Juventude |
Testemunhos – Jornada Mundial da Juventude
A JMJ começa agora
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Dois meses passados desde a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Cracóvia, o Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa publica alguns testemunhos e fotos dos jovens que viveram, em diferentes momentos, experiências enriquecedoras de como a JMJ pode tocar os corações de quem se dispõe.

 

Acolhimento em famílias

Como retribuir?

As Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia foram para mim a aprendizagem de muitas palavras que não passavam disso. Na Polónia, juntos dos dois milhões de jovens unidos a Jesus, as palavras tornaram-se algo real que podemos agarrar e abraçar. Entre muitas, as palavras que já não me deixam são receber, cuidar e amar, estas aprendi-as com a família que me acolheu em Gdów.

A princípio torci o nariz perante a ideia de ficar em casas de famílias, admito. Ia à espera do convívio em grupo e ir invadir a casa de pessoas que não falavam a mesma língua e não partilhavam a mesma cultura assustou-me. Agora, vejo que esses obstáculos que me assustavam nem sequer existiram. Quando a língua falhava existia o tradutor ou os gestos e, aos poucos, com muitas gargalhadas no meio, fomo-nos sempre entendendo. E a cultura, em vez de barreira foi motivo de união pois era muita a curiosidade de ambas as partes. Relembro as constantes perguntas sobre o que costumamos comer em Portugal só para nos poderem agradar. Mas não foi só, foram todos os pequenos gestos e constante preocupação com o nosso bem-estar. Foram as garrafas de água e os lanchinhos para não passarmos fome durante o dia, foram as camas feitas com todo o amor e muitas almofadas, as manhãs em que deixaram de dormir para nos fazerem o pequeno-almoço e nos darem boleia. Nunca me senti tão querida num lugar e, muitas vezes, encontrava-me sem resposta e sem saber como retribuir aquele amor. Porque o amor com que me acolheram não foi um amor qualquer, fui recebida todos os dias naquela casa com o amor de Jesus. Ter a capacidade de dar amor todos os dias independentemente do que quer que seja é uma grande dádiva de Deus. Esta dádiva é algo que me abriu os olhos para o meu dia-a-dia, nas minhas relações e é algo que trago comigo todos os dias.

Carolina Coelho, Paróquia de Sobral de Monte Agraço

 

 

Parque Blonia

Desejo de voltar

Hinos, cânticos, ritmos e melodias rompem a silenciosa manhã de Cracóvia, na Polónia. Era a Jornada Mundial da Juventude e milhões de jovens de todos os cantos do mundo gritavam a alegria de conhecerem Jesus Cristo. Blonia foi palco das mais importantes e empolgantes cerimónias deste grande encontro.

Este campo de vasta extensão, no qual se realizaram a Missa de abertura, a receção ao Santo Padre e a Via Sacra, deixa em mim a saudade de quem deseja voltar. Neste local e em cada um dos três encontros (tão diferentes e únicos), gostava de me deixar encantar pela beleza de Deus escondida naquela paisagem que se tornava música na minha alma.

Bandeiras de todos os lugares do mundo faziam-me recordar a Igreja universal que somos e davam mais cor ao céu de Cracóvia, ora azul, ora pintado de um cinzento-escuro que anunciava cheiro a terra molhada. Contemplando a multidão, sentia-me tão pequena quanto uma minúscula gota de orvalho da manhã. E, maior que esta multidão, só a explosão de amor e alegria que inundava (até transbordar) o meu coração, ao recordar as multidões que outrora seguiam Jesus e ao tomar consciência de que é este mesmo homem, Jesus Cristo, vivo, que continua a mover multidões ao Seu encontro.

Ao mesmo tempo, um suave mas persistente sentimento de responsabilidade por cada pessoa, como filhos muito amados de Deus e meus irmãos, fazia-me acolher e agradecer quem se ia cruzando comigo, deixando o seu testemunho.

