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Nas Ilhas Salomão, o Jubileu da Misericórdia é tempo de festa
O bispo voador
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Para muitos, as Ilhas Salomão, situadas perto da Austrália, são apenas um exótico destino de férias. Para os habitantes das inúmeras ilhas de areia fina e vegetação tropical, apesar das águas cristalinas, as coisas não são assim tão fáceis. A começar pelo isolamento em que vivem. Para o Bispo Capelli, não há, porém, problema que não tenha solução…

 

Cada ilha é um verdadeiro postal ilustrado, cheio de azul e verde, com praias de areia fina e paisagens espantosas. As Ilhas Salomão, plantadas no meio do Pacífico, são um país que se emancipou do Reino Unido na segunda metade do século XX, embora façam parte da Commonwealth. Apesar da imagem magnífica que transpira em cada fotografia, a vida nas Ilhas Salomão não é nenhum mar de rosas. Pobreza, isolamento, fenómenos naturais extremos, como fortes abalos sísmicos e tsunamis, além da diversidade cultural e linguística… tudo ajuda a transformar este país invulgar num lugar onde a Igreja sente a necessidade de desenvolver um trabalho especial junto das populações.

 

A porta itinerante

Luciano Capelli é um bispo destemido. O facto de ter já 60 anos não o fez demover, nem por um segundo sequer, na intenção de adquirir, para a sua diocese, um ultraligeiro. Ao todo, na Diocese de Gizo, há mais de 40 ilhas espalhadas por uma vastidão de 300 km, onde se fala mais de uma dezena de dialectos. Um verdadeiro quebra-cabeças, portanto. Como chegar a todas estas pessoas? Ainda agora, por causa do Ano Santo da Misericórdia, foi necessário puxar pela imaginação para que todos pudessem experimentar o sentimento de perdão e reconciliação que se vive para quem atravessa a Porta Santa. Como fazê-lo, quando a maioria da população vive isolada em ilhas remotas do arquipélago e não consegue deslocar-se até à Catedral? A solução foi fácil: construindo uma porta itinerante que pudesse ser levada num pequeno barco dos muitos que os pescadores locais usam na faina de todos os dias.

 

Fintar o medo

E assim tem sido. Graças à energia deste bispo e à coragem de um punhado de cristãos mais empenhados, lá se arranjou um barco de madeira, com um pequeno motor, para levar a Porta Santa a todos os habitantes das Ilhas Salomão. “Foram quilómetros e quilómetros em mar aberto, no meio do Pacífico, por vezes debaixo de chuva intensa, por vezes com ondas gigantescas, com vento forte…” D. Luciano tem fintado o medo em cada viagem, sempre na certeza de que chegará a bom porto. Em cada ilha para onde a Porta Santa tem sido transportada, invariavelmente acontece uma cerimónia especial, com flores, bailes, e as populações locais com trajes folclóricos, em coreografias que ajudam também a fazer destas ilhas os tais postais ilustrados com que muitos as identificam.

 

Reconciliação e perdão

A chegada da Porta Santa tem sido uma oportunidade, também, para a Igreja levar uma proposta de reconciliação e perdão às comunidades mais isoladas. “Estamos em lugares remotos”, afirma D. Luciano. “Aqui não há tribunais, nem juízes ou advogados…”, explica. Por isso, a chegada da Porta Santa a cada uma destas ilhas tem representado, também, um sentimento de partilha, de maior proximidade, de inclusão. Apesar de tudo, de estarem tão afastados uns dos outros, todas estas pessoas pertencem ao mesmo povo, à mesma nação, à mesma comunidade. À mesma Igreja.

 

O avião do “senhor bispo”

A Fundação AIS tem ajudado, desde há anos, a Igreja nas Ilhas Salmão e, em particular, a diocese de D. Luciano Capelli. Apesar dos seus 60 anos, nada parece demover este prelado. Bispo de Gizo desde 2007, logo no primeiro instante apercebeu-se da necessidade de estar junto das populações. A Porta Santa foi um bom exemplo de como é possível fintar as próprias dificuldades que a natureza coloca ao trabalho pastoral. Se as pessoas não podiam deslocar-se até à Catedral, levou-se a Porta Santa até elas. Mas as viagens de barco, além de perigosas, são muito cansativas e demoradas. Como ultrapassar isso? De avião claro! Bom, bem vistas as coisas, um avião seria impraticável. Não haveria dinheiro para ele nem pistas onde pudesse aterrar. E foi assim que se chegou a um minúsculo avião. O ultraligeiro da diocese, pilotado por Sérgio ou Augusto, dois jovens que se ofereceram para ajudar o bispo nesta missão, é agora o meio de transporte preferido de D. Luciano Capelli. A necessidade aguça o engenho. Neste caso, tem ajudado a aproximar pessoas e a fazer comunidade entre os habitantes das Ilhas Salomão. E quando se escuta, ao longe, o ronronar da hélice do ultraligeiro, já se sabe que “o senhor bispo” está a chegar para mais uma visita…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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