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“Que a nenhum refugiado seja negado acolhimento”
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O Papa Francisco apelou à construção de “um mundo mais humano”. Na semana em que recebeu o imã da Universidade de Al-Azhar, o Papa lembrou os católicos chineses, dirigiu-se aos diplomatas e criticou os “sanguessugas”.

 

1. “Que a nenhum refugiado seja negado acolhimento”, pediu o Papa Francisco aos participantes da Cimeira Humanitária Mundial promovida pelas Nações Unidas, que decorreu esta semana em Istanbul, na Turquia. A intervenção papal foi lida pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. “Não deve haver famílias sem casa, refugiados sem acolhimento, feridos sem curas, nenhuma criança tenha sua infância subtraída; nenhum homem e nenhuma mulher devem ser privados do futuro, não pode haver idosos sem uma velhice digna. Que este evento seja também a ocasião para reconhecer o trabalho daqueles que servem os seus próximos e contribuem para consolar os sofrimentos das vítimas de guerras e calamidades, dos refugiados deslocados e daqueles que assistem a sociedade, especialmente com escolhas corajosas em favor da paz, do respeito, da cura e do perdão. É desta maneira que vidas humanas são salvas”, escreveu o Papa, sublinhando: “Ninguém ama um conceito, ninguém ama uma ideia, nós amamos as pessoas. O sacrifício de si, a verdadeira doação, brota do amor para com os homens e mulheres, crianças e idosos, povos e comunidades... rostos, aqueles rostos e nomes que enchem os nossos corações”.

Na sua mensagem, Francisco lança ainda um desafio à Cimeira: “Ouçamos o pranto das vítimas e daqueles que sofrem. Deixemos que nos deem uma lição de humanidade. Mudemos o nosso estilo de vida, a política, as decisões económicas, os comportamentos e atitudes de superioridade cultural. Aprendendo das vítimas e daqueles que sofrem, seremos capazes de construir um mundo mais humano”, conclui o Papa.

Mais de 50 líderes mundiais dos quatro continentes e cinco mil intervenientes estiveram presentes nesta Cimeira Humanitária Mundial, debatendo linhas de ação e compromissos concretos comuns com o objetivo de garantir a Agenda para a Humanidade 2030.

 

2. O Papa recebeu, esta segunda-feira, 23 de maio, no Vaticano, o grande imã da Universidade al-Azhar, no Egipto. Ahmad Al-Tayyeb lidera a mais importante instituição do Islão sunita, sediada no Cairo, e este encontro marca o restabelecimento de relações após o corte anunciado em 2011. É mais um passo no diálogo inter-religioso, pela paz e contra o terrorismo.

O encontro foi marcado por mensagens de diálogo e paz, e tem um grande significado no quadro do relacionamento entre a Igreja Católica e o Islão, no diálogo inter-religioso e no esforço pela paz internacional e luta contra o terrorismo. A recusa da violência e do terrorismo foi assunto central do encontro, mas em cima da mesa esteve ainda a situação dos cristãos no contexto dos conflitos e das tensões no Médio Oriente e a necessidade de promover a sua proteção. O encontro, considerado “muito cordial” pelo Vaticano, durou cerca de 30 minutos e terminou com uma troca de presentes e um abraço entre Francisco e o grande imã de al-Azhar.

A Universidade Al-Azhar é das mais antigas e conceituadas no mundo islâmico, tendo sido fundada no século X. O discurso de Bento XVI em Ratisbona, em 2006, levou a uma crise nas relações com o Vaticano e estas foram totalmente abandonadas em 2011 depois de o Papa ter lamentado publicamente a perseguição dos cristãos egípcios, depois de um massacre no dia de Natal, na cidade de Alexandria.

 

3. O Papa Francisco recordou o dia anual de oração pela Igreja Católica na China, a 24 de maio, pedindo a proteção de Nossa Senhora de Sheshan, venerada no país asiático. “Que neste Ano Santo da Misericórdia, os católicos chineses possam, juntamente com os que seguem outras nobres tradições religiosas, tornar-se sinais concretos de caridade e reconciliação”, pediu o Papa, no passado Domingo, 22 de maio, no Vaticano, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus. Francisco desejou a promoção de uma “autêntica cultura do encontro” e a “harmonia de toda a sociedade”, na China. “A harmonia de que o espírito chinês tanto gosta”, acrescentou, de improviso. “Peçamos a Maria que dê aos seus filhos na China a capacidade de discernir em cada situação os sinais da presença amorosa de Deus, que acolhe e perdoa sempre”, realçou.

Ainda no Angelus, o Papa apontou que, com a Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – os cristãos podem ser fermento de comunhão e misericórdia. “A Festa da Santíssima Trindade convida-nos a empenharmo-nos nos acontecimentos do quotidiano para ser fermento de comunhão, de consolação e de misericórdia”, afirmou Francisco, da janela do Palácio Apostólico.

 

4. O Papa recebeu os embaixadores recém-nomeados da Estónia, Malawi, Namíbia, Seychelles, Tailândia e Zâmbia recordando-lhes que “têm a missão humana de cuidar da sociedade e da criação”, especialmente neste momento em que “muitas pessoas no mundo sofrem com conflitos e guerras, migrações e incertezas causadas por problemas econômicos”. “Num mundo polarizado e fragmentado, o dever da solidariedade torna-se sempre mais difícil, porque amedrontadas pelo terrorismo, as pessoas se isolam, temem que os imigrantes possam mudar a sua cultura, a sua estabilidade económica e o seu estilo de vida. Estas preocupações devem ser enfrentadas com sabedoria e compaixão, para que os direitos e as necessidades de todos sejam respeitados e defendidos”, apelou o Papa, num encontro que decorreu no dia 19 de maio.

 

5. O Papa criticou, na Missa a que presidiu, em Santa Marta, no Vaticano, no dia 19, quem enriquece à custa dos direitos e da dignidade dos trabalhadores, que é como uma “sanguessuga”. “Quando se faz riqueza explorando as pessoas, são os ricos que exploram, exploram o trabalho da pobre gente que se torna escrava. Pensemos nos dias de hoje e no que se passa, aqui e em todo o mundo: ‘Quero trabalhar’, ‘Muito bem’. Fazem-lhe um contrato de setembro a junho. Sem hipótese de pensão, sem assistência médica… Em junho, suspendem-no, em julho e agosto, come do ar… e, em setembro, voltam a admiti-lo. Os que fazem isto são autênticas sanguessugas e vivem à custa do sangue que retiram das pessoas que escravizam com trabalho. (…) Isto é pecado mortal”, referiu.

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