Missão |
Elsa Neves, do grupo missionário Ondjoyetu
“Ser-se missionário é para sempre… É dar-se, é gastar-se!”
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Elsa Neves nasceu a 8 de maio de 1981, na paróquia de Casal dos Bernardos, concelho de Ourém, na Diocese de Leiria-Fátima. É licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e no Ramo de Formação Educacional pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, desde 2004, é professora de Português, Latim e Grego, tendo lecionado em várias escolas do norte ao sul do país. É membro do grupo missionário Ondjoyetu, da sua diocese, desde setembro de 2011. Esteve em missão em Angola, de setembro de 2012 a julho de 2013.

 

Apaixonada pela Ciência do Passado

Até ao quarto ano, estudou na Escola Primária da Salgueira, aldeia onde ainda vive. Do quinto ao nono ano estudou no Externato Liceal de Albergaria dos Doze onde diz que se apaixonou “pela Ciência do Passado, fruindo sobretudo da História das Civilizações Antigas, agora de um modo especial pelo Latim, Literatura e Cultura Latinas”. Além de exercer a sua profissão enquanto professora, desde setembro de 2014 que trabalha na Associação Casa Velha-Ecologia e Espiritualidade “dinamizando atividades no âmbito de vários projetos da FEC - Fundação Fé e Cooperação: até janeiro de 2016, no projeto aTerra – Políticas Globais e Estratégias Locais, e atualmente no projeto Juntos Pela Mudança – Por Estilos de Vida Sustentáveis. Na Casa Velha e com a Margarida Alvim (diretora da Associação, bem como coordenadora dos projetos acima referidos) testemunho de vida inspirador e amiga, tenho alargado cada vez mais os meus horizontes quer para o desenvolvimento sustentável, na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna, quer para a simplicidade, silêncio e suavidade de Deus, que passeia entre nós como uma brisa que tudo transforma e liberta”, como partilha.

 

Uma pessoa equilibrada é aquela que pende para um lado só: para o lado de Deus!

Foi batizada a 28 de agosto de 1982, “dia de Santo Agostinho, de quem sou devota e leitora, retirando dos seus escritos aquele que é o meu lema de vida e que Cristo levou até ao limite: A medida do amor é amar sem medida”. Os seus pais são pessoas de fé, atentos e dedicados aos filhos e empenhados na sua formação, “sobretudo na vivência de valores humanos e espirituais”. “A partir de um pequeno brinquedo musical, comprado numa lojinha do santuário de Fátima, cresceu em mim o desejo de aprender a tocar órgão. Mais tarde, começo as aulas de música e, em janeiro de 1993, a convite do meu pároco, inicio uma missão que abraço até hoje com seriedade e paixão: a de organista litúrgica”, partilha. Em 1997 recebeu o sacramento do crisma e em 2002 a “bênção de ser madrinha de batismo” do seu sobrinho. Sentia-se seduzida pela missão ad gentes desde a sua adolescência e mais tarde veio a confirmar aquilo que, de certa forma, já sabia e sentia: “este desejo que estava no meu coração não era só meu… era também o de Deus. E como é bom quando sentimos que os nossos planos são os d’Ele. De coração aberto e profundamente agradecida por tudo o que tinha e tenho, aceitei alargar o espaço da minha tenda, sempre com a certeza de que bem trabalha quem serve mais ao próximo e ao bem comum do que à sua própria vontade. O missionário deixa a sua família, os seus amigos, o seu trabalho, e ruma a outro país, a outro continente, para ajudar um povo que não conhece. Será o enviado uma pessoa equilibrada? Mas o que é uma pessoa equilibrada? Aquela que pende para um lado só: para o lado de Deus!”

 

“Trouxe, sem dúvida, muito mais do que aquilo que consegui dar!”

Em setembro de 2011 integrou o grupo missionário Ondjoyetu e um ano depois partiu em missão para Angola, para as montanhas do Gungo, Diocese do Sumbe, “terra recôndita e até por alguns considerada inóspita, à qual chegamos por vias sinuosas, lamacentas e repletas de valas desenhadas pela água da chuva. Mas este povo sabe que não está sozinho: a equipa missionária é um sinal de que Deus não o abandona”, como nos diz. Sobre a sua missão, partilha connosco: “Na Missão de S. José do Gungo, trabalhei de um modo especial em três frentes: Pastoral da Criança, atividades com Crianças e Pastoral Juvenil. Na área da Pastoral da Criança colaborei na formação e apoio a voluntários nativos – os líderes da Pastoral da Criança - que se disponibilizam para acompanhar quer gestantes quer famílias com crianças até aos 6 anos, dando-lhes conselhos básicos de saúde, nutrição, educação e cidadania. Juntamente com as respetivas famílias, diagnosticam dificuldades e problemas e procuram soluções para estes. Quanto às crianças, precisamente, colocamos em prática atividades de carácter lúdico-pedagógico que as estimulem a nível intelectual, artístico, pois no Gungo a escolaridade é muito reduzida, pouco sistemática e organizada, e não chega a todas aldeias. Os momentos que passamos com estas pessoas de palmo e meio – muitas vezes carentes de cuidados básicos – pululam de sorrisos e gargalhadas que irrompem de uma Alegria pura: “Quem a Deus tem nada lhe falta” (Santa Teresa de Ávila). Relativamente à Pastoral Juvenil, colaborei na dinamização de diversos encontros, nos quais diagnosticamos e procuramos resolver os problemas inerentes à Pastoral Juvenil e à vida comum dos jovens. Comunguei e comungo das alegrias e esperanças deste povo, das suas tristezas e angústias, trabalhando juntos na instauração de melhores condições de vida, no estímulo da confiança na sua própria capacidade de iniciativa criadora. Levando a luz e o estímulo para o verdadeiro progresso, rezamos igualmente para que se crie nos governantes e em todas as entidades políticas a consciência de que chegou o momento de nos tornarmos todos realmente irmãos uns dos outros e não só de uns poucos. Quem passa pelo Gungo, quem passa pela experiência de Missão, não é mais o mesmo. Também nós, missionários, somos evangelizados e crescemos na Fé com este povo humilde e bom. De regresso a Portugal trouxe, sem dúvida, muito mais do que aquilo que consegui dar, apesar da total entrega do que sou e sei. O Gungo fica em nós. A Missão fica em nós. E continua a transformar-nos. Ser-se missionário é para sempre. É deixar um rasto de Deus aonde quer que vamos. É dar-se, é gastar-se. É isso que dá sentido à nossa vida, à vida de um cristão: levar os homens a Cristo, levá-los a uma comunhão íntima com Aquele que é a Vida em abundância”.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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