados?

Do tempo das aparições não, até porque a Irmã Lúcia só escrevia aquilo que lhe mandavam. Ela teve muitas outras aparições particulares... Tudo o que pôs por escrito, de forma pública, foi somente o que os superiores lhe mandaram. De resto, guardava tudo. Uma das coisas que eu sei, depois de falar com uma irmã Carmelita que esteve com ela muito tempo, inclusive na hora da morte, foi que tinha havido várias aparições particulares. Uma das coisas que pus no livro é que as irmãs pediam à Irmã Lúcia para “as chamar quando Nossa Senhora aparecer por aí”. E a Irmã Lúcia respondia: “Não, porque depois Ela vai-se embora”. Lúcia era, portanto, muito discreta. Procurei também transmitir o que para mim foi uma grande surpresa – ela era divertidíssima. Temos sempre a ideia da pastorinha, pequenina, de mãos postas, frente a Nossa Senhora e depois há um enorme lapso de tempo e temos a imagem de uma velhinha carmelita, de óculos, ao lado do Papa. Descobri que ela tinha uma alegria profunda, apesar de ter tido uma vida extraordinariamente sacrificada e de um ‘sim’ continuo a muitos sacrifícios que Deus lhe foi pedindo e que ela ofereceu sempre a Nossa Senhora e por todas as intenções próprias da Mensagem de Fátima. Era uma pessoa muito comunicativa, com grande sentido de humor – que manteve até ao seu último segundo. Já muito doente, nos seus últimos dias de vida, as irmãs saíram a ‘chorar a rir’ do quarto onde cuidavam dela.

 

Este livro permitiu-lhe conhecer melhor a Irmã Lúcia. Chegou a conhecê-la pessoalmente?

Eu vi-a nessas vindas do Papa João Paulo II a Portugal. Quando foi o dia da beatificação dos pastorinhos, no ano 2000, o meu filho João Maria foi cantar para o Papa dentro da Capelinha das Aparições. Depois fomos visitar a Irmã Lúcia ao Carmelo. Nessa altura estive muito perto dela. As crianças entraram na cela mas eu não quis, porque achei que Lúcia queria ficar rodeada das crianças.

 

A imagem que tinha da Irmã Lúcia mudou durante a sua pesquisa para esta obra?

Sim. Ao pensar na Irmã Lúcia, lembrava-me sobretudo na sua faceta introspetiva, contemplativa. Descobri que era extraordinariamente inteligente e tinha um enorme desejo de aprender. Ela via em tudo a mão de Deus e o facto de não ter podido estudar foi um dos maiores desgostos da sua vida mas que ela, mais uma vez, aceitou e ofereceu. Ao ler muitas coisas escritas por ela, percebi que era uma pessoa com uma grande capacidade de iniciativa, uma líder natural, desde pequenina. Além do mais era muito extrovertida, expansiva e alegre, com um grande sentido de humor. No Carmelo, a Madre superiora apercebeu-se disso e deu-lhe cargos de muita responsabilidade.

 

Enquanto autora, o que pediu ao ilustrador dos desenhos?

O ilustrador, Pedro Rocha e Mello, que é meu sobrinho, estava presente no dia da beatificação dos pastorinhos. Tinha apenas 7 anos mas ficou marcadíssimo. Ele tem o curso de Belas Artes, faz animação e tem um traço muito especial. Pedi-lhe que, aproveitando o texto, escolhesse o que era mais engraçado, divertido e com situações cómicas para ilustrar. Ele próprio teve ali grandes desafios porque não podia inventar as personagens... Teve que se basear no que era a realidade. Teve que estudar como é que as pessoas se vestiam e até os traços de cada um dos pastorinhos. Penso que um dos maiores desafios para a ilustração foi o milagre do sol. Muitas pessoas não têm noção de que os pastorinhos não viram o milagre do sol. No momento em que as cerca de cinco mil pessoas estavam a ver o milagre do sol, os pastorinhos estavam a ter uma aparição maior. Aí pensámos o que havíamos de escolher para a ilustração: pomos as aparições ou pomos o milagre do sol? No mesmo dia, tivemos então a ideia de fazer uma ilustração com o impacto das pessoas que estavam a assistir ao milagre.

 

Qual a atualidade da Irmã Lúcia e da Mensagem de Fátima para a Igreja e para o mundo?

Infelizmente a mensagem é tão atual agora como há 100 anos atrás. Digo infelizmente porque se o mundo tivesse ouvido os apelos da Mensagem de Fátima, e a pusesse em prática, não estaria como está agora. No fundo, a mensagem é, a acima de tudo, um pedido de oração, penitência, sacrifícios oferecidos por amor e tendo em conta algumas intenções específicas, como pela paz nos corações, pela conversão dos pecadores e por aqueles que estão nas garras do mal e em reparação pelos pecados cometidos contra o Coração Imaculado de Nossa Senhora e o pedido de oração pela Igreja e pelo Papa. 

  

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Perfil

Licenciada em História pela Universidade Clássica de Lisboa, Thereza Ameal integra, desde 2001, a direção da Fundação Maria do Carmo Roque Pereira. Pertence ao Movimento Apostólico de Schoenstatt e tem colaborado em várias iniciativas de apoio à vida e organizado peregrinações e retiros espirituais dirigidos a casais em crise e pessoas sem fé ou afastadas da Igreja. Entre outros, é coordenadora e coautora das obras para crianças ‘Nossa Senhora na História de Portugal’, ‘As minhas primeiras Orações’, ‘Orações para todas as ocasiões’, ‘Rezar, cantar e crescer’ e ‘1/3 – Oração Jovem’.

Foi convidada pelo Carmelo de Coimbra para escrever o livro ‘Lúcia – A vida da Pastorinha de Fátima’, que é a biografia oficial da religiosa, editada pela Lucerna. “Este novo livro nasceu de uma maneira engraçada... Porque é que as irmãs, não tendo muito contacto com literatura infantil, pediram-me para escrever esta biografia oficial da Irmã Lúcia? Quando fiz o meu primeiro livro ‘Nossa Senhora na história de Portugal’ levei-o ao Carmelo e disse-lhes que gostava muito que a Irmã Lúcia o visse e que me dissesse o que achava, até porque dois dos contos eram especificamente sobre Fátima. Ela leu esse livro! Penso até que foi o último livro que leu na vida e disse que tinha gostado muito e desejava que todas as crianças de Portugal o lessem para conhecerem melhor Nossa Senhora. Esse livro ficou lá no Carmelo de Coimbra e foi por causa disso que surgiu a oportunidade”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Sobre projetos futuros, Thereza revela que está a preparar o lançamento do quarto livro de orações originais para crianças, com um CD, publicado pela Paulus Editora. “Será um livro simples, destinado a crianças, a partir dos 3-4 anos, até aos 7-8 anos. Penso que está muito giro e o CD será uma grande mais-valia. Estamos a procurar um nome para o livro, por isso, quem pretender, pode dar sugestões. Se algum nome for escolhido, ofereço um exemplar!”, desafiou Thereza Ameal.

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