A serenidade do regresso a casa resulta da certeza de que a marca no coração de todos os que se deixaram tocar por Ele e pelas palavras esperançosas do Papa Francisco, faz os jovens desta Jornada Mundial “saltar do sofá”, levando o Seu nome até aos confins do mundo!

Madalena Silva, Paróquia de Mafra

 

 

LusoFesta

Cristo conta com os jovens

Como em Jornadas Mundiais da Juventude anteriores não podia ter faltado, em Cracóvia a LusoFesta. Este encontro foi organizado pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) a fim de reunir no Centro de Congressos Ice Krákow todos os jovens portugueses que, em Cracóvia, se juntaram para encontrar Cristo e para conhecerem o Santo Padre.

O encontro começou com muita animação, dança e canções. Depois, seguiu-se a mensagem do diretor do DNPJ, padre Eduardo Novo, agradecendo aos jovens a sua presença e a todos os parceiros que contribuíram para a realização da festa portuguesa e dizendo que o objetivo do encontro era festejar a “alegria da fé na expressividade na língua” portuguesa e “na expressividade, na vivência que mantém unidos, fortalece”.

 Seguiu-se uma mensagem do selecionador nacional de futebol, Fernando Santos, apelando à importância da evangelização. “Cristo conta verdadeiramente convosco, conta convosco, com a vossa missão, conta com o vosso espírito de partilha, de evangelização”, partilhou. O selecionador nacional de futebol, referiu ainda como a juventude tem um papel maior na evangelização, “Com a vossa juventude, com a vossa irreverência, serão seguramente o melhor porta-estandarte dessa missão que é a evangelização e levar ao mundo este Deus que nós amamos”.

Ouvimos então o hino das Jornadas com o tema “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”(Mt, 5-7). Todos os jovens cantaram acenando as bandeiras portuguesas. Seguiu-se um momento de testemunhos, preparados pelos jovens, em que se falou de como a misericórdia de Deus pode agir nas nossas vidas e como podemos usá-la para ajudar os outros a serem felizes, amando sempre o nosso próximo.

Chegou depois o momento mais aguardado da tarde, o concerto da fadista portuguesa Cuca Roseta que sempre quis estar presente numa JMJ e aproveitou o momento para partilhar a sua vivência cristã encorajando os jovens a não ter medo de assumir a sua fé perante todos. “Esta visão daqui (palco) é maravilhosa, ver como Portugal tem tanta força nestas Jornadas Mundiais da Juventude. Que continuemos a ser assim, um país de fé”, desejou.

Não podia faltar, para terminar, o discurso do Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes que convidou os presentes a viver intensamente a JMJ e a deixar-se contagiar por esta experiência junto de jovens vindos dos quatro cantos do mundo. “Vamos crescer nesta consciência da força que temos, da Igreja que somos, da mensagem que temos para levar ao mundo”, disse antes de dar a bênção juntamente com os outros cinco Bispos presentes.

Este foi apenas um dos momentos que marcaram estas jornadas. Na terra de João Paulo II os jovens tiveram a oportunidade se juntar, vivenciar a fé e misericórdia de Deus, refletir e rezar. É impressionante a força da juventude que nos faz perceber que não estamos sozinhos e que como nós há muitos mais.

Marta Bento, Paróquia da Portela

 

 

Vigília de oração

Somos um

A vigília de oração foi o momento pelo qual ansiávamos nas jornadas. Ela principiou com o testemunho de 3 jovens: Natália, que descobriu a porta do perdão e amor de Deus via Google; Miguel, que nunca percebera o conceito de família e foi no desespero que o encontrou; Rand, que nos marcou pela confiança que deposita em Deus, apesar do seu sofrimento.

