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“Que não haja descartados da vida humana”
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O Papa Francisco falou ao congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia. Na semana em que criou uma estrutura para promover o “desenvolvimento humano integral”, o Papa anunciou o desejo de visitar as vítimas do sismo em Itália e escolheu o tema para o 50° Dia Mundial da Paz. Bento XVI garantiu que a “obediência” ao seu sucessor “nunca esteve em causa”.

 

1. O Papa discursou, em Roma, no congresso promovido pela Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) para pedir maior atenção no acesso aos cuidados de saúde para as vítimas da “cultura do descarte”. “Que não haja descartados da vida humana nem da plenitude da vida humana”, pediu Francisco, perante especialistas de 140 países reunidos pela SEC, organização presidida pelo médico português Fausto Pinto. A intervenção deixou elogios ao trabalho de investigação e de tratamento médico, deixando votos de que todos possam ter “alívio da dor, maior qualidade de vida e acrescido sentido de esperança”.

O presidente da SEC, Fausto Pinto, dirigiu uma saudação ao Papa, na qual recordou que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, frisando o propósito comum, com o Vaticano, de “ajudar as pessoas em necessidade”, “aliviando o sofrimento e promovendo estilos de vida saudáveis”. O responsável apelou à aposta na prevenção para enfrentar uma “crise de saúde pública”, esperando que a visita do Papa ajude a despertar consciências. “Obrigado pelo seu apoio a esta luta sem fronteiras”, concluiu.

 

2. O Papa anunciou a criação de uma nova estrutura na Cúria Romana, dedicada ao “desenvolvimento humano integral”, que vai integrar quatro conselhos pontifícios, a partir de 1 de janeiro de 2017. O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral vai ser presidido pelo cardeal ganês Peter Turkson, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz e passa a integrar também os conselhos pontifícios ‘Cor Unum’ (ação caritativa), Pastoral da Saúde e Migrantes/Itinerantes.

O ‘Motu Próprio’ (decreto pessoal do Papa) que institui o dicastério foi publicado esta quarta-feira, 31 de agosto, juntamente com o estatuto do novo organismo. “Em todo o seu ser e agir, a Igreja está chamada a promover o desenvolvimento integral do homem à luz do Evangelho”, escreve Francisco. A 17 de agosto, o Papa tinha anunciado a criação uma nova Congregação na Cúria Romana para as áreas “Leigos, Família e Vida”.

Ainda na quarta-feira, o Papa saudou o histórico acordo de paz entre o governo de Bogotá e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que coloca fim a mais de 50 anos de conflitos armados na Colômbia, alcançado na semana passada. O Vaticano anunciou que o Papa declinou o convite de nomear um representante para o processo de paz na Colômbia, por considerar “mais apropriado” que essa missão seja confiada a “outras instâncias”.

 

3. O Papa anunciou a intenção de visitar as populações atingidas pelo sismo de dia 24 de agosto, na região central da Itália, e agradeceu a onda de solidariedade que se criou após o desastre natural. “Assim que for possível, também eu espero ir ao vosso encontro, para levar-vos pessoalmente o conforto da fé, o abraço de pai e irmão, e o apoio da esperança cristã”, disse Francisco, na Praça de São Pedro, no passado Domingo, dia 28, perante milhares de pessoas.

O Papa Francisco quis “renovar” a sua “proximidade espiritual” aos habitantes das regiões da Úmbria, Marcas e Lácio, “duramente atingidas” pelo terramoto. “Penso em particular nas pessoas de Amatrice, Accumoli, Arquata del Tronto, Nórcia: mais uma vez, digo a estas queridas populações que a Igreja partilha o seu sofrimento e as suas preocupações. Rezemos pelos defuntos e os sobreviventes”, declarou, deixando palavras de elogio à ação das autoridades, forças da ordem, proteção civil e voluntários, recordando “quão importante é a solidariedade para superar provações tão dolorosas”. Francisco saudou ainda todos os voluntários que prestam serviço em refeitórios sociais, “dando de comer” a pessoas em necessidade, para difundir a “cultura da gratuidade”.

O Papa terminou lembrando que no dia 1 de setembro se iria celebrar o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, iniciativa de carácter ecuménico. “Será uma ocasião para reforçar o compromisso comum para salvaguardar a vida, respeitando o ambiente e a natureza”, antecipou.

 

4. O Papa Francisco escolheu ‘A não-violência: estilo de uma política para a Paz’ como tema da sua mensagem para o 50° Dia Mundial da Paz, que se celebra a 1 de janeiro de 2017. “O Santo Padre deseja indicar um passo seguinte, um caminho de esperança apropriado às circunstâncias históricas presentes: chegar à solução das controvérsias através das negociações, evitando que elas degenerem em conflito armado”, avança a Sala de Imprensa da Santa Sé, em comunicado.

A Santa Sé realça que a expressão “não-violência” pode assumir “um significado mais amplo e novo”. “Não apenas aspiração, inspiração, rejeição moral à violência, às barreiras, aos impulsos destruidores, mas também método político realista, aberto à esperança”, pode ler-se. Recordando aquilo a que o Papa chama “III Guerra Mundial aos bocados”, a nota refere que “a violência e a paz estão na origem de dois modos opostos de construir a sociedade”. A mensagem de Francisco vai propor “um método político fundado na primazia do Direito”. “A ‘não-violência’, entendida como método político, pode constituir um meio realista para superar os conflitos armados”, sustenta o Vaticano.

 

5. O Papa Emérito Bento XVI agradece a “benevolência” com que o atual Papa o tem tratado e garante que a obediência ao seu sucessor “é indiscutível” e que “nunca esteve em causa”. Em entrevista ao ‘La Republica’, o Papa Emérito refere que desde o primeiro momento ficou “profundamente sensibilizado” pela “extraordinária disponibilidade humana” de Francisco, que lhe telefonou assim que foi eleito. Entre ambos existe uma relação “maravilhosamente paterna-fraterna. Aquilo que [Francisco] diz em relação à disponibilidade para com as outras pessoas não são só palavras: coloca-o em prática comigo”, sublinha.

Sobre a renúncia ao pontificado, Bento XVI revela que tomou a decisão depois da viagem que fez ao México e a Cuba, em 2012. Diz que experimentou nessa altura “os limites” da sua resistência física, e teve a consciência clara de que não seria capaz de ir no ano seguinte à Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.

Aura Miguel, jornalista da Rádio Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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