Missão |
Vasco Pinto Coelho, da Comunidade de Vida Cristã e da Missão País
“Há um mundo melhor do qual todos podemos fazer parte!”
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Vasco Pinto Coelho nasceu em Lisboa, a 28 de novembro de 1990. É licenciado em Design pelo IADE – Creative University. Atualmente, frequenta um curso de pintura na arte ilimitada enquanto aguarda a entrada no mestrado em Belas Artes. Faz parte de uma Comunidade de Vida Cristã e da Missão País.

 

JMJ: ponto de viragem

Considera que o principal marco da sua vida pessoal foi o seu ponto de viragem religiosa nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em Madrid, em 2012. “Para se perceber, tenho de voltar à secundária onde me apaixonei pela arte de pintar paredes, os grafitis. O desafio de se pintar sem que ninguém me visse ou reconhecesse chamava por mim. Era tentador na altura não só pela idade de adolescência em si ou o respeito que era proclamado mas também pela adrenalina de não ser apanhado! Se o fosse, tinha uma noite reservada na esquadra, uma multa em casa e pais não muito contentes. À medida que o tempo passa, vamos entrando mais fundo, tanto no melhor como no pior, cabe a nós escolhermos e eu escolhia aquele segundo mundo. No 12º ano já fazia muita coisa que o normal dos piores não fazia. E foi piorando. Entrei para uma “crew” de graffiti, e como um mal nunca vem só esses amigos trouxeram também outras atividades ilegais. Na altura, tudo isto fazia com que fosse respeitado nas ruas, era engraçado ver os meus dois mundos juntos quando ia beber um copo, a reação de uns e a paralisação de outros. Embora viesse de uma família perfeitamente normal e com educação católica, estava cego pelo poder de afugentar pessoas nas ruas quando estava com eles, o sentimento de ser temido era cada vez maior. Passei noites a pintar paredes em Lisboa, Sintra, Sacavém, Amadora, linhas de comboio e até mesmo as autoestradas... Era isto que achava que me preenchia por dentro sem querer dar atenção ao que estava à minha volta. No verão de 2011, a minha mãe, o meu pai e o meu irmão insistiram para que fosse às JMJ. Confesso que na altura achei patético, no entanto era a melhor forma de apaziguar o meu comportamento e até as minhas notas! Era da maneira que me poupava de um futuro castigo sério, e tinha também alguns amigos que vinham comigo, por isso era juntar o útil ao agradável e por supuesto Madrid! E foi uma semana muito boa, mas só no dia antes de voltarmos, em Cuatro Vientos é que se fez um pequeno barulho. Lembro-me de olhar à minha volta e pensar: “como é que é possível estarem tantas pessoas da minha idade a olhar para um velho?” Esse velho era o Papa. Isso não só mexeu no meu interior como permaneceu cá dentro. Cheguei a Lisboa com o coração num pico estranho de Fé, que embora tivesse tido catequese quando era criança, não havia espaço para Deus”, partilha.

 

Uma semana a espalhar a alegria do Evangelho!

Em fevereiro de 2012 participou nas missões universitárias da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (FAUL), “um projecto da Missão País para as várias faculdades, desde Lisboa, Coimbra, Porto e Braga que consiste num grupo de jovens católicos que vai uma semana espalhar a alegria do Evangelho às várias aldeias e vilas do País. Uma semana de verdadeiro apostolado e acção social! Na altura não sabia o que era e o meu irmão, que acabou por me convencer, disse-me apenas que iam cerca de 50 jovens a essa missão e que era uma boa semana para fazer novas amizades enquanto se ajudava os outros”, diz-nos. Essa semana marcou o seu percurso e a sua relação com Jesus: “Nessa semana as crianças da escola, os idosos do lar, a bondade que se podia respirar no ar, as conversas com os outros missionários e as perguntas ao Padre levaram-me para uma autoestrada onde o fim é Jesus. As conversas com o Padre Hugo Gonçalves (o Padre da missão) levaram-me a ter conversas com ele em Lisboa, como dois bons amigos, de igual para igual, sobre a Fé e a vida em geral assim que a missão acabou. Acabei, passo a passo, por ir deixando aquele segundo mundo. Ao aproximar-se a Quaresma fui com uns amigos até ao CUPAV (Centro Universitário Padre António Vieira) para o PEQ (Plano Espiritual da Quaresma), onde conheci os Jesuítas e a sua proposta de oração para a minha geração. Fiz o crisma em 2012, um marco muito importante na minha vida. E no final desse ano entrei para uma CVX (Comunidade de Vida Cristã), no CUPAV. Um grupo onde é feita uma proposta de oração de 15 em 15 dias com reunião e partilha de cada pensamento vivido ao longo dos dias. Em 2013 um amigo meu convidou-me para fazer parte de um projecto de voluntariado das Escravas do Sagrado Coração de Jesus no bairro da Bela Vista em Setúbal. Um fim-de-semana por mês em que a nossa atenção, serviço e caridade é virada unicamente para miúdos dos 6 aos 14 anos que têm uma sede de amor imensa, embora cada um deles, ao seu jeito, tente mostrar que é o mais forte do bairro. Achei curioso quando entrei, estar ali no meio, antes eu queria ser um deles, o mais respeitado do bairro, (no meu caso na cidade) e agora, Jesus tinha-me levado para lá, para um bairro onde a pobreza está mais do que ao alcance de quem olhe, para assim poder eu começar a partir pedra e mostrar que realmente há um mundo melhor do qual todos podemos fazer parte. Uma das coisas que aprendi é que não pode haver o melhor de dois mundos, há apenas um mundo em que Jesus se faz presente e a partir daí, o que for o melhor, virá ao de cima”.

 

“Com Ele, é possível TUDO!”

Hoje em dia continua a fazer parte da CVX, no grupo da Bela Vista, é animador de campos de férias, faz parte de alguns projetos católicos enquanto designer e é membro da Missão País. A oração passou a ser parte da sua rotina diária. “Acordo a pensar o que é que Deus me pede para cada dia e como é que Jesus o faria. E vejo em tudo na minha vida, quer seja pelos meus amigos, na minha família, na minha relação de namoro que me tem promovido a Deus, nos projectos que tenho em mão, os quadros que pinto e nos sentimentos que vão surgindo ao de cima. Com Ele, é possível tudo, TUDO!”

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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