Após a partilha o Papa Francisco refletiu sobre a misericórdia nas nossas vidas. No seu discurso, o Papa refere que “é mais fácil construir pontes do que levantar muros” e foi isso que nos pediu para fazer quando demos as mãos. Não quisemos viver o momento sozinhas, não nos quisemos fechar em nós mesmas; em vez disso abraçámos o grupo que nos acompanhou e partilhámos o sentimento de comunhão - como Miguel, foi ali que encontrámos outro significado para família. Na vigília de oração não éramos duas jovens; não éramos um grupo de cem; não éramos centenas de milhares: éramos UM a rezar pelo Mundo. “Deus vem abrir tudo aquilo que te fecha.”

Margarida Silva e Teresa Antunes, Paróquia de Bobadela

 

 

 

Missa de Envio

Jesus quer ir connosco

Depois de uma noite, ao relento, onde dois milhões de jovens dormiram no mesmo espaço, nada melhor do que acordar com alegria. Acordámos a cantar, a dançar. Acho que acordámos sendo os cristãos que Jesus sonhou. Esta até pode ser a mais desafiante, mas para mim também é a mais bela. É a noite em que sinto que Jesus está ali ao meu lado, que me pega pela mão e me leva a rezar, tal como fez com os discípulos. Ainda não estava bem desperta, já todos recebíamos um presente: um lenço branco, onde devíamos colocar a nossa data de batismo. Recordámos e comemorámos o dia em que nos tornámos irmãos de Cristo.

O Papa Francisco chegou ao Campus da Misericórdia e começou a crescer esta vontade de levar para casa o testemunho dos momentos inesquecíveis que vivi em Cracóvia, com jovens de todo o mundo.

As JMJ’s começam mas não acabam, “Jesus quer ir connosco para casa”. Espero não O ter perdido nos países por onde passámos na viagem de regresso e que não me esqueça de como Ele me foi transformando, ao longo deste caminho. Esta é (um)a aventura sem ponto final, mas to be continued

Patrícia Dôro, Paróquia de Algueirão, Mem Martins e Mercês

 

 

Auschwitz

Manter acesa a memória

Entrar em Auschwitz como peregrino tem um efeito especial em nós. Estar no mesmo sítio onde, há tantos anos atrás (não tantos assim), milhares de pessoas sucumbiram às mãos do nazismo faz-nos sentir o peso da dívida do respeito.

Ao entrar dentro dos portões, fomos invadidos por um silêncio atroz que nos trouxe à memória o sofrimento de milhões de judeus que perderam ali a vida, que sem saberem a razão, eram levados para o corredor da morte. 70% dos prisioneiros eram, à chegada, imediatamente enviados para as câmaras de gás, os restantes sofriam uma morte dolorosa todos os dias.

Hoje, o campo é um símbolo da liberdade que custa conquistar, mas também é um símbolo, para nós cristãos, de que a força de Deus chega mesmo aos lugares mais inóspitos. De que Ele não se esquece de nós, mesmo quando os homens se esquecem d’Ele e uns dos outros. O holocausto não foi uma obra de Deus, foi uma obra dos homens que se esqueceram de Deus.

É importante manter acesa a memória, para que os jovens de hoje não se esqueçam que é completamente possível voltar a cometer os erros do passado, e que a única coisa que pode impedir o ser humano de ser tão desumano é o Amor e a Misericórdia que Deus nos dá e ensina todos os dias.

Hoje, sob as cinzas daqueles cuja vida chegou ao fim em Auschwitz, nascem flores com novas vidas todos os dias. Pisar aquele chão fez-nos sentir que estávamos exatamente onde Jesus queria que estivéssemos. E sabemos que Ele estava lá connosco.

Tal como o Papa Francisco escreveu no livro de honra do museu de Auschwitz, pedimos, “Senhor, tem piedade do teu povo. Senhor, perdoa tanta crueldade.” Porque aos olhos de Deus tudo é possível, porque a Sua Misericórdia é infinita.

Com toda a certeza, saímos de Auschwitz melhores Cristãos e jovens missionários do Amor de Deus.

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