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Os “outros” jovens que também vão participar nas JMJ
Os ausentes de Cracóvia
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As Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) estão quase, quase a começar. A excitação, para os que vão estar na Polónia, é enorme. No entanto, apesar de não terem feito as mochilas e de não estarem a viver a agitação dessa grande viagem, há seis jovens que vão acompanhar a par e passo tudo o que irá acontecer em Cracóvia, na Polónia. Eles vão ser os ausentes mais presentes de todos. Parece estranho?

 

Annette, Carlos, Michal, Majeda, Martin e Alex estão desejosos de que chegue o dia 26 para o arranque das Jornadas Mundiais da Juventude. No entanto, eles não vão estar presentes entre os milhões de outros jovens cristãos que vão participar neste encontro magnífico. Ou por opção pessoal ou por serem muito pobres, todos vão acompanhar, à distância, as JMJ. Mas eles decidiram partilhar uma mensagem de amizade, um “olá”, aos que vão este ano até Cracóvia e a todos os outros que, como eles, só irão acompanhar as Jornadas através da internet, das televisões e dos jornais. Fizeram-no com a Fundação AIS, gravando uma mensagem de apenas 60 segundos. Estes pequenos filmes são desarmantes pois revelam, cada um à sua maneira, um pedaço da nossa própria humanidade. Pois somos frágeis e gigantes ao mesmo tempo.

 

“A vida não é fácil”

Annette tem 26 anos e vive na Papua Nova Guiné. É professora. A vida não é fácil. O magro ordenado não chega e Annette tem de cultivar uma pequena horta e vender os produtos no mercado. Quando lhe falaram nas JMJ, a resposta foi apenas um sorriso. “Não podemos ir. Nunca saí do meu país e é-me muito difícil imaginar como chegar” à Polónia. Tal como Annette, também Carlos não vai sair de casa na próxima semana, nos dias que transbordarão de alegria em Cracóvia. Tal como Annette, também é por falta de dinheiro que Carlos vai ficar em casa, em Cuba, onde vive e trabalha. Com a alegria contagiante dos cubanos, Carlos explica como ganha a vida, conduzindo uma moto-táxi, “a minha empresa unipessoal”, e como precisa também de ajudar os pais. A vida não é fácil. Mas se ir até à Polónia está fora de causa, nada disso vai impedir Carlos de organizar as “suas” próprias jornadas. “Não podemos ir, pois nenhum de nós tem dinheiro, passaporte, visto, etc., Mas nunca desistimos: Decidimos organizar em Havana um evento com actividades similares. Estamos a ir de porta em porta, convidando todos a juntarem-se à nossa celebração. Para nós, a Igreja é um lugar de culto, um lugar para nos alegrarmos com Jesus.”

Alex é outro dos jovens que decidiu oferecer o seu testemunho à Fundação AIS. Ele vive em Nairobi, a grande capital do Quénia. Apesar dos enormes arranha-céus da cidade, Alex mora nos subúrbios, num dos imensos bairros de lata, com ruas enlameadas e estreitas, cheias de pessoas que sempre viveram por ali. Alex trabalha numa oficina. É mecânico. Alex estudou nos Salesianos e com eles aprendeu que o melhor tesouro que se pode ter na vida é a fé. E a amizade. “Gostaríamos de estar convosco nas JMJ. Mas não podemos porque somos pobres”.

 

Missão: ajudar!

Obrigado a fugir da aldeia onde morava, Martin é hoje um refugiado entre refugiados no seu próprio país, no Iraque. Martin poderia estar agora a viver nos Estados Unidos, onde tem família, mas decidiu ficar. Afinal, faltam já poucos meses para ser ordenado sacerdote e é ali, entre o seu povo, que se sente bem. “Todos os dias estou com pessoas nos campos de refugiados. Ajudo-os a viver uma vida normal e ensino-os a perdoar quem os oprimiu. E a não perderem a esperança e a fé. Poderia estar convosco em Cracóvia, mas decidi ficar. Tenho de estar aqui com o meu povo.”

Majeda é uma jovem feliz. O sorriso permanente no rosto não engana. Ela vive em Nazaré, “a cidade onde Jesus viveu, quando tinha a minha idade”. Tudo por ali está cheio de significado e enche os dias de Majeda de uma alegria que transborda. Ela fala disso no filme, como se fosse um guia turístico. “Foi aqui que o Anjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe de Jesus. Aqui, é provavelmente a casa da Sagrada Família e esta é a minha casa. Sinto que eles poderiam ser meus vizinhos…” O filme continua na brevidade dos seus 60 segundos. Majeda é enfermeira. Ao contrário de Carlos, Annette e Alex, não é por falta de dinheiro que não vai até Cracóvia. É mesmo por opção. “Gostaria muito de estar convosco nas JMJ com os meus amigos, mas não posso. Estou a ajudar os refugiados que fugiram da guerra. Este é o meu dever, ajudar aqueles que gritam por socorro”.

 

“…eles precisam de mim”

Ao contrário de Majeda, Michal vai estar na próxima semana na Polónia. Aliás, já lá se encontra e por lá vai continuar mesmo depois das JMJ. Michal é polaco e gostaria muito de se encontrar com o Papa Francisco. Apesar de tudo isso, também não vai participar nas Jornadas. A razão é simples e Michal explica-o com um sorriso bondoso, transparente, que vai até ao fundo da sua alma. Ele vive numa Comunidade que acolhe pessoas com deficiência mental. Para Michal não são “pessoas com deficiência mental”. São amigos e têm nome. São o Adam, o Rafal, a Alicja, a Ola, o Marek e a Magda… É por eles que Michal não vai juntar-se à multidão que vai acolher o Santo Padre. “Não posso. Escolhi ficar com os meus amigos, porque eles precisam de mim.”

Annette, Carlos, Alex, Martin, Majeda e Michal não vão estar presentes nas Jornadas Mundiais da Juventude mas garantem, através da mensagem – do abraço – que gravaram com a Fundação AIS, que vão estar ao lado de todos os outros, acompanhando-os com as suas orações, as suas lágrimas e sorrisos. Com a sua fé. Calcula-se que as JMJ deste ano juntem cerca de 2 milhões de jovens na Polónia. Na verdade, serão muitos mais…

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