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Papa visita local do sismo em Itália: “Estou próximo”
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O Papa Francisco fez uma visita surpresa a Amatrice, que ficou devastada pelo sismo no centro de Itália. Na semana em que confirmou que vai visitar Fátima, em maio de 2017, o Papa condenou a violência na Síria e no Iraque. Foi anunciado o tema para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

 

1. O Papa visitou esta terça-feira, 4 de outubro, Amatrice, uma das localidades italianas mais devastadas pelo terramoto que abalou o centro de Itália em agosto e fez perto de 300 mortos. A visita não constava da agenda oficial de Francisco, que chegou cedo, acompanhado pelo bispo da zona. Começou pela escola, reconstruída provisoriamente para o início das aulas, e ouviu os relatos que algumas crianças lhe fizeram. Deteve-se sozinho diante dos destroços, a rezar em silêncio. Depois, acompanhado pelos bombeiros e agentes da proteção civil, entrou na chamada “zona vermelha”, assim designada pelos riscos de desabamento que ainda persistem.

Segundo adiantam alguns jornais italianos, o Papa declarou à população de Amatrice que o rodeava: “Não quis estorvar, por isso, deixei passar algum tempo. Estou aqui simplesmente para dizer que estou próximo e que rezo por vós. Proximidade e oração é o que eu vos ofereço”. Usando um pequeno microfone portátil, Francisco acrescentou: “Temos de ir em frente, apesar de tanta gente querida nos ter deixado. Temos de avançar juntos, porque sozinhos é difícil. Ajudem-se uns aos outros. Caminha-se muito melhor juntos, sozinhos não”.

Francisco esteve com pessoas que ainda são obrigadas a viver em tendas, dado a maioria dos edifícios em Amatrice terem ficado destruídos ou se encontrarem em estado impróprio para se habitar. A visita ocorreu no dia litúrgico de São Francisco de Assis, santo em que o Papa se inspirou para escolher o seu nome de Pontificado.

 

2. “Vou a Portugal”, confirmou o Papa à Renascença, durante a viagem de regresso a Roma, depois da visita apostólica à Geórgia e ao Azerbaijão. O Papa não deixou dúvidas na resposta à pergunta de Aura Miguel, jornalista da Renascença, que viajava também no avião papal, e virá ao centenário das aparições em Fátima, a 13 de maio do próximo ano. “Com toda a certeza, posso dizer até hoje, que vou a Portugal, mas vou só a Fátima. Isto até hoje. Porque há um problema: é que, neste Ano Santo foram suspensas as visitas Ad Limina e, no próximo ano, decorrem as deste ano e as do ano seguinte. Por isso, há pouco espaço para viagens. Mas vou a Portugal, para já, só no dia 13, mas, ao certo, ainda não sei”, referiu.

Para já, confirmada está a ida a Fátima mas o Papa deixa a porta aberta a uma visita mais alargada ao nosso país: “A realidade percebe-se melhor a partir das periferias do que a partir do centro, mas isto não afasta a possibilidade de ir a um grande país como é Portugal ou a França, não sei, veremos”. Além de Portugal, o Papa tenciona, em 2017, visitar a India e o Bangladesh e também alguns países africanos que não especificou.

A Conferência Episcopal Portuguesa reagiu com “regozijo” ao anúncio feito pelo próprio Papa de que em 2017 virá a Portugal, para o centenário das aparições de Fátima. “A reação é de regozijo, havendo essa confirmação do próprio Papa Francisco”, salientou o porta-voz da CEP, padre Manuel Barbosa, à Renascença. Para já só está confirmada a visita a Fátima, mas os bispos portugueses ainda acreditam que poderá ser possível uma visita mais alargada. “Temos que esperar para ver a comunicação oficial do programa dessa visita para ver se ele vem a Fátima ou se virá também a outro lugar”, acrescentou.

Francisco será o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (13 de maio de 1967), João Paulo II (12 a 15 de maio de 1982; 10 a 13 de maio de 1991; e 12 e 13 de maio de 2000) e Bento XVI (11 a 14 de maio de 2010).

 

3. O Papa Francisco condenou, no passado dia 29 de setembro, a violência na Síria e no Iraque, apontando o dedo a “interesses obscuros” que lucram com a manutenção dos conflitos no Médio Oriente. “Notamos com grande tristeza que, apesar dos muitos esforços feitos em várias áreas, a lógica de armas e da opressão, os interesses obscuros e a violência continuam a causar estragos nestes países”, sublinhou o Papa, perante cerca de 40 organizações católicas de solidariedade que prestam ajuda às populações sírias e iraquianas.

Francisco sustentou que as “consequências dramáticas” desta crise humana são agora visíveis para lá dos limites da região, dando como exemplo o “grave fenómeno migratório”. “Até agora, não temos sido capazes de acabar com o sofrimento desgastante e a violação continuada dos direitos humanos”, alertou. O Papa Francisco dirigiu-se às comunidades cristãs no Médio Oriente, manifestando-lhes “admiração, reconhecimento e apoio”, em seu nome e de toda a Igreja Católica. Antes de se despedir, o Papa confiou todos os agentes da caridade à intercessão de Santa Teresa de Calcutá.

O quinto encontro de organizações católicas de solidariedade sobre a crise humana na Síria e no Iraque é promovido pelo Conselho Pontifício ‘Cor Unum’, para debater uma das “mais graves crises” das últimas décadas. Segundo o Vaticano, há mais de 13,5 milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária na Síria e mais 10 milhões no Iraque.

 

4. ‘Comunicar esperança e confiança no nosso tempo’ foi o tema escolhido pelo Papa para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2017. Trata-se de “um convite a contar a história do mundo e as histórias dos homens e mulheres segundo a lógica da ‘boa notícia’, que nos lembra que Deus nunca renuncia a ser Pai, em qualquer situação e com cada ser humano”, refere um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé. A nota do Vaticano alerta para o risco de um adormecimento da consciência por causa da “distância física” de profissionais, líderes de opinião e meios de comunicação face aos “lugares da pobreza”. “Anestesiar a consciência ou deixar-se levar pelo desespero são duas possíveis doenças às quais pode levar o atual sistema de comunicação”, salienta. O texto refere que existe uma “ignorância da complexidade dos dramas” humanos, criticando quem transforma o desespero de homens e mulheres em “espetáculo”.

A mensagem do Papa é publicada no dia da festa litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, a 24 de janeiro. O 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais assinala-se, em 2017, no dia 28 de maio (Solenidade da Ascensão do Senhor).

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