Domingo |
À procura da Palavra
Perdidos e achados
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DOMINGO XXXI COMUM Ano C
“Zaqueu, desce depressa,
que Eu hoje devo ficar em tua casa.”
Lc 19, 5

 

Não é preciso estar muito atento para vermos os desperdícios que a humanidade vai produzindo. Pode ser o lixo, que alguns dias de greve faz acumular, e o excesso de coisas “recuperáveis” que nele encontramos, mas é também esta sociedade “descartável” que corre o risco de chegar às pessoas com facilidade. Podemos falar ainda do que se perde e deseja encontrar (coisas, tempo, amigos...) e daquilo que, simplesmente, deixa de nos fazer falta. Por já ter recorrido aos serviços de “perdidos e achados” de alguns lugares, e algumas vezes ter recuperado o que perdera (óculos, carteira, chaves, telemóvel...) penso que esta é uma das especialidades de Deus: procurar e encontrar o que estava perdido. E fazer a festa da alegria!

É fácil colar o rótulo a alguém: “é um perdido”! E também estabelecer a fronteira entre a perdição e as pessoas de “bem”. Mas o que sabemos nós dos “perdidos” da nossa cidade? Como os conhecemos antes de cair na fácil condenação? Por isso Jesus há-de sempre surpreender-nos na escolha das casas onde “precisa ficar”, nos grupos com quem deseja “andar”.

Zaqueu era certamente grande na riqueza, mas pequeno em tudo o mais: na estatura (quem não conhece o gozo entre os miúdos pelos baixinhos?), na religião (excomungado da sinagoga e dos ritos pela profissão de cobrador de impostos), e na simpatia (certamente a ganância e a intransigência se tinham tornado um hábito). Mas “procurava ver quem era Jesus”. Não apenas “ver Jesus”, mas “quem” Ele era. E assim dispôs-se ao encontro, longe de saber que Jesus também o procurava. Não será também assim com tantos que se sentem excluídos de religiões e igrejas, de grupos e famílias? Enfrentou aquilo que o “apequenava” e revelou-se toda a grandeza que só Deus conhecia: subiu a uma árvore, desceu com alegria, abriu a Jesus a sua casa, e mudou a sua vida e a de outros. Naquela cidade de Jericó, uma das mais antigas da humanidade, 258 metros abaixo do nível do mar, ensaiou-se a ressurreição que iria acontecer em Jerusalém, 760 metros acima do mesmo nível do mar. O impossível para os homens, especialmente quem é “especialista da condenação”, é possível para Deus: salvar o que estava perdido não é perda de tempo! 

O que se passou naquele encontro? O que disse e escutou Zaqueu? Abriu o coração? Ouviu sermões e anúncios de que iria para o inferno? De onde veio a alegria da medida desmesurada com que pensou no que ia dar aos outros? Nada nos diz São Lucas, mas algo se passou. Único, como é para cada um de nós descobrir o amor de Deus. E por isso é tão difícil reconhecer esse encontro, quando continuamos a colar rótulos de “perdido” em tantos excluídos. Quando usamos a palavra “misericórdia” como um cachecol para defesa do frio, ou um distintivo para pregar na lapela! Sem que ela nos aqueça o coração e nos solte lágrimas nos olhos! Que alegria aflora em nós por Deus nos encontrar? E por acharmos outros que se sentiam perdidos?

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