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Alepo. Gritos de desespero numa cidade cercada pela guerra
“Não aguentamos mais”
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A guerra na Síria parece não ter fim. Da cidade de Alepo, outrora a segunda mais importante metrópole do país, continuam a chegar-nos alarmantes pedidos de ajuda. Perante a violência do conflito, resta apenas a força da fé que se traduz em orações. 


Na passada terça-feira, milhares de crianças em todo o mundo – entre as quais mais de 16 mil em Portugal – uniram-se juntas numa grande jornada de oração pela paz. De entre todos os países em guerra, de todos os conflitos que enchem as primeiras páginas dos jornais, é na Síria, em especial em Alepo, que as armas parecem estar mais encarniçadas, a tal ponto que já é classificada como a cidade mártir. Por causa disso, foi com um profundo sentimento de gratidão que em Alepo – onde as crianças estiveram também juntas em oração – se acompanhou esta iniciativa organizada pela Fundação AIS e que teve como objectivo principal despertar a consciência do mundo, mobilizar boas vontades e dar um sinal inequívoco de que contra a força das armas há sempre o poder da fé. Sabendo desta iniciativa, a irmã Annie Demerjian, que pertence à comunidade das Irmãs de Jesus e Maria, e que vive precisamente em Alepo, fez um apelo, através da Fundação AIS, para que as crianças portuguesas se juntassem a esta jornada de oração para que a guerra civil, que está a tomar proporções dantescas, possa terminar de vez.

 

Gritos de dor

Mas as bombas continuam a cair. De Alepo chegam-nos constantes mensagens que são apelos, pedidos lancinantes de quem se sente incapaz perante a força dos bombardeamentos, as explosões que arrasam tudo em volta, o grito sufocado de dor de quem tomba, de quem fica ferido, de quem olha à volta e vê apenas destruição. As monjas carmelitas de Alepo dizem-nos também que esta batalha está para lá do que é aceitável. “Não aguentamos mais”, dizem num relato em que se fala de uma cidade completamente cercada pelos bombardeamentos, uma cidade arruinada seja na zona controlada pelo exército sírio, seja nos bairros dos rebeldes. “Os bombardeamentos na parte oriental de Alepo são numerosos, mas a situação na parte ocidental da cidade não é melhor, apesar de a imprensa não o noticiar.”

 

Morte e destruição

Todos os dias, estas irmãs são testemunhas impotentes do sofrimento de centenas e centenas de pessoas. Estas irmãs estão lá. Elas não espreitam a guerra através da televisão, em pequenos filmes registados por telemóveis, ou em fotografias que se espalham através da Internet. Não. A guerra em Alepo está ali, à porta, à frente dos seus olhos. Os gritos que elas escutam são de pessoas ensanguentadas, de crianças em lágrimas. O que elas vêem são prédios em ruína que já sepultaram milhares de vidas. Para estas irmãs, não há um lado bom e um lado mau na guerra. Há apenas violência e amargura. Morte e destruição. “Somos diariamente testemunhas dos sofrimentos vividos nos vários bairros ocidentais da cidade: também nestes bairros se contam, todos os dias, dezenas de mortos e feridos.”

 

Situação insustentável

Até onde pode ir a demência humana? Na Síria, em Alepo, parece que não há limites para a violência, tal como não há já palavras para descrever todo o horror. “Um sacerdote chegou até nós em lágrimas: vive em Midan, um bairro popular há três anos continuamente alvo de atentados. Há uma semana que não faz outra coisa que não seja sepultar vítimas civis”, afirmam as irmãs carmelitas. E não são apenas os Cristãos as vítimas desta guerra. “Num outro bairro muito popular e de maioria islâmica, próximo do hospital São Luís, há dias morreram dez pessoas e mais de setenta ficaram feridas” por causa de tiros de artilharia, acrescentam as carmelitas. A situação é, de dia para dia, cada vez mais insustentável. Desde há cinco anos, por causa da guerra, o número de cristãos na cidade de Alepo passou dos 160 mil para cerca de apenas 35 mil pessoas. As irmãs afirmam que a situação atingiu o limite do que é humanamente suportável. A guerra vista de Alepo deixou de fazer sentido. As ruas estão cheias de escombros, os prédios estão em ruínas, as pessoas estão em lágrimas. Como pode alguém querer ganhar uma guerra onde todos já perderam? Dizem ainda as irmãs Carmelitas: “Não podemos mais aceitar a guerra e pedimos o fim dos combates em todas as partes da cidade.”

 

Obrigado a Portugal

Contra a demência das armas, sobra apenas a convicção da fé, a força das orações. Na terça-feira, as crianças em todo o mundo estiveram unidas em oração pela paz. De Alepo, a irmã Annie Demerjian, não tem dúvidas de que o fim dos combates será só o princípio para um longo caminho até à paz verdadeira. Uma paz que só se alcançará se for muito rezada. De Alepo, através da irmã Annie, chega-nos um longo agradecimento por tudo o que os Portugueses têm feito pelo martirizado povo Sírio. É um “obrigado” embrulhado em lágrimas, mas cheio de esperança. “Havendo paz, as nossas crianças vão poder voltar à escola, e vão poder brincar outra vez, sem medo e sem sofrimento. Por favor, peço-vos isto e agradeço-vos o apoio que têm dado, de diversas formas, às nossas crianças. Que Deus vos abençoe a todos.”

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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