Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
“Eu cuido dos pobres”

Nos dias que antecederam a canonização de S. Teresa de Calcutá foram várias as imagens e os sons de entrevistas que muitas rádios e televisões tinham guardadas nos seus arquivos e que voltaram a mostrar. Todas interessantes, fazendo-nos recordar aquela mulher pequenina, de aspecto frágil, que colocava a marca de Cristo em tudo e em todos quantos se aproximavam dela e, por isso, transformava corações, vidas, pessoas.

Das muitas perguntas e respostas que então escutei, uma ficou-me gravada. “Madre Teresa, o que é necessário fazer para acabar com a pobreza no mundo?” – questionava o jornalista. E quem escutava (eu) ficou à espera de uma daquelas frases dignas de muitos “likes” do Facebook. Mas Santa Teresa respondeu muito simplesmente: “Não sei. Eu cuido dos pobres”.

O jornalista, certamente, estava bem intencionado. De alguém que tinha adquirido uma fama mundial no combate à pobreza, esperava uma qualquer frase, um lema que servisse de inspiração para muitos, à luz do qual se pudessem julgar as leis dos governos e as atitudes individuais. Ou, então, simplesmente apenas um título bombástico, com o qual iniciar uma notícia…

Mas a santidade trocou as voltas a este mundo. Porque a santidade não é um enunciado de boas intenções. É uma vida que não tem vergonha em reconhecer que não tem soluções milagrosas para, de um dia para o outro, tornar o mundo diferente. A santidade – mesmo aquela dos grandes santos, universalmente conhecidos e reconhecidos – não é feita de um plano bem pensado e organizado, com etapas e metas bem delineadas, com avaliações, recriminações e auto-críticas. A santidade é, tão simplesmente, a vida de Cristo em nós, em cada dia que passa.

“Eu cuido dos pobres” – daqueles que encontro pelo meio da rua e daqueles que vêm ter comigo. Esse é o segredo das pessoas verdadeiramente grandes: perceber que Deus não é uma ideia ou um desejo, um sentimento, mas Alguém que vive, que nos transforma e que nos faz mudar o que está à nossa volta.

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