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IV Congresso Eucarístico Nacional
“A missão nasce da comunhão e nela se alimenta”
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O enviado especial do Papa Francisco ao IV Congresso Eucarístico Nacional, D. João Braz de Aviz, refletiu sobre o mistério da Santíssima Trindade e destacou a “experiência pessoal e eclesial da Eucaristia” como sinal de “amor e misericórdia no coração da Igreja”. Com o tema ‘Viver a Eucaristia, fonte de misericórdia’, o congresso reuniu, em Fátima, cerca de 750 participantes.

 

A ligação entre Fátima, Eucaristia e Misericórdia é “muitíssimo acertada” e este Congresso Eucarístico constitui um “relançamento” da Mensagem de Fátima no seu segundo século, sublinhou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, no encerramento da quarta edição do Congresso Eucarístico Nacional, que decorreu em Fátima, nos passados dias 10, 11 e 12 de junho. Promovido pela Conferência Episcopal Portuguesa, pelo Apostolado da Oração e pelo Santuário de Fátima, o congresso reuniu os Bispos de Portugal, sacerdotes, consagrados e consagradas e inúmeros leigos de todo o país, além do enviado especial nomeado pelo Papa Francisco, o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica da Santa Sé, D. João Braz de Aviz. Na sua intervenção, que decorreu na tarde do dia 11 de junho e teve como tema ‘A misericórdia na missão da Igreja’, o cardeal brasileiro começou por recordar as palavras do Papa Francisco na carta da sua nomeação como enviado ao congresso para partilhar com os presentes “experiências pessoais” da sua “relação com Deus na Eucaristia”. “O facto de ser padre e também Bispo, proporciona a muitos de nós uma relação particular com Jesus na Eucaristia, através da celebração diária da Santa Missa. Para mim, esse momento tem sido fonte constante de energia, de consolo e alegria. O sacrifício de Jesus Cristo, oferecido por todos, renova em mim a consciência de que sou parte da Igreja e por ela sou chamado a oferecer esse grande mistério da fé que tem a força de construir e de restaurar a unidade da Igreja”, referiu o prelado. O segundo aspeto partilhado pelo cardeal, de 69 anos, revela uma “maior fidelidade” nas “visitas a Ele”. “Nos diálogos que consigo entabular com Ele estou também tomando a consciência de algum aspecto particular desse mistério, sobretudo de seu significado de amor completo por nós”, referiu D. João Braz de Aviz, lembrando-se também do testemunho das quatro religiosas, Irmãs Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, que moram no seu apartamento, em Roma: “No centro do carisma delas está a Eucaristia e, por isso, fielmente, todos os dias, elas realizam uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, sendo que a maior parte desse tempo passam em silêncio e de joelhos. Confesso que essa fidelidade delas é para mim um estímulo forte também para a minha união com Ele”.

 

Experimentar o amor

Perante os 750 participantes, que estiveram presentes no Salão Bom Pastor do Centro Pastoral Paulo VI, o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica propôs “um olhar mais de perto sobre o mistério da encarnação e sobre o mistério pascal do Senhor”, com o objetivo de “iluminar” a  “experiência pessoal e eclesial da Eucaristia como amor e misericórdia no coração da Igreja”. Face a um “antropocentrismo desordenado”, isto é, um sistema que considera o homem como o centro do universo – e tantas vezes denunciado pelo Papa Francisco – a resposta reside em fazer coincidir, em cada um, “a experiência de Deus” com o “seu ser misericórdia e amor”, declarou o cardeal brasileiro, sustentando com o aprofundamento de “algumas dimensões da antropologia cristã”.

Falando do “Mistério da Santíssima Trindade”, D. João Braz de Avis afirmou que “somente experimentando o amor podemos compreender que Deus tenha tomado a iniciativa de se tornar carne, tornar-se humano, na pessoa do Filho, em Jesus de Nazaré, o filho da Virgem Maria”. “É o Amor Aquele que vem em busca da sua criatura afastada pelo pecado, para retomar para si o que é seu. (...) Com a vinda do Filho, entendemos que o amor não é solidão e sim comunhão. (...) Ele tem um Pai que é Deus como Ele. Ele revela-nos e comunica-nos também o Espírito Santo que é Deus como Ele e o Pai. Por isso, Três que são o amor não formam três solidões. Ao contrário, os Três diferentes e bem individualizados, cada um como pessoa, difere do outro, e, ao mesmo tempo, forma com o outro uma única unidade em perfeito equilíbrio”, sublinhou.

Referindo-se depois à “graça da filiação divina”, que é “a que dá ao homem e à mulher a sua maior e única dignidade humana”, o cardeal exortou a “arregaçar as mangas” para mudar as “velhas e falidas atitudes pessoais, herdadas de uma cultura contrária ao Evangelho”. “Nós, bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, famílias e todos os discípulos de Jesus hoje, somos chamados a essa necessária mudança interior para tornar possível as mudanças exteriores”, apelou. Nesse sentido, o enviado do Papa Francisco considerou que o “desafio para experimentar Deus-Amor, para experimentar o Seu Amor, passa pela reconstrução da relação com a pessoa que está diante de nós. Sem isso, segundo Jesus, não há experiência de Deus”, considerou.

