Missão |
Juliana Serrazina Pedro
Plantar sementes pequeninas em corações áridos
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Juliana Serrazina Pedro nasceu a 7 de fevereiro de 1994. É natural da Benedita, foi batizada a 7 de agosto de 1994 e recebeu o sacramento do Crisma em 2010. A sua família é católica e desde cedo que foi habituada a ir à Missa aos domingos. Atualmente, frequenta o quinto ano do curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa.

 

Apaixonada pelo amor de Jesus

No seu percurso enquanto cristã, teve vários momentos em que deu por si “apaixonada pela fé, pelo amor de Jesus, pelo próximo. Estive na Casa de Saúde de Idanha-Belas em 2010 e 2011, em Taizé em 2014 e 2015, no período da semana Santa e são experiência que recordo de coração cheio. Quando entrei na Faculdade, em 2012 conheci o CUPAV e ver outros jovens cristãos tão inspirados em Cristo foi arrebatador. Lembro-me de pensar: ok, este lugar pode ser a minha segunda casa, tenho de trazer cá a família”, partilha. Fez o seu percurso escolar “normal, como qualquer outra criança”. Houve um momento marcante que partilha: “nas férias do 8º para o 9º ano, o meu avô ficou muito doente e acabou por falecer. Foi um período muito complicado porque nunca tinha perdido ninguém na minha vida, mas, cresci imenso. Foi aí que decidi que queria ser médica, uma “médica a sério.”

 

“Conhecer o GasTagus foi como entrar numa montanha russa”

Em 2014 conheceu o Grupo de Ação Social do Tagus (GasTagus) e diz que foi como “entrar numa montanha russa”. “A princípio Foi um salto colossal para fora da minha zona de conforto. E descobri onde, afinal, a magia acontece. Tudo fazia mais sentido. As pessoas ficaram mais bonitas, o pôr-do-sol ficou mais bonito, as estrelas ficaram mais brilhantes. No fundo eu sei que quem mudou o filtro de olhar o mundo, fui eu. E ainda bem. Foi uma caminhada de crescimento pessoal grotesco. Em Agosto de 2015, parti para missão em São Tomé e Príncipe e deparei-me com desafios, a sério. E não são aqueles desafios de tomar banho de caneco de água fria (quando tomava!), ter o frigorífico avariado ou de não saber o que escolher para o almoço. Estou a falar de desafios a sério. Desafios tão penetrantes como pés em ferida que continuam descalços ou demasiadas barrigas vazias para tão pouca fruta. São desafios que no fundo, já os conhecemos, das fotografias. Mas não posso esconder que quando lhes sei o nome, o apelido, a idade e a brincadeira favorita, dói. Custa aceitar, é difícil perceber esta moeda da sorte que teima em calhar para o meu lado. E estes “desafios”, eu sei que estes desafios também os há aqui, em Portugal ou talvez mais perto de nós do que pensamos. E é também por isso que gostava muito de ainda fazer uma missão aqui, em Portugal”, partilha.

 

“A missa missão foi como quem se apaixona, quem dá e não espera nada em troca”

Sobre a sua missão em S. Tomé conta-nos: “A minha missão foi feita de invisíveis, de abraços tão fortes que não há dinamómetro que os meça e de amores tão demorados que não chegam para uma vida. Vivi um amor. Como quem se apaixona, como quem dá e não espera nunca nada. Acabada de chegar, tinha braços abertos a aguardar um abraço do tamanho do mundo. Há vezes em que penso se vale a pena. Há dias que me pergunto se terá ficado alguma semente pequenina no coração de alguém. E é nesses dias que sei que é impossível. Não posso guardar todos os minutos na memória, nem sequer no rolo da máquina. É nesses dias que sei que momentos de felicidade perdidos no tempo merecem ser vividos. São as pitadas de sal que no final, sabem a pouco.  E é por isso que não esboçar um sorriso, não dizer que te gosto, porque nada nunca muda, é desperdiçar um pedaço do tempo.  É escolher a derrota prévia à dúvida de uma vitória.  Os sorrisos que já não me lembro, um dia, fizeram sentido. Enquanto jovem e miúda que sou, sei que não podemos mudar as circunstâncias, o sentido em que gira o planeta ou escolher ‘calhar’ do lado da sorte, seja ele qual for.  Mas podemos mudar as pessoas. E é isso que fazemos. Mudamos o mundo, porque vamos mudando o nosso e, quase como um dominó, acredito que funciona em cadeia.”

 

“São como peixes que aprendem a voar e nunca os peixes voaram tanto”

Após a sua missão, no ano letivo seguinte continuou como orientadora no GasTagus e acompanhou os novos voluntários que chegaram. “As mães costumam dizer que ver uma criança crescer é das coisas mais bonitas do mundo. Outra vez, as mães têm sempre razão. Ver estes jovens florescer e a descobrir o lado bom da vida é de adormecer com um sorriso na cara! São como peixes que aprendem a voar e nunca os peixes voaram tanto”, diz-nos. Este ano voltou a partir para S. Tomé, para a paróquia de Bom-Bom “carregada de sacos de sementes e muito “adubo” para plantar novas sementes. Porque afinal, é para isso que aqui estamos. Para plantar sementes pequeninas em corações áridos, regarmos o jardim num deserto, cuidarmos de plantas num clima ventoso, para garantir que um dia, qualquer dia, nasça um novo amor. Pela vida, pelo outro, pelas coisas simples e pequeninas. Porque é isso que ainda falta. Amor”, como partilha.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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