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Papa rejeita uso do nome de Deus para justificar violência
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O Papa Francisco sublinhou a importância de distinguir as “imagens de Deus”. Na semana em que foi anunciado que o Papa vai falar aos líderes da economia mundial, Francisco canonizou Madre Teresa de Calcutá, pediu ao mundo “sinais concretos de solidariedade” e condenou “os pecados contra a Criação”.

 

1. O Papa Francisco rejeitou as visões religiosas que usam o “nome” de Deus para justificar a violência e convidou os católicos a “transformar o mundo”, inspirados pela sua fé. Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a audiência-geral de quarta-feira, 7 de setembro, Francisco alertou para os que “reduzem Deus a um falso ídolo” e “usam o seu santo nome para justificar os próprios interesses, até mesmo o ódio e a violência”.

A intervenção sublinhou a importância de distinguir as “imagens de Deus” construídas por alguns da sua “real presença” na humanidade. O Papa observou que algumas pessoas desenvolvem uma fé que “reduz Deus ao espaço limitado dos próprios desejos e das próprias convicções”. “Mas esta fé não é conversão ao Senhor que se revela; pelo contrário, impede o Senhor de provocar a nossa vida e a nossa consciência”, advertiu. Para outros, prosseguiu, Deus é “um refúgio psicológico” no qual encontram segurança nos momentos difíceis. “Trata-se de uma fé dobrada sobre si mesma, impermeável à força do amor misericordioso de Jesus que conduz em direção aos irmãos”, precisou. “Outros ainda consideram Cristo somente como um bom mestre de ensinamentos éticos, um entre tantos outros na história. Finalmente, há quem sufoque a fé numa relação puramente intimista com Jesus, anulando assim o seu impulso missionário, capaz de transformar o mundo e a história”, acrescentou.

Após saudar os peregrinos, Francisco evocou a figura de Madre Teresa de Calcutá, a nova santa da Igreja. “Caros jovens, tornai-vos como ela artesão da misericórdia”, desejou, pedindo ainda que “não faltem nunca nas famílias o cuidado e a atenção aos mais fracos”.

 

2. O Papa Francisco vai receber, em Roma, vários responsáveis económicos mundiais, numa iniciativa da revista ‘Time’ sobre economia global e desenvolvimento. Num comunicado publicado dia 6 de setembro, a publicação explica que este fórum global vai ter lugar na capital italiana nos dias 2 e 3 de dezembro, culminando com “uma audiência especial com o Papa Francisco, no Vaticano”. Presentes vão estar os diretores-gerais das 500 empresas mais bem-sucedidas do momento, membros da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista ‘Fortune’, e vários líderes económicos, académicos e religiosos.

Durante o fórum, vão estar em cima da mesa diversas questões que preocupam a comunidade internacional, desde a eliminação da pobreza à criação de emprego, passando pela crise de refugiados e a busca de prosperidade para todas as nações. O Papa Francisco é destacado como uma figura que “tem abordado com regularidade” estas questões, “apontando para a crescente desigualdade” e “criticando a ditadura de uma economia impessoal e desprovida de um objetivo verdadeiramente humano”.

 

3. Após a celebração da Missa onde canonizou Madre Teresa de Calcutá, no passado Domingo, 4 de setembro, Francisco agradeceu aos fiéis presentes na Praça de São Pedro, provenientes de diversas partes do mundo, de modo particular às “Missionárias e Missionários da Caridade que são a família espiritual de Madre Teresa”. “Que a vossa fundadora vos conceda a graça de permanecerdes sempre fiéis a Deus, à Igreja e aos pobres”, salientou, no Angelus.

“Neste momento, quero recordar todos aqueles que dedicam a sua vida ao serviço dos irmãos em contextos difíceis e perigosos. Penso especialmente, em tantas religiosas que se entregam completamente e sem nunca se pouparem, ao serviço dos outros”, rezou o Papa.

 

4. O mundo precisa de “sinais concretos de solidariedade”, especialmente diante da indiferença e individualismo, defendeu o Papa Francisco, no passado sábado, dia 3 de setembro, na audiência do Jubileu dos Operadores e Voluntários das Misericórdias, no Vaticano. O Papa lembrou que a misericórdia de Deus “não é uma ideia bonita, mas uma ação concreta”, e que o mundo “exige pessoas capazes de opor-se com as suas vidas o individualismo: pensar só a si mesmo, ignorando os irmãos em necessidade”. Francisco considera que “mesmo a misericórdia humana não é autêntica enquanto não alcança a concretização no seu agir diário”.

Nesta celebração, onde participaram delegações da União das Misericórdias Portuguesas e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Papa falou da importância do voluntariado e do seu serviço grande e variado no mundo. “A credibilidade da Igreja passa de forma convincente através do vosso serviço com as crianças abandonadas, os doentes, os pobres sem comida e trabalho, os idosos, os sem-abrigo, os prisioneiros, refugiados e migrantes, as pessoas afetadas por desastres naturais. Enfim, onde quer que exista um pedido de ajuda, ali chega o vosso testemunho ativo e desinteressado”, declarou Francisco.

 

5. No Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, Francisco apelou a um “sério exame de consciência” dos católicos para que saibam reconhecer “os pecados contra a Criação”. O Papa considerou, no dia 1 de setembro, que o cuidado com o ambiente deve ser visto pelos cristãos como uma “nova obra de misericórdia”, que se une às 14 tradicionais, para defender a “vida humana na sua totalidade”. Numa mensagem divulgada neste Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, no Vaticano, Francisco defende que, como obra de misericórdia espiritual, o cuidado do planeta requer “a grata contemplação do mundo”. E como obra de misericórdia corporal, o cuidado da casa comum requer os “simples gestos quotidianos” que permitem quebrar “a lógica da violência, da exploração, do egoísmo”.

A mensagem de Francisco sublinha também a necessidade de um “sério exame de consciência” neste campo ecológico. “Habitados por tal arrependimento, podemos confessar os nossos pecados contra o Criador, contra a Criação, contra os nossos irmãos e irmãs”, realça mensagem do Papa.

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