 

Resposta ao amor

Na última parte da sua intervenção, no IV Congresso Eucarístico Nacional, D. João Braz de Aviz afirmou que “para compreender o Amor e para experimentar os seus efeitos no homem e na mulher, a ponto de fazê-los experimentar a felicidade, não é suficiente elaborar um correto sistema de ideias – por mais bem construído que esteja (...). É preciso, porém, partir do supremo mistério da Santíssima Trindade”. Para esse aprofundamento sobre o que é o Amor, o prelado considera que a melhor maneira de o fazer é “observar o modo de agir de Deus Pai quando envia o seu Filho na encarnação do Verbo, no seio da Virgem Maria”.

Lembrando depois os escritos Paulinos, na carta aos Filipenses (2, 5-11) onde o Apóstolo fala de um “‘abaixamento’, de um esvaziamento do Filho para poder encontrar a pequenez do homem e da mulher”, o cardeal brasileiro considerou que “somente o Amor é capaz de um tal movimento inusitado e, aparentemente, contraditório. (...) Nesse percurso, é o amor de Deus que se manifesta diante do homem e da mulher do modo mais completo e radical, chegando ao ponto do ‘abandono’ e da morte de Jesus na cruz”. Este “mistério insondável de dor e de amor do mistério pascal” que se tornou no “ato de obediência perfeito”, “modelo do mais perfeito amor”, deve ser “vivido pelo homem e pela mulher diante de Deus, como resposta incondicional de amor e, ao mesmo tempo, vivido com a mesma intensidade e qualidade diante de cada pessoa humana”, afirmou o cardeal D. João Braz de Aviz, concluindo que “o Amor, que é reciprocidade entre as Pessoas da Santíssima Trindade, se faz reciprocidade entre os discípulos, e gera a presença do Senhor entre eles. Desta forma compreendemos como a missão nasce da comunhão e nela se alimenta”.

 

O sacrário como escola

Após os congressos de Braga, em 1924, 1974 e 1999, o IV Congresso Eucarístico Nacional decorreu em Fátima, no contexto do Ano Jubilar da Misericórdia e no âmbito das celebrações do centenário das Aparições. Uma das conferencistas, a irmã Ângela Coelho, postuladora da causa dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, na conferência intitulada ‘A Eucaristia na Mensagem de Fátima’, começou por falar da forma como a Mensagem se tornou presente na vida dos pastorinhos. “Quando falamos de Mensagem de Fátima, ultrapassa o espaço físico e cronológico. Na vida dos três pastorinhos, é possível resumir a Mensagem de Fátima”, garantiu. As aparições, em 1916, “tiveram como ponto de partida as palavras do Anjo: ‘Não temais’, e logo aí, nesse primeiro encontro há um apelo profundo e sério”.

Na conferência do dia 11 de junho, dia do aniversário de Francisco Marto, um dos três pastorinhos de Fátima, a irmã Ângela congratulou-se pela “feliz coincidência” de falar da Eucaristia na comemoração da vida do pastorinho para quem “o sacrário foi a sua escola”. “O Francisco tem um traço eucarístico na sua espiritualidade, pelo seu enorme amor a ‘Jesus escondido'. A vocação do Francisco é consolar Jesus”, afirmou a postuladora da causa dos pastorinhos. A religiosa considerou ainda que Fátima “do início ao fim é Eucaristia”, porque existe um convite “a colocar a nossa vida no coração de Deus, para que Ele a conduza”.

  

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Compreender a Mensagem de Fátima pela “misericórdia divina”

Na sessão de abertura do IV Congresso Eucarístico Nacional, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) começou por recordar a Mensagem de Fátima pelos escritos de Lúcia (‘Irmã Lúcia – Como vejo a Mensagem através dos tempos e dos acontecimentos’, Carmelo de Coimbra), em 1983, considerando-os uma “preciosa contribuição” para o entendimento do “significado das coisas”. Para D. Manuel Clemente, esses escritos concluem que, em Fátima, os pastorinhos “foram convidados a uma participação eucarística total”. “Pois, recebendo a Cristo, compartilharam também a sua misericórdia, para reparar uma humanidade tão afastada de Deus como de si própria, no que deve ser. Reparar a Deus e reparando pelos outros, numa existência entregue e devolvida”, salientou o presidente da CEP, reforçando: “Só compreenderemos bem a Mensagem de Fátima quando nos colocarmos inteiramente do lado da misericórdia divina, com Maria e os Pastorinhos. Dando a vida por quem a perde, como Cristo ‘por nós e por todos, para remissão dos pecados’”.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Santuário de Fátima
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