Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
O que “segura” o mundo?

Que fazer ao nosso mundo? O mundo é tão grande e os seus problemas tão sérios que rapidamente somos tentados a cruzar os braços e a dizer: não posso fazer nada. De facto, que pode cada um de nós fazer para transformar, de verdade, este mundo que nos entra diariamente pela casa dentro, sem nos pedir licença, e que vai modificando os nossos valores, o nosso modo de ser e de viver? Bem gostávamos que não fosse assim. Bem gostávamos de, com um estalar dos dedos ou uma varinha mágica, transformar tudo o que está à nossa volta, dar-lhe um cunho mais humano, mais cristão; ajudar tantos que injustamente sofrem, aqui, bem ao nosso lado, ou lá longe, em terras distantes.

Mas não. Sentimos a incapacidade de agir, de transformar – e a questão não é deixar para a eternidade uma marca de que todos, no futuro, se recordem. Logo depois, chegamos à conclusão popular: “se não os consegues vencer, junta-te a eles”. Rapidamente nos damos a pensar para que serve ser honesto, procurar a verdade, ajudar os que estão à nossa volta… Se não serve de nada, então mais vale ser como todos, tomar o modo de pensar e de viver que a maioria adoptou. Cuidar de nós, “que se cada um assim fizer, o mundo ficará com menos problemas”.

É deste modo que surge a “mundanidade que anestesia a alma” – como dizia no passado Domingo o Papa Francisco, explicando que se referia àquele “buraco negro que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu”.

Esquecemo-nos tantas vezes de perguntar: o que é que mantém o mundo? O que o “segura”? Não são, certamente, os poderosos; não são, certamente, as riquezas; não são, certamente, as guerras. O que “segura” o mundo, o que o mantém vivo é, certamente, o amor de Deus. E esse não é teoria. É vida concreta. É a vida dos santos, daqueles homens e mulheres de carne e osso, daqueles onde o amor de Deus, longe de ser um conjunto de piedosos desejos, é antes vida sofrida e alegre, mas a transbordar daquela vida que Deus nos oferece e onde tudo adquire um novo sentido.

É por isso que vale a pena não ser indiferente, não nos deixarmos cegar e anestesiar. Não se trata do “orgulho de ser diferente”. Trata-se de ajudar o mundo a ser, a permanecer na vida.

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